MINHA VIDA É UM PALCO

MINHA VIDA É UM PALCO
Somos como atores neste palco que é o mundo, as cenas são os dias e noites, e o roteiro quem escreve é a VIDA!A vida depois dos 60. É começar novo, novos horizontes, um mundo diferente e muito mais LEVE! A gente está sempre começando, sempre aprendendo...E aos 60 anos, a gente nasce de novo! A minha Infância da Maturidade! COMO SERÁ NOS 70?Na minha ADOLESCÊNCIA da Maturidade...CHEGUEI! Cheguei chegando imaginando a vida toda...70 ANOS! BÓRA LÁ QUE A VIDA TÁ PASSANDO!!!E até uma PANDEMIA!Nunca pensei ...De repente, ficar presa em casa, sozinha. Se sair, o CORONA VÍRUS pega. Horrível todo mundo sem se tocar.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

EU SOU GORDA, E DAÍ?


Minhas maiores amigas sempre foram Mirinha e Bella. Inspiração para minhas crônicas, quem me segue, as conhece. Ou conhecia. 
Mirinha morreu há mais de ano. Tudo que pode ter de bom numa pessoa que amava a vida, linda, viúva, filhos netos e uma agitação total, viajava ,dançava, namorava,saúde fantástica, energia total, era super em tudo, e magra. MORREU.
Bella já é bem tranquila, acompanhava todas as loucuras da Mirinha, Bella era a companheira perfeita, tinha as qualidades boas da Mirinha,inclusive viúva, Bella é gorda. Engordou mais quando Mirinha morreu.
O interessante é como os adjetivos MAGRA e GORDA têm tanta importância numa descrição. Pois estou preocupada com a Bella. Anda na fase de "não tenho o que vestir", não quer pizza, não quer barzinho do Tatu, nem os doces, que eram sua alegria. Está entrando em depressão. Bella, olha só o que descobri: 
Sabe aquela escritora maravilhosa que andamos lendo? Aquela que levanta o astral de qualquer mulher? Que tua psicóloga mandou tu leres? POIS eu perguntei pro Google quem é ela:
Ela é uma sumidade no mundo, viagens, palestras, livros, homens, etc... É GORDA!!! E DAÍ? Nem em ônibus consegue entrar, não passa na roleta. Usa cadeira de rodas em todos os aeroportos e navios, não consegue caminhar. Qualquer dia vem ao Brasil e nós vamos onde ela estiver.Ela mesma diz que não importa o que os outros veem, sempre só verão o que querem,que somos poderosas sempre,que nosso corpo guarda todo um universo individual, único. Temos que amar nosso corpo, ele é nossa casa, única casa que vai onde eu estiver. É onde se nasce, vive e morre.
Por enquanto, estamos VIVAS, então, BÓRA LÁ!  
Christian Hopkins - Fotógrafa
Presta atenção, Bella: tens muitos caminhos pra ir com teu corpo: ou vais pra um sanatório e fazes uma lobotomia, ou para de comer e beber até virar Barbie, ou faz plástica e lipo, ou toma umas bolas pra emagrecer e depressão ou quem sabe morre do coração, também, receita pra emagrecer todo mundo tem.Tu estás dentro desse corpo. Tanto faz o que aparece. 
Puxa, Bella, tua saúde é de dar inveja, és uma pessoa instruída,família bem resolvida, carreira de sucesso, e está se escondendo de quem?Do que os outros estão pensando? Será que pensam?
 Como faz falta a Mirinha, nessa hora, ela tirava qualquer um de casa, uma vez fui parar no Uruguai, que ela queria comprar maconha, que lá é liberada.E nunca ficava com " o que os outros vão pensar?"
Tem tanta gente magra,tem tanta gente altona, ou baixinha, ou louca, ou orelhuda,ou feliz, ou infeliz, ou nariguda,ou feia, ou bonita,  E DAÍ? Vai mudar  o quê? O que eu sou, eu sou. Sou neurônios, fígado, pele, sentimentos, ideias, memória, roupas, minha vida é minha, vá viver a sua...Desde que não queira tomar o meu lugar, que se danem...
Diz assim:
EU SOU GORDA, e daí? O mundo mudou? Não? Então tá.

Em tempo: Bella, achei o diário da Mirinha...   

