MINHA VIDA É UM PALCO

MINHA VIDA É UM PALCO
Somos como atores neste palco que é o mundo, as cenas são os dias e noites, e o roteiro quem escreve é a VIDA!A vida depois dos 60. É começar novo, novos horizontes, um mundo diferente e muito mais LEVE! A gente está sempre começando, sempre aprendendo...E aos 60 anos, a gente nasce de novo! A minha Infância da Maturidade! COMO SERÁ NOS 70?Na minha ADOLESCÊNCIA da Maturidade...CHEGUEI! Cheguei chegando imaginando a vida toda...70 ANOS! BÓRA LÁ QUE A VIDA TÁ PASSANDO!!!E até uma PANDEMIA!Nunca pensei ...De repente, ficar presa em casa, sozinha. Se sair, o CORONA VÍRUS pega. Horrível todo mundo sem se tocar.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

UMA FATIA DO TEMPO 2 - NO CASSINO












Um Tempo no Cassino/RS ( ali, em Rio Grande,Rio Grande do Sul, mais perto do Uruguai que do Brasil, Atlântico Sul, quase a maior praia do mundo).

             "Por essa, eu não esperava". 
            A gente vive dizendo isso.
            Eu falava aos meus alunos, década de 90,no Cassino:
            - Nada é definitivo, vocês acham que tudo pode acontecer? Pois é, pode.
            E eu continuava:
                 - De repente, um avião entra pela janela e, babaus, explode tudo. 
       Uma baleia cai em cima de nosso barco. 
       Um cometa se choca com a terra e todos vamos desaparecer. 
       Um tsunami vai varrer desde as dunas até o Wanda Rocha e a Banda Marcial Silva Gama será campeã. 
       A  Copa do Mundo será no Brasil e vamos perder para os Argentinos. E eu nunca vou me aposentar, pois eu AMO trabalhar na escola.
              Eles me ollhavam meio aterrorizados. A não ser a Banda campeã, tudo era absurdamente inimaginável.
         -Qui'sperança,profe, viajando de novo…Essa profe tem cada uma…
         Era brincadeira;coisas da Literatura.
         Nem eu acreditava. 
         Era apenas para sacudir a imaginação, tornar mais simpática, quem sabe, uma aula muito chata.
                 O Tempo passou de repente, nas patas do meu coração…
                   Por essas…
                 Nem eu esperava. E foi bem assim:
      Um avião entrou pela janela, muitas janelas, nas Torres Gêmeas nos States e babaus, uma tragédia, acabou com muita gente. 
      Uma baleia caiu em cima de um veleiro na Oceania e deu um susto nos Pescadores, um baita susto! 
      Um cometa por pouco não nos explodiu, mandou um meteorito que abriu um buraco acho que na Rússia ou em Santiago do Boqueirão. 
     O tsunami no Brasil foi apenas uma marolinha e a Banda Silva Gama não foi campeã. 
     A Copa foi no Brasil, que  perdeu foi pra Alemanha (Graças a Deus que não foi para a Argentina).  
      E eu me aposentei (sorte pra eles) e nunca mais entrei numa sala de aula, passo longe da escola!Ou melhor: longe dos horários, eu adorava alunos e colegas e pais e movimento, porém quando se aprende a viver sem relógio, a vida é só Liberdade!
     Ou seja: Não dá pra imaginar que se torna realidade.

      Cuidado!A lei da atração é muito forte!
     
          Por isso, vamos imaginar e ter muita ESPERANÇA. Mas que sejam esperanças de COISAS BOAS. 
          Se o Universo conspira sempre a nosso favor, vou pensar positivo,vai que aconteça.

          (Tipo assim: Pessoas felizes como no FACE. Educação como prioridade. Respeito pelo próximo, mesmo que seja no FACE. Segurança, saúde, educação como nas promessas dos políticos. As surpresas são, sempre, inesperadas.)

        Pois tudo que a gente fala PODE ACONTECER!


