MINHA VIDA É UM PALCO

MINHA VIDA É UM PALCO
Somos como atores neste palco que é o mundo, as cenas são os dias e noites, e o roteiro quem escreve é a VIDA!A vida depois dos 60. É começar novo, novos horizontes, um mundo diferente e muito mais LEVE! A gente está sempre começando, sempre aprendendo...E aos 60 anos, a gente nasce de novo! A minha Infância da Maturidade! COMO SERÁ NOS 70?Na minha ADOLESCÊNCIA da Maturidade...CHEGUEI! Cheguei chegando imaginando a vida toda...70 ANOS! BÓRA LÁ QUE A VIDA TÁ PASSANDO!!!E até uma PANDEMIA!Nunca pensei ...De repente, ficar presa em casa, sozinha. Se sair, o CORONA VÍRUS pega. Horrível todo mundo sem se tocar.

quarta-feira, 6 de maio de 2020

ROTINA DEPRIMENTE



É muito fácil dizer "Fique em Casa!". Já é um mantra. E ainda tem que agradecer porque a gente tem casa, tem comida, tem saúde, tem remédio e tem um celular bom. E agradecer e reclamar se tem marido, filhos, cachorros, gatos, papagaio, tartaruga...
Minha vizinha tem marido, filha, genro, netos, o apê é um movimento todo dia, todo mundo em casa. Fico com ciúme. Porque eu  tenho só eu em casa. Aliás, apê.Se eu tivesse casa...na praia...na fazenda...Me mudava pra lá. Como não tenho, vou ter que inventar coisas diferentes para sair da rotina que a casa me obriga, aquilo que sempre falei: Tenho uma idosa pra cuidar - que sou eu mesma - arruma cama, limpa banheiro, limpa cozinha, faz comida, suja tudo, lava roupa, arruma armário, blá blá blá. Se for muito exigente, vai-se o dia. E ainda tem que ouvir: 
- Tu és sozinha, não tem nada pra fazer...Coisa boa essa tua vida. 
Exatamente: sozinha, estou com tontura, preciso de um copo d'água; levanto e vou pegar...
Quando vai chegar aqui aquele robô japonês que faz tudo?

 Por isso, a importância de fazer um horário tipo de escola para incluir na rotina:

- ligar pra família
- ligar para amiga
istockphoto
- fazer alongamento
- espiar face
- ver série
- ver novela
- ver notícias
- ler um bom livro
- ouvir uma boa música
- fazer uma comida muito gostosa
- comer a comida gostosa
- beber uma coisa muito boa
- esparramar-se no sofá da sala
- não limpar a  sujeira da cozinha
- pesquisar que sempre tem uma live


 No mínimo, foram 20 horas, e ainda tem que dormir. E amanhã tem tudo de novo. 
Uma rotina deprimente.