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

A chave, a porta, anjos e demônios


Sozinha comigo. No quarto. Fechada. Dona das minhas ações. Das ações? Não. Sou apenas dona dos meus pensamentos. As minhas ações dependem das algemas afetivas que me prendem às pessoas da rotina comum de seres comuns. Que não consigo ignorar.Fazem parte do meu Universo.  Mas.. quem não tem a  tão obrigatória rotina? Cama, mesa, banho, amores, contas, parentes, amigos,comida, bebida..Porém...neste momento eu tenho a chave e a porta.
A chave na minha mão.
A porta na minha frente.
E se eu abrir a porta?
E se eu não abrir a porta?
O que tem do outro lado? Outro quarto fechado?Encontrarei ossos? Um bicho, talvez? Uma aventura, um café, um trem, uma festa surpresa pra mim?
Só preciso colocar a chave e girar. Empurrar a porta. Descobrir. 
Meus anjos e demônios gritam:
- Coragem, vai!
- Cuidado, fica aqui que estás segura.
- Se fosse eu, não arriscaria. 
- Loucura, o que tiver que ser será...
- Isso é depressão. Toma um remedinho e dorme.
- Vai, enfrenta o mundo, te liberta!
- Não tem o que fazer? Te suicida, chega de drama.
- Que porta?  Não existe porta. 
- A chave está quebrada, acabou.
Anjos e demônios, sempre eles, e dúvida aumenta.
- Há tanta vida lá fora...
- Aqui dentro tem segurança.
A chave na mão. A porta fechada. 
Será que preciso abrir a porta?
       ...Dormir, sonhar, não mais...
Eu quero.Não quero. Eu devo.Eu não devo. Eu posso. Não posso.(!?!?)












( Estou lendo MULHERES QUE CORREM COM OS LOBOS, de Clarissa Pinkola Estés. Viagens pelos mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem. A vida é bem assim.Obrigada, mana.) 

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

JANELA DO MUNDO



Há alguns anos, cheguei à descoberta única e intransferível que a TV era a janela do mundo. A notícia ali, viva. Antes era o jornal. Antes era o rádio. Antes era a carta. Antes, antes, sempre tem um antes. Se tem antes é porque tem depois...Depois surgiu a Internet e a tela do computador com o que eu escolhia neste admirável mundo novo. Depois chegou o WhattsUp e o mundo está na minha mão. Virou rotina. Foi então...tchan tchan tchan tchan...sentada em frente a minha janela, doentinha, privada da minha liberdade de ir e vir, descobri que minha janela me apresenta um mundo que é só meu, únicamente meu, exclusivamente meu.
Tenho uma árvore que se chama Quaresmeira e devia florescer na quaresma, mas dá flor todo o ano. Não é muito bonita, mas é a 
minha Quaresmeira.Eu a 
olho da minha janela e ela me olha lá de baixo.

 Tem uma casinha de madeira estilo alemão ou polonês  que resiste bravamente aos prédios que brotam como monstros famintos por todo lado, a casinha se encolhe cada vez mais apavorada.




 Tem muitos ônibus da linha InterDois, grandes  médios e pequenos que passam e dão uma paradinha bem na frente da minha janela, numa lombada que obriga todo carro a me cumprimentar, ou se sacodem desesperadamente quando não enxergam a lombada. Tem uma igreja onde saem e entram pessoas quase todo o dia, acho que vão pedir pra Deus não sei o quê, pode ser gasolina, pois todo mundo chega de carros que ficam enchendo a rua. 
 E os carros vão e vêm, todo o tempo, parecem formigas buscando alimento, se respeitam, um para e todos param...preto, branco, prata, vermelho, por que não tem listrado ou com bolinhas?Como os carros se respeitam e se obedecem, parecem seres humanos educados, ora param, ora dão sinal de luz, às vezes um grito quando dá um nervoso, todos um atrás do outro, vai e vem, essa organização não tem religião nem partido, ricos e pobres todos bem organizados,ninguém fura a fila,  o único objetivo é seguir.
Bem na frente da minha janela tem um poste feio,emburrado, cheio de fios, e bem no alto, um morador que ficou sem árvore e invadiu o poste, o João-de-barro. 

O João-de-barro fez sua casinha pra encarcerar sua amada, mas acho que não tem amada, pois está sempre sozinho, faz mais de ano, a porta continua aberta de frente pra mim. Há pouco tempo, outro João-de-barro começou uma casa bem do lado, está na metade. Os dois será que são João e Joana e resolveram morar sozinhos, cada um na sua casa?
às vezes, ficam os dois, um de cada lado, e só um entra na casa. O outro, coitado, a casa nunca termina.Ficou sem teto.Por quê não moram juntos? Quem sabe, algum dia...Estou de olho!

