A vida começa aos 60 anos. ATUALIZANDO...a vida começa aos 74. Agora, já estou com 75. A pandemia do Corona Vírus passou. A COVID se transformou em doença, que precisamos tomar vacina todos os anos, o vírus se transformou em coisa igual sarampo. POR ENQUANTO, estou escrevendo, copiando crônicas que escrevi nesses tempos de estranheza numa realidade de idosa. QUANDO eu ficar velha, talvez não tenha vontade de escrever mais. Agora estou com 77 anos. Vou registrar alguma coisa do meu diário.
MINHA VIDA É UM PALCO
Somos como atores neste palco que é o mundo, as cenas são os dias e noites, e o roteiro quem escreve é a VIDA!A vida depois dos 60. É começar novo, novos horizontes, um mundo diferente e muito mais LEVE! A gente está sempre começando, sempre aprendendo...E aos 60 anos, a gente nasce de novo! A minha Infância da Maturidade! COMO SERÁ NOS 70?Na minha ADOLESCÊNCIA da Maturidade...CHEGUEI! Cheguei chegando imaginando a vida toda...70 ANOS! BÓRA LÁ QUE A VIDA TÁ PASSANDO!!!E até uma PANDEMIA!Nunca pensei ...De repente, ficar presa em casa, sozinha. Se sair, o CORONA VÍRUS pega. Horrível todo mundo sem se tocar.
quarta-feira, 10 de junho de 2015
FATIAS DO TEMPO 4 - RELIGIÃO É PAIXÃO
A minha Fatia de Tempo de hoje tem muitas mordidas. Falar de religião não é fácil, mas contar histórias tem a licença da Literatura, onde tudo é liberado.
Pois Religião é emoção, é sentimento, crença, fé; não se explica, é e ponto. Se fosse ciência tinha vida concreta. Não é, não tem. E tem gente que briga e mata em nome da religião. Hoje, século XXI, Terceiro Milênio - nunca pensei chegar aqui - 2015 no Ocidente, Calendário Cristão (religião?), ouvi uma notícia na BandNews:
"Crentes de tal igreja ficaram toda noite cantando ofensas em frente a um Candomblé, a Mãe Fulana ficou tão nervosa que teve um infarto e morreu. Os centros de todo o Brasil se movimentam e fazem culto em protesto. Isso nunca aconteceu neste país em que as religiões convivem harmoniosamente."
Engano seu, meu caro repórter.Harmonia, utopia!
Religião é militância da alma. Mais forte que partido político.
- Eu devia ter uns sete anos de idade. A irmã Elizabete passava em minha casa e eu saía toda feliz com ela e mais outras crianças que se somavam no trajeto rumo à Grutinha de Nossa Senhora de Lourdes, onde rezávamos o terço. Sempre, ao passar pelo terreiro da Dona Candoca, a irmã Elizabete nos dizia:
"Joguem pedras nesse lugar do demônio, os "caboclos". E corram, lá dentro é o inferno" - era muito divertido tudo aquilo, pegar as pedras do chão, com o consentimento de um adulto, e correr, ouvindo as ameaças da Dona Candoca. Minha primeira guerra religiosa.
A primeira mordida na Fatia de Tempo 4. Com direito a recheio de doce, pois minha tia e madrinha era espírita, às noites de segunda, quarta e sexta eu ia com ela ao Centro Espírita Fé, Amor e Caridade, onde eu assistia às reuniões e aos passes, e ajudava na mesa dos trabalhos com flores e água, aventais muito brancos, pessoas que saiam sorrindo. Minha guerra religiosa era pura diversão: católicos, caboclos, espíritas.
Segunda mordida: Já adolescente, católica praticante de missa domingo - onde na Catedral se encontravam os guris mais lindos da cidade e desfilava-se a moda da época - minhas amigas estudavam na Escola Nossa Senhora do Horto. Eu estudava no Colégio União, escola protestante, Metodista. E sempre ouvia das minhas colegas católicas, o que as freiras diziam: "Nos porões do Colégio União está cheio de diabos. Por isso quem estuda no União entra burro e sai ladrão". Não me lembro da resposta dos filhos dos diabos, na nossa idade era tudo festa, mas sempre tinha alguém que se ofendia e muitas vezes deu briga de tapas sem beijos. O único diabo que eu vi foi o chefe da disciplina, que nos deixava de castigo. Católicos e Protestantes.
Pelos quinze, a gente era comunista. O bonito da idade era não ter religião. Estudávamos que o homem vem do macaco. Deus era invenção.Jesus era marketing. Paz e amor.Anos Dourados. Apenas mordidas de prazer.