     BELLABEREG – Byron Bay – Aus – 15/01/2015 

sábado, 10 de janeiro de 2015

UMA FATIA DO TEMPO - 1


E por falar em Esperança…
UMA FATIA DO TEMPO – 1
PRIVILÉGIO
Não sei se foi sonho ou visão, supondo que eu ainda estava acordada.Pode que eu tenha entrado numa outra dimensão. Um espaço quântico.
Era um seminário com uma mulher que falava sobre “O Sentido da Existência”. Estávamos agora em um grande grupo, todos sentados em círculo,ao meu lado a Janete, colega supervisora da Escola do Cassino, uma pessoa super iluminada. Eu chegara atrasada, estava bem estressada com algumas discrepâncias na minha rotina, e, sem querer, chamei a atenção de todos ao procurar um lugar, a única cadeira vazia bem na frente. Sabe quando todo mundo se vira para olhar a inconveniente? Bem assim. Não sou tímida, mas não estava a fim de dar satisfação, sentia minha aura pesada, cheia de segredos e dúvidas.Foi tiro e queda: a primeira pergunta foi logo pra mim.A palestrante, médium, vidente, sei lá, olhou ao redor, fixou em mim seus olhos energéticos faiscantes, acho que verdes como os de gato: 
“Pra você, o que é a vida?”
Entrei em transe. Nunca esperei de chegada ter que responder talvez à maior questão da humanidade: a Vida. Levada pela indagação de mil olhos na minha pessoa,ainda sem entrar na esfera transcendental do grupo,abri a boca e as palavras saíram num tsunami:
-      A Vida é uma fatia de tempo. A Vida é um privilégio que temos neste momento de eternidade. E para nós, humanos, a eternidade é finita.
Foi um silêncio que eu pude ouvir. Meio duvidoso.Ninguém se mexeu.Eu fiquei ali, como um meteorito recém desabado em meio à multidão.
Um homem branquela com uma mancha vermelha na careca, com cara de Buda, me perguntou:
-      Por que você diz que a vida é PRIVILÉGIO?
Pensei durante um segundo muito comprido. Sabia a resposta. Transformar a ideia em palavras, às vezes ou sempre, não é fácil.
-      Por quê? Porque eu estou aqui. Quantas pessoas lutaram,quantas não conseguiram entrar neste instante, algumas fugiram,outras chegaram…Eu estou aqui, o momento é meu, é seu…E se não viver toda a ansiedade, toda a emoção, se não aproveitar, curtir, compartilhar, o momento passa e eu vou me arrepender de não o ter vivido, bem vivido.
Acho que meu discurso foi assim. Como a gente só acha o que perdeu, vou registrar tudinho para não deixar no vácuo o meu PRIVILÉGIO. A minha Fatia do Tempo. Que eu quase perdi.

                                    Bellabereg -  Byron Bay – Aus – 10/01/2015

domingo, 28 de dezembro de 2014

365 ESPERANÇAS



Em 2014, desejei a vocês 365 surpresas. Boas. Não sei até quantas aconteceram neste ano, com certeza muito mais.
2015. Está aí, espiando atrás da porta, esperando o relógio apontar para o 12. Dependendo do SOL,o Senhor da nossa Galáxia, que manda no nosso relógio, para alguns povos  o Ano Novo vai  chegar ou mais cedo, ou mais tarde, ou nem chegar. 
O Mundo está todo dividido por fronteiras, religiões, riquezas, poderes, fomes. Mas quem manda mesmo é o SOL, que nos faz girar, gira homem,gira ponteiro, gira pião, gira Planeta, pomba gira, gira roleta, gira borboleta, girassol.
E nós ficamos assim, dependentes, se dia ou noite, quem manda é o SOL. Quando ele apagar ou explodir, vamos tudo junto. Todos iguais. Sem noite, sem dia, sem ano velho ou novo. Que adiantou tanta arrogância, tanta miséria? Tudo azul de norte a sul,não tenho rima para de leste a oeste.
Então, vamos imaginar que valemos alguma coisa, esquecer que somos totalmente, infinitamente finitos.  Artistas num palco que é a Vida. Dançando  a música do Tempo. Marionetes.
Até o Tempo nos divide: Histórias temos; Infância, Juventude, Velhice. Idade.Uma divisão de vida por anos. Coisa engraçada. Tudo por causa do Sol.365 dias. Muito engraçado. Tudo seguindo um pêndulo que pode parar, ainda bem que não parou. Por isso, é dançar e cantar e rir e chorar e buscar Felicidade. E encontrar. Vai-vem-vai-vem-vai-vem, bem assim.
 Agora, no VAI, precisamos de  Esperanças.365.  365 que está no VEM.
O problema é que ESPERANÇA tem uma necessidade ou desejo ou plano. Precisamos conhecer,querer, planejar,imaginar a COISA. Só podemos esperar por uma COISA que já conhecemos. Ou que imaginamos.Então, desejamos.
Quem espera sempre alcança.
Nem sempre. E nem sempre é AQUILO. Pode ser melhor. Ou não. Ou totalmente outra COISA. Até o impossível.
Mas só quem se move pode encontrar. Quem fica parado, lamento,vai ficar em 2014. Para alcançar, TEM que ir…Vamos?
Vamos para 2015. Está logo ali.Cheinho de COISAS BOAS.
 E nós, cheinhos de 365 ESPERANÇAS!É só fazer a lista.