Na esquina, vejo uma casa de comida japonesa muito bonita, mas não deve ter dado lucro, pois tiveram que repartir com uma hamburgueria, nada a ver sushi com hamburguer, colocaram um parquinho infantil, talvez coloquem cachorro-quente, churrasquinho, porco assado, churros, pizza, sei lá, quem sabe estão mal de faturamento...Tem a farmácia do alemão que aprendeu com o pai a receitar remédio e conhece todo mundo da vila. Pois eu moro na Vila Izabel. Sou vileira, fico na janela espiando o mundo. 
 E os cachorros...De todas as raças e tamanhos, e que levam os donos a passear, pra conversar com outras pessoas, coitados; esses cães são muito inteligentes, são os donos das calçadas. 
O mundo é muito interessante.

sábado, 25 de agosto de 2018

NARIZ ENTUPIDO



" QUANDO ACHAMOS AS RESPOSTAS PARA TODAS AS PERGUNTAS, VEM O DIABO E TROCA... AS PERGUNTAS."

Estava eu toda campante, me achando, me fazendo...Consegui sentar no chão como fazia aos 50 para brincar com os netos; fui ao barzinho à noite numa roda de samba,como aos 40; acertei minha Playlist no Spotfy, entrei nas séries do Netflix,que não tinha nos meus 20;  joguei bolão, bingo, mexe-mexe,recebi avaliação do curso e fiquei em recuperação só em duas, como nos 15; fui ao show do Chico e consegui ouvi-lo como aos 60, comprei até pintura verde pro cabelo.  Ou seja: nem parecia que estava quase nos 70.

O geriatra disse que eu tinha mais de 20 anos pela frente, podia fazer uma faculdade, namorar, casar, filhos já tenho, quem sabe até escrever um livro...Pensar em tudo que se faz em 20 anos, me senti uma candidata a miss...

Bora dormir, rezei no rosário do Papa Francisco, que embora seja argentino é um Papa Pop Universitário, agradeci por tantas bênçãos na minha vida. Revisei minhas eternas cíclicas e repetitivas dúvidas, imaginei minha agenda para amanhã, deitar a cabeça honestamente e dormir e quem diz que consegui respirar. Tudo interrompido por um nariz entupido. Até rimou. Simples, assim. 
Como pode a nossa vida tomar um rumo trágico por causa de um nariz entupido? Loratadina, Coristina, Sorine, álcool (álcool, mesmo),mel, hortelã, inalador, Ecossalva, até Advil, que o CEO dos Cinquenta Tons de Cinza dava para a mocinha e ela ficava boa de tudo. 
Não consigo respirar. Até consigo um pouquinho, mas fecha de novo. RinITE, sinusITE, bronquITE,ITE, ITE ITE...Dormir,morrer só um pouquinho até voltar o ar...Cadê meus vinte que os anos não trazem mais? 

Meu pai contava a história de um famoso general que ganhou a Guerra do Paraguai, chegou todo faceiro pra se enfeitar e receber uma medalha do rei. Pois teve uma caganeira e morreu antes, nem medalha, que adiantou ganhar a guerra. Isso pra gente ver como são as coisas...A gente acha que está por cima, de repente, um catarro estraga tudo...Que nojo...

Machado de Assis dizia que a felicidade é um novo par de botas. Pois eu digo que felicidade é um nariz desentupido.


tshirt-view-o grito- psicodelico-


domingo, 12 de agosto de 2018

PAI É PAI



PAI. Todos os anos, no Dia dos Pais, essa palavra PAI tem um ressignificado. Paro pra pensar sobre o que vou escrever, as experiências de um ano que passou depois do Dia dos Pais do ano passado, minha visão sobre meu pai, o pai de meus filhos, os pais de meus netos, os pais do norte e do sul, os pais da praia e do campo, da favela e do cerrado, da paz e da guerra...Pais que podem dar tudo ou nada, ricos ou pobres, heróis ou bandidos, mas PAI é PAI. 