Guerra Santa. Parecia tão longe. Minha amiga judia, a Sofia, contava os horrores da guerra. Os pais proibiam a amizade com quem não fosse da religião. Comecei a entender. O meu Jesus não era o dela. Começou a ficar sério. Religião separa.
Terroristas. September Eleven. O mundo assustado. Religião mata.Difícil de engolir essa fatia.
Parecia tão longe, eles lá nos EUA, no Oriente Médio, na Europa, na Índia, na Sérvia, nós no Brasil, aqui é tudo tão bom, carnaval e futebol...
Fui a uma reunião de carismáticos,lá na praia, eu já nos meus 50 e muitos tons de existência, e ouvi, juro que ouvi:"Vamos até o mar e apedrejar aquela estátua da Iemanjá, aquilo é uma ofensa à nossa igreja, coisa de Satanás".
Gente culta(?), estudada, colegas de escola, apedrejar Iemanjá?Minha Santinha? Fiquei mole, quase desmaiei, um senhor dizia: "Ela está tomada pelo Espírito!".
Nada. Eu estava engasgada com aquela fatia azeda, dura, a irracionalidade tomando conta das pessoas, que tempo aquele...
Explodem trens, cafés, degolam frente a camêras de TV e na internet postam todo tipo de intolerância religiosa. Pessoas tomadas de sentimentos vingativos, tudo em nome de um deus que lhes convém.
Corrupção, violência, inflação, isso pode ser resolvido por uma política séria. Mas quando se mexe com crença e fé... É uma guerra movida pela paixão, não há argumentos convincentes. Religião é emoção. Mais: Religião é Paixão.
Voltamos a ser irracionais. Ou continuamos...
Se não fosse bom, ninguém tinha.
Querem comer uma fatia do tempo, hoje? Eu não quero mais.
segunda-feira, 25 de maio de 2015
DOCE RALADO, MAMÃO ROUBADO
Pensei que era só a Mirinha pra me deixar de cabelos em pé...Mas não!
Essa eu preciso contar:
Minha amiga Carmencita tem a mania de sair toda manhã a caminhar no Água Verde. Se enfeita toda, de calça leg digital (aquela cuja estampa fica em 3D quando a gente caminha), camiseta top, tênis Nike último lançamento, e o cabelo vermelho amassado com gel, parece molhado. Nem quer chamar a atenção, diz ela. Uma gatíssima, olhos verdes imensos, o pessoal que trabalha no edifício em construção se rebenta no fiu-fiu.
Pois a Cacá (para os íntimos) resolveu sair da rota de sempre e dobrou antes da igreja. Um muro comprido,não muito alto, e ali em cima, no topo do mamoeiro, MAMÕES imensos (só podia ser mamão, dã...não ia dar melancia em mamoeiro, esta história está ficando complicada).
Então...a Cacá parou, olhou prum lado, olhou pro outro, olhou pra cima - Deus podia estar lá, cuidando - ninguém à vista e TCHAN! se espichou quanto pode e puxou um mamão, verde e imenso, largou no chão e...arrancou outro mamão. Com um mamão em cada mão, saiu a toda, com medo que alguém aparecesse e pegasse a ladra de mamão...Dobrou a esquina a mil, tropeçou, os mamões rolaram, vem um guarda:- Senhora, deixe que ajudo - e o guarda juntou os mamões - Se a senhora mora perto, eu vou cuidando seus mamões.
Cacá estava vermelha, roxa, não conseguia falar.
- Senhora, ali tem uma PanVel, pegamos uma sacolinha, pode ser? Assim, não tem problema de estragar seus mamões...
Eu tinha parado na PanVel pra comprar Olina pra Mirinha que estava mal. Quando vi, entravam o guarda fardado, dois mamões imensos na mão e a Cacá, com cara de pânico, me deu uma coisa.
- Você consegue uma sacola para esta senhora? - disse o guarda para a moça da PanVel - ela precisa carregar estes mamões.
A moça da PanVel sorriu. Pedido atendido, Cacá olhando abestada, eu sem entender nada, o guarda saiu.
- Moça, obrigada pela sacola. Eu vou fazer um doce e trago um pouco pra você, tá bom? - Cacá olhava agradecida pra moça PanVel.
- Vão'bora, Bella. Rápido.
Cacá me arrastou até a casa dela, ali ao lado da farmácia.Eu bem idiota, sem entender.
- Roubei esses mamões - contou-me a Cacá, agora bem refestelada no sofá da sala.
- Quêêêê? Aquele guarda te pegou?