Número 1: FELICIDADE!
Número 2: ?
..........até 365!!!

2015 : Tomara que o Sol nos receba todos os 365 dias nesse ano bem novinho!

Dez/2014 -  Bellabereg – Byron Bay – NSW -Austrália

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

MIRINHA É MÁ


Fiquei traumatizada.
 Depois de quase um ano de espera, falta pouco mais de um mês de preparação para nossa GRANDE viagem para a Austrália(que eu ia sozinha, mas a Mirinha me encheu o saco pra ir junto), hoje, realmente, descobri TUDO. 
Por que Mirinha quer ir a uma viagem de idosos?E tão, tão distante? Parece até o burro do Shrek.
Não vai ter badalações, a gente dorme cedo, acorda cedo, vê museus e come canja...muito doce, ela, a Mirinha, gosta de barzinhos e fuma uns baseados e fica até de madrugada no Bar do Tatu.
Mas ela aguentou tudo! Fazer visto, deixar as malas com 23 kg,um sacrifício,  sentar comigo à frente do computador para conseguir um seguro de saúde mais barato e que cubra muito bem nossos 60 e alguns anos, ela não permite contar a idade, e brigar muito mais com os filhos e noras que não gostariam de ficar final de ano sem a maluca, os filhos da Mirinha têm medo que ela se vá e não volte nunca mais, a Austrália é um paraíso que Mirinha descobriu há tempos...Ela faz tudo o que quer por lá, liberdade total, ninguém pra controlar, dia ou noite é tudo igual...
Amigas...Depois de muitas despedidas, todas alcoólicas, faz bem pouquinho que ela me contou.
- Bella, seguinte,  sabes por que eu brigo tanto com meus filhos?
- Mirinha, minha amiga, sempre brigas com todo mundo. Portanto, eu te conheço há mais de 50 anos, sei bem que és uma pessoa difícil.
- Difícil uma bosta! Vocês não me entendem! Ficam regulando, não come isso, não bebe aquilo...
Fiquei calada, só olhando, e esperando. Não vou contrariar a maluca, de repente, resolve não viajar mais e eu que me f...
SURPRESA! Mirinha chorou. Muito. Assim, quando a gente chora e chora e nada...
Até que veio:
- Amiga, é o seguinte, eu sofri demais quando minha mãe morreu. Por isso eu brigo com a família, se eu morrer nessa viagem, ninguém vai sentir minha falta, vão até ficar aliviados...CAPICE?
                                                                  .............................
É, nesse ponto, ela tem razão. Mas é um pensamento mórbido. Acho que nem vou mais viajar com Mirinha.Que ideia. Vocês que aguentem...

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

QUEM DEVE MORRER





A Mirinha está completamente doida. Resolveu escrever uma lista de quem deve morrer. Eu, é claro, devo ser a primeira. E quem deve viver? Perguntei a ela. Me respondeu assim, na lata,e eu até concordei. Continuar aqui,  Tom Jobim, Ellis, Chico Buarque, Roberto, Erasmo, Renato Russo, Steve Jobs, Amy, Álvares de Azevedo, Castro Alves, Leonardo da Vinci, Darwin e Drummond e Getúlio. Não precisa mais ninguém. Eu perguntei, nem teu pai nem tua mãe? Ela disse que o mundo está cheio de gente que cuida dos filhos, ganha dinheiro, família, é legal, amado, querido, trabalha  e faz fortuna, e que o que falta agora é amor, iniciativa, inspiração  e paz.Hoje vou dormir pensando que essa amiga tem razão. As Águas de Março,Luisa, Como Nossos Pais, Tempos Perdidos, Eu Sei Que Vou Te Amar, Apple,Navio Negreiro...Vou ficar sentada à beira do caminho, esperando...Leis trabalhistas, a pedra na beira do caminho, a evolução, a bicicleta e o helicóptero, a abolição, quando eu morrer fui poeta e sonhou e amou na vida, back to black, aplle, é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, eu sei que vou te amar, somos iguais aos nossos pais, garota de ipanema, tudo com letra minúscula, de trás pra diante, e o mundo tudo continua, é pra frente que se anda, amanhã tem tudo de novo, o SOL sempre dá um espetáculo, nem precisa pagar ingresso, se tem platéia ou não. Mirinha sempre tem razão.Estarei lá pra ver.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