Observo todo dia as mudanças que ocorrem nas família, o mundo de hoje tem características peculiares em cada lugar, específicas em cada família. 
 A rapidez nas comunicações dispensam aquele conselho do pai? 
O celular com Google explica tudo? 
No You Tube tem "Como ser pai" passo a passo? 
PAIS: vocês estão ferrados.

canaltech
Aquele pai que sabia tudo, que mandava na mulher e nos filhos, que sustentava toda a família, que bastava um olhar e todo mundo já sabia o que era pra fazer, é EM EXTINÇÃO.
Faz o que eu digo, mas não faz o que eu faço. Não funciona mais. O filho vai fazer TUDO o que o pai faz. Só se educa pelo exemplo. Filhote de urso é ursinho...A fruta não cai longe do pé...Sabedoria popular atualizada.Tal pai, tal filho.

Conclusão: SER PAI é aprender e crescer JUNTO com o filho, com a filha, com os colegas dos filhos, com os pais dos amigos dos filhos. Acompanhar, dar banho, levar ao médico, revisar a mochila, achar a meia e o caderno, cantar galinha pintadinha, ver animé, ouvir sertanejo, levar à igreja, comer porcaria, trocar o jogo da TV pelo choro da cabeça na parede. Substituir o whats com amigos pelo  cavocar o histórico de celular do filho.Ver os youtubers com os filhos,tem que saber o que estão vendo, tem cada coisa!!!e eles trocam tudo em milésimos de segundo... Chegar à noite cansado e ainda estudar raiz quadrada, afinal, a filha também está cansada. E ainda tem o namorado ou o coração partido,eles querem morrer!!! quem não passou por isso, prepara!!!

É fácil, assim? Não. Mas ou faz, ou perde. 

FELIZ DIA DOS PAIS!

quarta-feira, 4 de julho de 2018

CENSURA DESMORALIZADA

garabato


É muito fácil falar sobre A CENSURA. Digamos que fosse uma redação de escola, isso seria uma orientação: Pergunte aos avós como era a censura na adolescência deles. Talvez o trabalho fosse assim:
A censura era para maiores de dezoito anos, no cinema tínhamos que apresentar a carteira de identidade para entrar, filme proibido era proibido.PROIBIDO PARA MENORES DE 18 anos. A gente ficava imaginando o que passaria na telona, procurava cartazes e ficava na imaginação.
Livros e revistas também tinham censura rigorosa. Às vezes um colega emprestava uma revista, se os pais descobrissem a coisa ficava preta!
Para ir à missa, vestidos não podiam ser decotados, havia véus para cobrir a cabeça, até que era bonito. Ir à missa era muito chic e, assim como no cinema, sempre tinha um moço ou uma moça para um flerte (flerte era "olhadinha"), olhares dos mais velhos sempre censurando...
Em casa, alguns temas eram censurados: não se falava sobre sexo;  menstruação, camisinhas, partos, essas coisas, a gente ouvia escondido ou de amigos ou alguma tia muito avançada.Censura era coisa séria. Tão séria que era coisa feia comprar modess, os absorventes, as meninas pediam para mais velhas comprarem, parecia que o vendedor ia entrar nas intimidades. Os meninos tinham segredos para comprar camisinhas, que os pais achavam lindo, um sinal de masculinidade.
Censura era não falar à mesa nas refeições. Criança não se metia em conversa de adulto, de preferência, nem na sala ficava. Na escola, até o comprimento da saia era medido abaixo dos joelhos. A mini saia era coisa lá da Inglaterra. Teatro e miss era coisa de mulheres fáceis...Na verdade, a censura era mais com as meninas...
Política também tinha idade, começava no Grêmio Estudantil e os pais tinham muito medo que os filhos virassem comunistas. A gente ouvia coisas como "comunistas comem criancinhas", mas também muitos pais participaram das revoluções de Getúlio, Jango e Brizola. Foi aí que nós acordamos para outro tipo de censura: a censura política.
Com a LUA nos pés, Woodstok e Ditadura e The Wall e Tropicália, e Califórnias , Sexo Drogas e Rock'n Roll, a Censura foi para os jornais, rádio,teatro, cinema, escola,  TV.
                         Isso poderia ser uma redação colegial, década de 60.