- Eu até queria que ele me pegasse, um gatão aquele guarda...
Foi então que eu soube do acontecido.
Ladra de mamão. Eu arranjo cada amiga...
Coisa mais querida, a Cacá. Fez um doce de mamão verde ralado de lamber os beiços. Os filhos, noras e netos nem sabem que é Doce Ralado de Mamão Roubado.
(A moça da PanVel ganhou o prometido.E a Cacá jura que vai repetir a façanha, quem sabe o guarda aparece de novo...)
DOMINGO SEM PROGRAMA
Fim de Semana calmo demais. Com a volta da Mirinha, meus dias tiveram 32 horas, saí da zona de conforto, "Vamos pra rua, Bella, temos que explorar o Outono" - nunca fiz tanta coisa numa semana, cinema, universidade, barzinhos, churrascadas, até yoga no Barigui.
Domingo.
Filhos - os meus e os da Mirinha - todos com programas, excludente para sexagenárias. Ainda bem.
Descansar...Até gosto, posso esquecer a cozinha - consequentemente, as compras no super também esquecidas, meu Visa agradece - levantar as pernas e comer porcaria na frente da TV,vendo bobagens.
Só um detalhe: Mirinha tá na área. Esqueci.
E quem aparece, quase duas da tarde, cheia de sacolas do Festval?
- GOSTOSURAS OU TRAVESSURAS!
Ela. Que disposição, credo! Depois de ontem, churrasco com amigos e muito bebs, achei que a amiga estaria em coma...NADA! Nem três da tarde e já estava o apê cheio de gente, a Terê choramingando que brigou com o namorado virtual, deletou do Face, vai direto pra caipirinha; Jorjão inventando que é aniversário (é, mas em fevereiro) pra turma cantar parabéns, a mulher dele confirma tudo, isso que é amor; Lili continua procurando um homem pra sair com ela e comer...até o Carlinhos que nem homem é se oferecendo, Lili é poderosa...
Violão a postos, TV esquecida, música sem preconceito, cantamos de tudo desde Ronda...até a Marvada Pinga.
Não era muita gente, o apê é pequeno, nem cabe, dez da noite e o zelador interfona: "Dona Bella, os vizinhos estão reclamando do barulho".- PQP, seu Roberto, ainda não são dez. Às dez a gente vai embora, o senhor não estava com saudades desta gostosinha, aqui? - a Mirinha manda até no meu zelador, e ele fica bem quietinho, sabe que vai presentinho...
Como tudo que é bom um dia acaba, acabou o domingo. Quem tem amigos não descansa domingo.
Surpreendente.
Sem programar parece que tudo fica mais fácil.
quinta-feira, 14 de maio de 2015
As Filipinas da Mirinha
Quarta-feira. Noite. Todo mundo amontoado na sala da Mirinha. Latinha e copos e gelo e salgadinhos espalhados em cima e em baixo das mesas. Netos discutindo porque a internet está lenta.
- Vou apresentar pra vocês algumas fotos que selecionei para mostrar como é o PARAÍSO! - Mirinha anunciou como se fosse apresentação do Globo Repórter e ela fosse sei lá, a Glória Maria ou o Cid Moreira.
- Essa televisão tem entrada pra IPad? perguntei. A TV da Mirinha é velha, ela não se liga em coisas-que-prendem-a-gente-em-casa.
Os netos correram, cada um quer saber mais que o outro. Sorte nossa, a TV não é TÃO TÃO velha!
- As Filipinas são um monte de ilhas que ficam perto da China, da Malasya, da Indonésia e da Austrália.
- Ah, é? Vovó, isso é aula de Geografia? Queremos ver as TUAS fotos. A neta mais velha preocupada com as horas, com o Instagram a mil...
- Estou usando toda a didática pra explicar de uma forma fácil pra vocês...
- Tá, mãe - o filho queria resumir a coisa toda. Passa.
- Então, eu fiquei em Manila, a capital, na Ilha de Luzão. A Família de Ramón...
- Quem é Ramón? - A tia,meio surda, que é vizinha, estava atracada num pernil de porco que não podia comer à noite e aproveitou que todos estavam entretidos...
- Alguém tira o porco da Tia Leleca, Tia, Ramón é o meu amigo do Chile, Mirinha continuou.
- Mas não estamos nas Filipinas? -com a boca cheia de porco, falou a tia, que é surda, mas não é burra.
- Conheci no Chile, Ramón é argentino, mora há anos em Manila e levou toda a família pra lá. Eu fiquei na casa deles, no dia em que cheguei fizeram uma festa dez vezes maior que essa festinha de domingo, de Dia das Mães, que vocês fizeram pra mim...
