Tem coisa que não precisa.
Um dia, acordei de ovo virado e saí pra rua. Começou a chuva eu continuei. Dei bom dia pro vizinho e ele me olhou, está chovendo, disse. Eu sei, estou sentindo. Vai se molhar. Não sou de açúcar. Grossa, ele pensou, mas não falou. Eu acho. Fiz de conta que estava bem. Tudo bem.
Continuei escrevendo sem dois pontos e nova linha e parágrafo e travessão. O mundo está chato, eu já escrevi o título. Então, escrevo como quiser.
Mulher devia ser presidente, eu dizia, agora, mulher já foi presidente.
O Costinha fazia piada, a mulher que queria ser presidente, todo mundo ria, era da loira burra, agora tem presidente, perdeu a graça, ou é proibido.
Pode me pisar? Desculpe, se foi sem querer, tá desculpado, mas se foi de propósito, dói mais e não tem desculpa.
O diálogo fica compreensivo se tiver o mínimo de clareza.
Dei bom dia pro vizinho.
- Bom dia - respondeu - vai chover...
- Pois é - respondi.
- Vai se molhar - ele riu, brincando.
Eu sorri, e disse:
- Não sou de açúcar...
- Essa vizinha...
Não é o mundo que está chato, o que falta é a pontuação adequada.
O Costinha fazia piada de loira burra. A loira queria ser presidente. O Costinha morreu. A loira foi presidente.
Não é o mundo que está chato. É a piada que não tem mais graça.