Atravessamos períodos de transformação e vimos a censura invadir nossa vida acompanhando a evolução das comunicações.
 A censura foi bem conhecida quando se transformou em instrumento de cerceamento de liberdade. Falava-se muito dos russos, dos comunistas que matavam, aos capitalistas que compravam os países pobres - é tão fácil matar de fome! O mundo dividiu-se em direita e esquerda. O desejo irracional do ser humano de ter o poder de dominar o mundo criou formas de tortura e de aniquilamento, de simples fornos para queimar gente às das armas de destruição rápida como a bomba atômica,  e lenta como as drogas - a mão que faz as armas faz os brinquedos das criancas, as drogas lîcitas e ilîcitas, a teoria da raça pura criou o racismo, o sexo deixou de ser uma exigência da natureza para se transformar em bandeiras, a religião não mais liberta, é mais uma censura e uma arma de terrorismo. Surgiu a internet e o mundo se transformou em uma aldeia global, o teu segredo vai se espalhar no mundo num clique na velocidade da luz. A Censura estava ameaçada.Ou transformou-se na maior arma de espionagem, já imaginada e  registrada por George Orwel na obra *1984, onde a vigilância é onipresente para o Grande Irmão, que ironicamente ou intencionalmente será teatralizada num Big Brother e concretizada nas imagens universais do Whatsup, que tudo vê, que tudo pode,  movida pelo superpoder de apenas um dedo de qualquer indivíduo - qualquer pessoa, em qualquer lugar DO PLANETA onde chegue um satélite.  Eu sempre acredito na Arte e na Ciência, elas se completam. Em * Origem de Dan Brown o supercomputador responde as perguntas De onde vim?, Quem sou?, Para onde vou?, o computador que se cria e se destrói e que pode destruir tudo, eu já sei pra onde vou... Os filmes, os livros, as descobertas cientificas, o DNA e o Self, a instantaneidade da informação,ficam reduzidos a um bit.A Censura perdeu sua função. Não consegue mais ser uma arma social ou política.Impedir a primeira postagem. Quem for o primeiro é o herói. Poucas vezes para o bem - quase sempre para destruir, ridicularizar.
O Jornalismo está ferido. A reportagem, a notícia elaborada, pensada, investigada, real, perde longe para um simples instantâneo viralizado na internet.Ninguém mais sabe o que é verdade ou mentira.
Qualquer idiota pode montar uma foto ou alterar uma fala. O meu gesto de carinho pode virar um tapa, a minha ideia de liberdade pode se transformar em ofensa, parece que só o negativo consegue os cliques necessários para o sucesso.
O mundo se transformou numa turma de fofoqueiros de plantão.
A censura está desmoralizada.
                  - Essa seria uma a redação intelectual, analisando a Censura, hoje.


( Com licença, vou ver meu celular que está plin plin plin...Esse whats é a melhor coisa que me aconteceu, posso ver e saber tudo que acontece na família, na cidade, no universo. Em tempo real.Comunicação direta, sem intermediários.Eu escolho quem quero, o que eu quero Eu escolho meus amigos e inimigos. Meus grupos. Posso sair ou entrar na hora que quiser. . Sem censura. Censura nunca mais. Nunca imaginei que teria a instantaneidade da notícias SEM FILTROS E SEM CENSURA. Escolha. minhas escolhas.Minha ûnica responsabilidade.) 
                       - Isso é um paradoxo.