- Eu falei que ela ia achar defeito - a nora querida precisava espichar a conversa?
- Continuando - Mirinha falava como se só ela existisse - roupa de festa é um chiquê só, esta foto copiei do Google:
- Mãe, por que do Google? Mostra da família do Ramón. O filho já estava nervoso.
- Quem é Ramón?- a tia, de novo.
- Eu sei que é sarongue com rafia e soutien bordado com flores na cabeça - a outra nora sempre se fantasia de havaiana, acho que confundiu Manila com Malibu...
Resolvi intervir:
- Gente, se continuarem interrompendo, a Mirinha não fala mais...Eu sabia que isso não ia dar certo...
- Então, seguindo: Quem é rico mora perto da praia.Em casas assim:
- Tem muito pobre lá. Eles moram nos barrios.Os restaurantes dos barrios são os mais turísticos, servem muita carne de búfalo anão e peixes e frutas exóticas. A cerveja deles chama-se São Miguel, pois eles são católicos fervorosos. Ainda bem, pois todo mundo bebe e fuma. Milhões de igrejas católicas, os padres mandavam em tudo. Na Segunda Guerra, os americanos e japoneses destruíram tudo, mas os filipinos conseguiram ter o país de volta.
- Vocês não sabem porque Filipinas é Filipinas? Eu sei! Foi homenagem ao Rei Felipe II, espanhol. Garanto que ninguém sabia...
Mirinha fez uma pausa, os netinhos em coro fizeram "'OÓÓÓÓ".
- Manila é imensa, talvez do tamanho de São Paulo, gostei muito. As pessoas se reúnem para ver o pôr do sol, a gente nunca sabe quando será o último.
- Mamãezinha - o filho já estava abrindo a boca - eles olham porque é lindo, não por ser o último!
Mirinha ignorou o comentário.
- Então, essa foi minha aventura.Quando vim embora, todo mundo ficou chorando. São 17 pessoas que deixei morrendo de saudades desta gostosona aqui. Se vocês me incomodarem muito, juro que volto pra lá.
( E eu juro que ouvi "volta,volta"bem baixinho...ainda bem que a Mirinha não ouviu).
Mirinha desligou a TV, bateu palmas e anunciou:
- Agora chega, vamos comer que ninguém é de ferro.E fotos são um saco, quem quiser saber mais, abre a enciclopédia. Ou a Wikipédia. A vovó aqui está com a garganta seca!
Foram palmas, assovios, novo ataque aos chocolates do Dia das Mães.E minha amiga toda orgulhosa pela apresentação. Diferente? Sim, mas CHATA, não!
Essa é a Mirinha. 4 meses em um país cheio de mistérios e histórias. Nunca vi uma pessoa reduzir sua viagem de 4 meses em 6 fotos - quase todas retiradas do Google. As fotos dela, do lugar paradisíaco, da casa onde ficou, da família do Ramón, fotos do Ramón, estão jogadas por aí, na máquina e no celular. "Üm saco ficar vendo fotos", diz a doida.
Eu estava LOUCA DE SAUDADES da Mirinha!
quarta-feira, 13 de maio de 2015
MIRINHA VOLTOU!
Pra quem não conhece a Mirinha, desde 2011 eu conto as histórias dessa minha amiga, aposentada, vó, sexyssagenária, viúva, como eu, porém, mucho loca,
vive aprontando. Desde dezembro estava nas Filipinas. E nem ia pra lá, ia pra Australia. Foi comigo até o Chile, encontrou um filipino (que não é filipino, é argentino, ninguém merece), me deu um tchau em Sydney e se mandaram. Como explicar para os filhos da Mirinha que ela foi pras Filipinas com um estranho? Eles já são chatos como todos os filhos quarentões com esposas possessivas e filhos viciados em IPad, IPod, IPhone, computadores, celulares, essas coisas - mas isso não vem - ou vem - ao caso...São capazes de me culpar pela Mirinha ter se perdido.
Mas eles aceitaram o fato (ver dia 08/03/2015), as noras da Mirinha ficaram felizes,longe da sogra. Tudo ficou assim, desde que ela - a Mirinha - não gastasse toda a aposentadoria com o fulano, nem vendesse nada de propriedade da herança deles... Com essa coisa de Skype, uma vez por semana se falavam pela internet, eu cuidava das despesas e do apartamento da amiga, eles só se preocupavam em usar a Net e a Sky do apê, e conferir se eu não estava roubando da amiga. Credo! Eu sou bem maligna, nem tanto assim. Mas bem que eles estavam folgando...