sábado, 18 de abril de 2020

IDOSA SAFADINHA


Awebic-Autossabotagem espiritual
Bem quietinha, em casa, ganhando tudo na frente da porta, nunca fui tão paparicada. Só no celular. Não tem mais o que fazer, vou fazer sfiha  que é a popular esfirra e a minha é boa. Todo mundo diz.
Tem tudo em casa. NÃO!!! Falta fermento.Pedir pros filhos trazerem fermento, que abuso. Mas eu quero fazer sfiha agora.
  Não sou doente, nem diabética sou mais. Joelhos doem às vezes, mas isso não é doença.Tenho 71 anos. Estou sem febre, sem tosse, fiz um monte de máscaras, lavei 553 vezes as mãos, gastei 3 litros de álcool gel, bem alimentada - até demais - nem rinite eu tenho, o que é marca registrada de Curitiba. Banho, cabelo com secador, brinco, batom não dá pois suja a máscara, perfume, roupa de passear, não levo bolsa,muito grande,  o cartão vai no bolso. Acho que dá pra ir correndo no super (aqui em Curitiba é Mercado).Sou eu que dirijo, o Gordinho é só meu, tem álcool gel no carro. Desço no elevador apertando o botão com a ponta da chave. Rezo pra encontrar ninguém. E que não tenha muito carro lá.
No estacionamento do super procuro um lugar de não-idoso, pra não chamar atenção. Tem pouca gente nesse horário, Entro disfarçando, de máscara e óculos escuros, caminho toda empertigada, cuidando pra não renguear. Seguro o carrinho depois de lambuzar de álcool gel. Pouca gente, vou aproveitar e pegar cacetinho, manteiga, batatinha e  cocazero . E fermento.
Tinha uns funcionários sem máscara repondo as gôndolas, uns clientes no açougue muito juntos, fui pro caixa com vontade de dar mais umas voltas, mas eu me comportei. Vou fazer uma reclamação. Como pode ter funcionários sem máscaras? E não tinha marcas de distanciamento no açougue.
Paguei as compras, passando álcool nas sacolas. Olhei a recepção. Vou reclamar.
Mas... Uma luz me acendeu, parei por segundo, e se?
 E SE me disserem: - O QUE A SENHORA ESTÁ FAZENDO AQUI? Sabe que IDOSA é do grupo de risco?
Eu posso dizer:- Moço, o Trump tem 73 e faz essa bagunça no mundo, eu só vim pegar fermento.
Mas não disse nada. Meti o rabo entre as pernas e me mandei.
Cheguei em casa, tirei sapato na porta, tomei banho, nem fiz mais nada.
Não contei nada pra ninguém que fui ao super. Esse segredo vai pro inferno.
Me senti uma idosa sem vergonha. Safadinha.
Nunca mais.
Juro que nunca mais.


quinta-feira, 2 de abril de 2020

MOMENTOS FELIZES DEPOIS DOS 70




"A felicidade é mesmo um momento mágico e duradouro como sempre ensinaram? Melhor não contar com isso:Aprende a apreciá-la em doses mínimas e nas alegrias de pequeno porte."


Dia Primeiro de Abril de Dois Mil e Vinte. Como é diferente escrever a data assim, mas foi um dia muito importante nos meus 70 e uns anos. Festejei o aniversário de meus netinhos mais novos, Malu e Martin, 3 aninhos, por vídeo. Já estou acostumada a festejar meus netos de longe, tenho dois que moram do outro lado do mundo, mas desta vez foi estranho. Moro apenas a uma quadra de distância da casa deles. Foi uma angústia saber que eu poderia estar junto. Por quê? Por que não? 
Porque não e pronto - diriam meus pais. Simples, assim.
Existe uma lógica inteligente neste momento: isolamento social pois existe uma pandemia. Isolamento físico, pois sou do grupo de risco. Posso levar ou trazer um vírus ainda não exterminável.
Cada passo é como se estivéssemos pisando num terreno minado. Assim como nos filmes.Ninguém sabe onde está a mina.Em qualquer lugar do Planeta. 

Cantamos parabéns, nossa Pequena Amada Grande Família pelo celular. Separados, mas juntos.Por alguns minutos, só o que queríamos era ver os aniversariantes encantados com as velinhas, os pais festejando, 3 anos que vivemos crescendo juntos.
Mais um momento de felicidade. 
Tem que registrar. Tem que saber aproveitar. É o que mais importa. 


"Na verdade, o que existe é uma felicidade distribuída em contagotas."

Melhor ser minimamente feliz por várias vezes do que viver 
em compasso de espera.



segunda-feira, 23 de março de 2020

SOZINHA, MAS NÃO SOLITÁRIA ou SOLITÁRIA, MAS NÃO SOZINHA?

hypeness

Nem sei há quantos anos escrevi um título desses,
acho que em 2011, foi uma
história da Mirinha lá no Cassino: 
Sozinha, mas não solitária. 


Ficar sozinha é uma coisa; escolher ficar sozinha é uma opção;morar sozinha também é opção ou obrigação; TER que ficar sozinha é diferente.

Isolada, domingo sem almoço com os filhos,sem afofar os netinhos,  uma filha entregar uma sacola de longe, a porta entreaberta, não tocar, não dizer oi e beijar....muito estranho e dolorido. O pão novinho da padaria trazido pelo vizinho solidário, sacolinha pendurada na maçaneta da porta externa. O entregador da farmácia lá na frente, a zeladora tem que ir pegar pra também deixar na minha porta.
De repente, parece que eu sou leprosa, mas não, sou uma idosa no grupo de risco. Se o vírus me pega, vou ocupar um leito que poderia ser pra outra pessoa que precise mais.E espalhar o vírus por aí.