sexta-feira, 8 de junho de 2018

O SEQUESTRO


Passou um ano. O medo ficou.Ou trauma.
Isso nunca vai acontecer comigo - É o que todo mundo pensa; eu também assim pensava, até que aconteceu. Só agora consigo registrar. As palavras concretizam as imagens.
As figuras são ainda muito nítidas; todo entardecer, se estou na rua, a sensação é de pânico. Parece que vai acontecer tudo de novo.Foi assim:
   Dezoito horas, voltando pra casa, cheguei na Droga Raia,esquina da rápida com Água Verde hora de muito movimento, comprei meus remédios novos, eu estava muito feliz, minha labirintite finalmente seria resolvida com o novo medicamento. Fui ao estacionamento da farmácia, abri a porta para entrar no carro e dois homens me empurram pra dentro, um deles apontava uma pistola daquelas de filme, tipo Luger alemã, continuou me empurrando para o lugar do carona,tomou o lugar de motorista.
- O que é isso? - eu falava sem parar - o homem mandou eu calar a boca, se quisesse ver meus filhos...O outro homem já estava no banco de trás.
Estou num sequestro - devo ter pensado.
 Tudo muito rápido, o carro saiu de ré, o homem dirigindo, eu nem sei o que eu dizia. Um mundo estranho dentro do carro, parecia que eu estava sendo abduzida, tentava gritar, o homem dizia "Cala a boca, se quiser ver a família".
    - Pode levar o carro, mas me largue na minha casa, eu não posso caminhar.    " Cala a boca, está me deixando nervoso". O outro, no banco de trás, empurrou uma arma no meu pescoço, "fique calma que nada vai lhe acontecer". O meu motorista sequestrador estava muito raivoso, entrou numa rua calma, subiu na calçada, parou quase num muro, mostrou a arma novamente e gritou   "Cala a boca, está me deixando nervoso" e pegou a arma da cintura.
 Na minha mente,  surgiram as palavras Nunca Reaja a Um Assalto. Tentei me concentrar. Estava a poucas quadras de minha casa.
    - Me deixe na minha casa!
Que bobagem eu ia fazer! O Homem perguntou"onde é?" .Nesse momento me dei conta do perigo.
    - Na padaria, moro em cima - menti.
Pensei que lá estava cheia de gente, o bandido não teria como parar lá.
  "Liga para os filhos".
    - Não tenho ninguém aqui, me abandonaram, os cretinos,moram em outro país, só tenho uma velhinha que me acompanha - pensei em apelar para os sentimentos dos bandidos - como se bandido tivesse sentimento! 
   O carro correu até uma rua escura, quase na Delegacia de Roubos, ironia, isso.
   Minha bolsa já estava explorada, meus cartões com eles - por azar meu, nesse dia tive pagamentos e andava com o cartão do banco e o de crédito...
     Uma caneta e um papel,  "escreve as senhas, se estiver tudo certo vou te largar"...
Eu já estava calma, raciocinando, mas com muito medo.
  " Qual o caixa mais perto?"
Pensei no Festval, mas tinha muita gente perto do caixa 24  horas, perigoso no caso de um tiroteio, no Wall Mart era mais tranquilo...e na entrada sempre tinha guarda...Indiquei como chegar, acabar logo com isso,  o carro entrou no estacionamento, paramos na frente do caixa 24 horas, o motorista-bandido desceu com meus cartões: "Se ela se mexer, mete bala nela"  - falou para o bandido do banco de trás...o cara enterrou a arma nas minhas costelas e falou: "Se a senhora ficar calma, "ele" não vai fazer nada, mas é muito nervoso, não faça nada...Ele não vai matar a senhora se ficar calma...Mas é ex-presidiário, cuidado".
Olhei pelo retrovisor, era um rapazinho, talvez até menor, pensei em abrir a porta e gritar, ele leu meu pensamento, "não se mexa, não quero machucar a senhora". 
    Então...já que estou sequestrada, vou negociar com o sequestrador,lembro que parecia uma série de TV...Continuei olhando pelo retrovisor, um jovem, não parecia bandido, roupas pobres, mas uma arma...
O bandido motorista voltou, reclamando que faltava uma letra para acessar o cartão.
-Não lembro.Nem tem dinheiro nesse banco. Não uso.
Era verdade. Uma conta no Banco do Brasil que foi poupança, eu devia ter encerrado...
- Dá um jeito,liga pra casa...
- Só tem uma velha surda que não sabe de nada, deve estar na vizinha, vendo novela.
Acho que já eram mais de vinte horas.
Dessa vez, olhei bem meu sequestrador. Um moreno magro, cabelo bem cortado, meio calvo, brincos brilhantes, jaqueta azul com colchetes prata, olhar de mau...Sustentei o olhar:
     - Me larga, já tens cartões ativos e as senhas, esse não presta, não tem nada.Está perdendo tempo. 