Então, sábado, bem nas vésperas de Dia das Mães, quem apareceu de surpresa? ELA! Uma viagem de atravessar o mundo, chegou assim, totalmente desfusada, mais do que já é, a pele marrom de tanto sol, magérrima, vegana, cheia de furos nas orelhas, cheia de colares, pulseiras até nos tornozelos (então não é pulseira, é tornozeleira).E louca de sede...continua bebendo até água benta.Água nas Filipinas só de garrafa e é capaz de ser mais cara que ceva... E fumando, como sempre.Tudo. Bem que podia ter deixado esses vícios,agora está pior...
Foi o Dia das Mães mais movimentado de todos os tempos!
Os filhos da Mirinha fizeram A festa, conseguiram um salão de um amigo que tem uma revenda de carros ( restaurante nessa data é impraticável, lotados sempre). Churrasco, bebidas, doces...flores,Avons, Naturas, Boticários, Cacau Show, Brasil Cacau,Cacau em casa... bijus, tudo que se dá pra mãe no Dia das Mães.Ninguém tem coragem de dar chinelos ou chambres ou casaquinho pra Mirinha, ela joga na cara, "Não sou velha", ela diz. Pode até ser wísque e vinho que ela adora! (E mandou ver na picanha...esqueceu que tinha se tornado vegetariana, vegana, essas coisas...)
Quatro da tarde desabou, não aguentou a diferença do fuso...aqui, meio dia, lá, meia noite.Dormiu até meio-dia de segunda.
Por enquanto, tudo é festa. Só quero ver quando Mirinha acordar. Terça-feira. Estou me preparando. Diz que vai fazer uma apresentação pra nós sobre "Filipinas na visão da Mirinha".Os filhos - e flias - já querem saber QUANDO ela vai pra lá de novo. Vem coisa por ai...
quinta-feira, 30 de abril de 2015
PROFESSORES? PORRADA NELES!
DIA DO TRABALHO: PROFESSORES?
PORRADA, NELES!
Enquanto os
professores estavam sendo massacrados, os deputados faziam seu trabalho,
insensíveis às bombas e tiros...
Na praça dos TRÊS
PODERES. O poder que emana do povo. Democracia.
Como explicar
DEMOCRACIA aos alunos? Povo que mata povo?
"A gente vota neles e eles deixam que nos
matem".
É mais ou menos isso...Terno, gravata,
cafezinho, água, poltronas bem fofinhas, os deputados, nossos representantes
legais, bem protegidos, e o povo se matando lá fora.
Lá fora, os policiais, funcionários públicos como nós, professores,
todos na praça - que é o lugar do povo. E o povo - se matando. Exercendo a
democracia, que é lutar pelos direitos.
E eles, os
deputados, continuavam a votar, entre paredes, a salvo do povo. “Que se
explodam, nós precisamos votar.”
Um voto vale uma
vida?
Quem votou contra
ou a favor, tanto faz.
É a volta do rei,
que fica na festa enquanto o povo luta nas ruas.
O deputado
continuou votando, e o povo se matando.
Democracia. Não foi isso que aprendi.
Nada a comemorar
no DIA DO TRABALHO.
sexta-feira, 27 de março de 2015
ANIVERSÁRIO DE CURITIBA
Fui chegando bem avisada que o povo não gosta de estranhos. Então, fui me apresentando, devagarinho, assim como minha gente de campanha, bom dia, boa tarde,tô chegando agora, faz pouco que estou aqui, sou gaúcha.De Uruguaiana. Onde fica? Sou do início do Brasil, meio castelhana, meio litorânea, da fronteira e da praia...do sul do sul do Brasil. E as pessoas me recebendo, receptivas, curiosas, sem restrições e sem muitas perguntas. Assim, simplesmente. Amigas.Enturmei. Gostei. Fiquei.
A experiência se transformou em permanência.
Curitiba é assim. Se falar, responde. Se abraçar, abraça.Se cantar, canta. Se tem sol, chove, se chove tem sol.Quente e fria. Verde. Espalhada.Arte.Comida.Gente.Muita. Dá vontade de ficar.
Até um poema, num domingo longe, de chuva.
de BELLABEREG
Estou amando
dormente
esta cidade quente
que chove e esfria e
amortece
ensolareia, esbranqueia, escureia
Cidadezinha marota
é pra brincar verdejante
no carro do piá
e no salto da bota da garota
Gosto de tudo
nem que seja
uma canção sertaneja
Bellabereg
-Curitiba, Paraná – Brasil. 2012.
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