Todos nós, idosos, tem um dia em que pensamos, "puxa, já vivi tanto, se eu morrer já aproveitei bastante". XÔ, pensamento negativo, olha na Itália, os idosos morrendo, as famílias chorando.Italianos que gostam de enterrar seus mortos e gritar, abraçar-se, mama mia, não podem sequer se despedir dos entes queridos. 
Nunca mais a gente vai se ver. 
Lembro quando minha velha avó Marica morreu. Eu só queria ir com ela.Depois, meus velhos pais se foram, o chão desapareceu dos meus pés. Nunca mais os vi. Dói pra sempre.

Isso tudo eu falei ontem, pra uma amiga que queria sair de casa. Que não aguentava mais ficar sozinha. Amiga, tu estás sozinha, mas não  solitária. Daqui a pouco estaremos comendo churrasco, jogando mexemexe,ou bingo, ou bordando, ou no cinema, ou com a família, dando aquelas risadas ou chorando, emburradas, reclamando do preço dos remédios. 
Neste momento, nossa OBRIGAÇÃO, nossa contribuição com o Planeta é FICAR EM CASA.

psicodélica.super.abril
E agradecer. Agradecer por termos uma casa, pela comida,pelos meios de comunicação, pela condição de evitar que o vírus contamine mais pessoas. Simples assim. Há tanta vida esperando lá fora. Daqui a pouco. Agora, há tanta vida aqui dentro. Desculpe, vou atender o celular. Não estou solitária.
Estou sozinha, mas não solitária.



Ou solitária, mas não sozinha. É?
                     ?


quinta-feira, 19 de março de 2020

SAIU IGUALZITO AO PAI


Tem uma música da Califórnia da Canção de Uruguaiana que diz "o guri saiu igualzito ao pai", e isso era uma homenagem ao pai e ao guri, os dois bem gente boa, o pai  "era um gaúcho que nunca conheceu luxo, mas viveu folgado, enfim",  com caráter,  honra e respeito ao próximo. 
Filho de tigre sai pintado, a fruta não cai longe do pé, filho de peixe peixinho é, a cultura popular diz tudo. Fiquei pensando...não devo dizer tudo o que penso, mas preciso pensar no que vou dizer. 
Com as redes sociais, tem gente que ACHA que pode dizer tudo o que pensa, com o objetivo de causar likes e conseguir seguidores e chegar a deputado ou a presidente. 
SÓ QUE tem gente que só pensa idiotice, que se segura no casaco do pai pra conseguir imunidade.Um filho bem igualzito ao pai. 
SÓ QUE estou em isolamento pra não prejudicar quem precisa trabalhar. Pra dar exemplo ao filho, embora eu-mãe, e com muito cuidado com o que escrevo, embora não seja sábia.Faço apenas meu dever de cidadão.E tem gente solta por aí, dizendo o que não deve, na contramão da maioria dos brasileiros  que se esforçam para evitar a disseminação de um vírus letal.   
Vivemos numa democracia, não vivemos numa anarquia, principalmente as pessoas em quem votamos ou não precisam cuidar deste povo, tem uma pandemia aí. 
"CALA A BOCA, Batista", tinha uma personagem do Chico Anísio. Que vontade de dizer CALA A BOCA, pai do filho, CALA A BOCA, filho do pai. Tenta passar por sábio, não diz tudo o que pensa.  É o meu país .Ridicularizado por quem devia respeitar uma situação mundial. Fico com vergonha.