   Ele me olhou diferente, duvidando, mas bateu a porta e se foi, entrou novamente no supermercado.O bandidinho me disse " Ele vai fazer compra, fique calma." Mexia no meu celular: " Quem é Elenir?"
 - É uma amiga que mora na Argentina - respondi, me achando muito esperta.
   " Quem é Juliana?"
    - É enfermeira.Moço, por favor, me devolva o chip, se acontece alguma coisa comigo, só tenho essa agenda, não tenho ninguém em Curitiba, e esse celular nunca tem crédito...
Surpresa quando ele me deu o chip, a bolsa e meus documentos. " Não diga pra ele."- e me senti cúmplice do bandidinho.
     - Deixa eu ir embora!
" Fique calma que ele vai largar a senhora quando acabar tudo."
Pegou a arma, novamente, como dizendo " Acabou a trégua". Pessoas passavam e ninguém olhava para dentro do carro. Quem poderia imaginar que havia uma mulher e seu sequestrador?
O bandidão voltou com um carrinho cheio de compras, abriu o porta malas e encheu de coisas. Passar cartão com chip é fácil. Vai saber...
Saímos com as câmeras filmando, o bandidão colocou o braço na frente da cara para inserir o cartão e abrir a cancela. Fácil, assim. E eu na esperança que me largasse...Mas não foi ainda.
Tive que orientar qual a rua que levava até o Shopping Água Verde, dali ele sabia...mas não acertou. Queria ir para Tarumã, fomos parar no Jardim Botânico, eu falei que estávamos no caminho, mas ele não me ouviu, disse que sabia ir por outro trajeto.
- O senhor deve ter mãe. Imagina se ela é sequestrada.
" Tudo é culpa de vocês que votaram no Lula" - o homem falou.
- O que isso tem a ver com sequestrar uma idosa? O senhor não sabe em quem votei. Parece mentira? Mas eu lembro como se fosse agora. Eu estava negociando?
" Vou entregar essas compras pra uma família que não tem o que comer, culpa do governo e de vocês."Não sei por que o homem continuava falando...
- Minha culpa? Trabalhei muito toda minha vida, o senhor não sabe...
" Quieta. Fique quieta."
- Estou com sede, preciso tomar remédio, estou com enjoo - falei.Já estava perdendo a paciência. Pensando em abrir a porta e me jogar.
" Vou comprar água, fica calma". Voltou para o centro da cidade e parou num Mercadorama. Mais compras. Estacionamento. Chuva. Dessa vez, um homem até olhou para o carro, coloquei minha mão no trinco, mas o bandidinho estava alerta:
" Não se mexa". Dessa vez, a voz soou diferente.Não me mexi.
O bandidão trouxe garrafas de água e cheeps, abriu a porta e nos entregou. Voltou para o supermercado. O bandidinho me passou as águas e um saco de cheeps de cebola.
" A senhora gosta de cheeps de cebola?Ele só comprou isso."
- Gosto, obrigada. Tu és filho dele?
Sem resposta, quem cala consente.
- O que vai acontecer agora?
" Ele vai entregar as compras e depois larga a senhora. Mas fique quieta. Nada vai lhe acontecer. Mas fique quieta."
Mais compras. Papel Higiênico, fardão, coca-cola, muitos sacos, encheu porta-mala e o banco de trás, o bandidinho ficou apertado. Um saco com cigarros. Saímos. Gente passando ao lado do carro e eu sem poder me mexer. O bandidinho abriu pacote de cigarro, passou para o bandido, acenderam e eu falando:
- Não acredito que vão fumar aqui dentro, eu nunca deixei ninguém fumar no meu carro!
O moreno abriu um pouco as janelas.Já estávamos na linha verde.
" Abaixa a cabeça. Não olha para os lados. "
Eu sabia que era a linha verde pelas obras. O carro pulava nos buracos.
- Não corre - falei - queres quebrar meu carro? E se a polícia te obrigar a parar?
O bandidão se acalmou.
" Mais um cigarro, pai?"
Ah, então era pai. Bem que eu pensava.
" Agora não".
Imaginei que era por minha causa. Será que eu estava com a síndrome da amizade entre sequestrado e sequestrador?Tanto tempo dentro do carro, que eu já estava amiga dos bandidos...
Depois de muito tempo correndo na estrada o homem avisou:
" Vou entregar as compras pra quem está com fome e volto pra pegar vocês. Qualquer coisa, usa a arma."
Desci com o bandidinho numa parada de ônibus numa estrada deserta.
"A senhora fique olhando pra baixo, se chegar alguém, diga que está esperando o ônibus. Só."
Entendi. Não queriam que eu soubesse onde era a casa dos pobres que estavam com fome. Olhei para minha mão. O anel da minha mãe estava ali, sempre meu talismã, tirei-o e guardei-o no bolso da calça. Vá que quisessem meu anel de proteção.
- Não tens aula, hoje? perguntei para o bandidinho.
" É de manhã."