DE DIA FALTA ÁGUA, DE NOITE FALTA LUZ






Abri a janela da rua, movimento de carros e gentes, vou ficar aqui, o que fazem quando falta luz? Sem telefone, sem TV, sem internet. Sem crédito no celular. Que sorte que meu Ipod ainda tem carga, as musiquinhas que ouço na academia ao ar livre, já é um barulho. 
Peguei salgadinhos, cervejinha ainda gelada. Sentei bem em frente à janela, ver o movimento inesperado.  Uma festa pra mim, com a chama fraquinha de uma vela de sete dias. 
Interessante como a luz dos carros cortam o escuro. E como as pessoas apressam o passo, as janelas se fecham, a vida como se estivesse acabando lentamente, o silêncio chegando. Um ruído de um helicóptero que sempre faz a ronda dos céus. Tudo escuro lá fora. Nem a lua.


E foi aí que eu vi! Meninos, eu vi! 
Passou um. Me olhando. Até parou um pouquinho na minha frente, fiquei paralisada, a coisa seguia e parava, estaria filmando?  Depois veio outro. Quase me enfiei embaixo da cama. Ensaiei um brinde com a latinha. Um ser vivo, silencioso, cheio de asinhas. Me olhando. Parava e seguia, de repente, seguia pra cima, pra baixo, para outras janelas. 
Serão russos? Serão americanos? Serão da Petrobrás?  
Quem fica nos espionando assim, na escuridão da noite? 
Fechei os vidros com medo que os bichinhos resolvessem entrar e participar de minha festa-no-escuro. 

         
      Noite de terça. Cheguei da aula na Universidade Federal do Paraná sabendo tudo de saúde mental, remédios, qualidade de vida, e da vida de meus colegas. Pronta para colocar os chinelos e ver bobagens na TV, afinal, já tinha informação para encher um cérebro mediano. Mas...SURPRESA! Sem luz. Todo bairro.Ou seria toda a cidade?Quem sabe, a luz do mundo acabou!
      


   Drones. Uma nova palavra no dicionário. DRONE. Espião, isso sim!



Ontem vi uma reportagem de imagens comuns de pessoas comuns divulgadas na mídia, sem consentimento dos filmados. Coisa dos russos. 
Acho que os russos estão chegando. 
Será? 
Ou serão os argentinos?


terça-feira, 4 de novembro de 2014

GAIOLA DE OURO X GAIOLA DE LATA





       E milhares sairam às ruas para pedir a volta da ditadura. 
       Como são felizes, por poderem expressar suas ideias. 
       Como é bom ter liberdade para lutar pelo que acreditam. 
 Isso me trouxe muitas recordações. E como é bom eu poder escrever e publicar essas lembranças.
            Aula de Cultura Brasileira, professora Darcila, 1973, UFSM, Comunicação Social, Jornalismo. Uma turma grande, um ideal à frente, lembro bem da pergunta que fiz:
- Professora, será que o Brasil algum dia vai ter de novo  Democracia?
           Não lembro bem o que ela respondeu. Lembro, sim, que em meia hora entraram uns milicos com metralhadoras, nos colocaram num camburão, nas salas do quartel nos ficharam, dedos sujos, impressões digitais, a volta pra universidade, dispersos, "ninguém pode andar em grupo", nos avisaram, "na próxima, vocês não voltam".Foi a segunda vez que fiquei sabendo na pele o que é ditadura. 
          Na primeira, ainda em Uruguaiana, um nosso grande amigo, ENTÃO militar, entrou na casa de meus pais como se não nos conhecesse, com uns vinte soldados, pegaram os livros de meu pai sobre política, tinha desde Gandhi a Lenine, de Stalin a Perón, era uma Enciclopédia, mais os MEUS  romances de Jorge Amado, entre eles, o livro-bandido: Os Subterrâneos da Liberdade, jogaram tudo na rua e tocaram fogo.
          Aprendi como os livros são perigosos e poderosos.
          Vi pessoas boas trabalhando e progredindo, um país crescendo e prosperando; vi pessoas boas perseguidas e desaparecidas, um país com   medo e se escondendo...
          
          Hoje eu me emociono quando nossos jovens e adultos e crianças e velhos e militares e civis podem se expressar. Qualquer que seja o partido. Qual seja a luta, de que bandeira.Nada vale a prisão do físico e das ideias. Tanto faz se a gaiola é de ouro ou de lata. Gaiola=Prisão.

                   
                            Liberdade. Como viver sem ela? 
                                 Eu não mais saberia...