quarta-feira, 18 de março de 2020

EU DEPOIS DO JOJO RABBIT


18 / 03/ 2020 - Curitiba - Paraná. BRASIL

Confinada em minha casa para me esconder do Coronavírus19. Minhas ideias precisam sair um pouco desse círculo de terror onde estou no centro: idosa, depois dos 70, diabética(mais ou menos), hipertensa(menos que mais), gorda(mais que menos), problemas respiratórios(ainda não tive ou não sei se tenho), dores nos olhos, nos joelhos, na coluna, no pescoço, alguém achou que eu estava com o vírus. É idade, como dizem meus médicos.
O que preciso registrar para nossas histórias  DEPOIS DOS 70 é como eu me sinto com a necessidade de FICAR EM CASA. Ficar em casa pra quem mora sozinha é um caos. 
Tenho ciúme de quem tá velho e mora com um monte de gente.Pode até andar de máscara em casa, mas tem gente pra encher o saco e obrigar a se mexer.  Só que tenho um gênio do cão (raivoso). Eu me obrigo a viver comigo, até hoje deu certo. Cuido bem desta idosa gorda, pelo menos não atrapalha a vida dos outros. 
Até agora. 

Com a coisa do Coronavírus modificado (até agora penso que mexeram no DNA do coroninha só pra matar os véios do mundo), todos: filhos e parentes e até quem escreve novelas me dizem FICA EM CASA!Todo mundo está preocupado comigo! 

Então tá, estou como a ELSA, presa no esconderijo da guerra nazista. Quando vi o filme Jojo Rabbit (fui ao cinema antes do vírus) fiquei maravilhada com toda a trama, o Jojo tem um amigo imaginário,o Hittler,seu herói, ele é um menino bem nazista, e a mãe dele é da resistência e esconde a Elsa, menina judia. Quem quiser saber dessa muiiiito  interessante história não tão ficção, que veja o filme. Todos temos um amigo imaginário, e em algum instante ficamos escondidos enquanto há tanta vida e tanta morte lá fora.

Por que eu me identifiquei com a Elsa? Porque eu também estou presa em minha casa, tem um vírus lá fora esperando pra me matar. Ele mata idoso. Só que nenhum neto pode me abraçar nem beijar. Nem o Jojo Rabbit pode me me libertar.
O Jojo e a Elsa se encontravam, às escondidas, mas conseguiam. Eu não posso. Elsa não podia comprar sua comida. Eu também não posso, o super está cheio de gente enlouquecida brigando no tapa por papel higiênico, e cada tapa está  cheio de vírus. Se eu sair de casa estou jurada de morte, tá todo mundo de olho, acho que preferem eu bem vivinha da silva. 

Tem uma coisa que eu posso e Elsa não podia: falar com todos pelo whats, pelo messenger, pelo skype; eu posso.

E eu posso dançar, Elsa não podia, estou livre dentro da minha prisão, tchau pra vocês, eu vou DANÇAR! 

(posso, até, convidar Jojo e Elsa).Quem não viu esse filme, veja. Tem na TV e de graça.Dar um tempo nas notícias lá de fora, ter coragem de ver um bom filme, colocar música, cantar e, quem sabe, dançar. A gente pode.


 E, com certeza, vamos fazer nossa:parte FICAR EM CASA, é a nossa participação nesta GUERRA onde o inimigo está invisível. 


domingo, 15 de março de 2020

CORONA, VIRAM? NEM DEU MEDO!



Criação by Juliana Bella
A primeira capa de meu livro foi uma ideia da Juliana. Isso em fevereiro de 2019. 
Eu AMEI a capa, tudo a ver com minhas personagens Bella e Mirinha.
No dia da foto, eu estava fazendo pastel pra toda minha família, no Cassino, meu paraíso na Terra, onde começaram as histórias das SEXYGENÁRIAS. Na época, eram Sexas, depois viraram Sexys,deu no que deu.
Hoje, trancada em casa para não me encontrar com o vírus Corona modificado, achei essa foto e vou postar, afinal, depois dos meus 70 estou passando por coisas jamais imaginadas. Vou registrar este momento, quem sabe, comprar algumas Coronas, fazer novas playlists e sentir medo. Sentir medo é bom, a gente precisa reagir, se movimentar, fazer coisas diferentes, quem sabe, inventar um manual de COMO FICAR EM CASA... Não é fácil. 

Corona(aquele original modificado) e a Corona da capa(também modificada). Tem muito pra pesquisar. Depois dos 70 é muito fácil. 

foto inspiradora