- Por que estás nessa vida? Nunca acaba bem.Fui professora e muitos alunos conseguiram se salvar. Viver sem ter que fugir da polícia todo o dia.
" Professora de quê?"
- De Literatura.
" Não gosto."
- Que pena. Literatura ensina a viver. Gostas de quê?
" De Matemática. Agora fique quieta."
Um carro se aproximou. Passou. Ninguém olhou.
- Estou cansada e com frio. Até quando vamos ficar aqui?
   Pensei que se eles me matassem, podiam me jogar no rio que passava por baixo de onde estávamos, só dariam por minha falta em dois ou mais dias, afinal, essa hora eu devia estar em casa, vendo Saia Justa. E nem pensar em fugir, era mato e estrada. Nenhuma casa.Apenas uma luz na parada.
- Até que horas vamos ficar aqui? Estou gelada.
" Vou ligar" - e pegou o celular.
" Mãe? O pai já chegou? ... Quem está aí contigo? ...Tá. Dez minutos?..."
" Daqui a pouco ele está aqui."
Realmente, em seguida chegou, mandou entrar depressa, saiu correndo, eu não tinha coragem de perguntar: E agora?
Rodamos, contornos, rotatórias, era bem pra eu me perder, li "Pinhais"numa placa...Falei:
- Já fez tudo, colaborei, agora me larga.
Nada.
Outro lugar estranho, uma rua escura com casinhas e luzes apagadas, devia ser quase meia-noite.
" Não vai dar parte na polícia, nem ligar pra ninguém. Entendeu?  Desce."
- Como desce? Prometeste que eu ia voltar pra casa, eu não sei onde estou...
" E o anel?"
- Que anel?
" O anel, passa, e os brincos..."
- Tudo bijuteria....Com tristeza, mas sabendo que ele poderia de dar uma coronhada, sei lá o que faz um bandido, até ali ninguém tinha me tocado.
" Passa, depressa."
- Como eu volto pra casa? Vocês ficaram com minha carteira.
"Quanto tinha na carteira?"- falou o pai bandido para o bandidinho filho.
" Vinte reais, só".Respondeu o filho.
"Passa."
Me deu os 20,00, disse:"Ali na frente passa ônibus, tem que pegar o que vai pra Curitiba, entendeu? Agora desce."
 - E meu carro?
" Desce."
Desci. Minha bolsa com o chip do celular e documentos,da carteira sô os vinte reais.
" Seus remédios." Me passou a sacola da farmácia com os remédios que eu tinha comprado.
" Sua muleta" - o filho do ladrão me passou a muleta que eu carrego atrás no carro se precisar numa crise aguda de joelho.
Vi meu carro branco ir embora.Fiquei assim,sem saber onde estava, com uma muleta,um saco plástico com remédios, uma bolsa com minha habilitação e meu chip do celular, sem o anel que minha mãe me deu antes de morrer,  numa rua escura, cercada por casinhas apagadas, uma quadra dali uma estrada ou avenida iluminada com movimento, até onde eu devia ir.Devia ser meia-noite. Estava frio.E eu estava viva. Ou não?
Comecei a caminhar, em direção à luz. Um cachorro latiu, uma porta se abriu:"Passa, cachorro!", uma mulher gritou e eu também gritei:
- Me ajude, fui assaltada!
A porta se fechou, para se abrir de novo, e uma mulher recortando a luz com um rapaz atrás dela.
- Senhora, levaram meu carro, por favor, me socorra!
Ouvi o moço dizer " Mãe, tinha um carro branco parado ali."
A mulher foi até o portão, abriu-o e eu já estava na luz.
"Entre, venha, o que aconteceu?"
- Fui sequestrada numa farmácia em Curitiba, não sei onde estou, desde a tardinha os ladrões estavam comigo dentro do carro, me largaram aqui.
A única cadeira da casa foi trazida pra mim. O moço estava fritando rodelas de berinjela, me convidou para jantar com eles. A mulher pegou o celular, perguntou se eu queria chamar alguém, eu não sabia onde estava, como chamar minha família? Pedi que chamasse a polícia. Passei meus dados, a placa do carro. Mandaram que eu esperasse ali. Pediram o endereço da mulher. Ela foi na vizinha trazer um maracujá para fazer suco pra mim.
" O que roubaram da senhora?"
- Meus cartões do banco, o celular e o carro e o anel da minha mãe.
Um menino de terno preto camisa branca e gravata preta, e pés descalços, estava com um caderno e caneta num colchão de casal no chão, levantou-se e veio até onde eu estava, com uma Bíblia na mão. Muito loiro, olhos azuis. "A senhora quer que eu leia a Bíblia? A senhora aceita? Vai fazer bem, fique tranquila agora, vamos cuidar da senhora." 
A mãe explicou que recém haviam chegado da igreja. " Vou ser pastor" - falou o menino - " estou estudando, fazendo a lição da escola.A senhora é da igreja?"
- Sou católica, mas gosto muito de todas as igrejas e leio a Bíblia - falei, como se estivesse há anos com aquelas pessoas.
" Minha avó também é católica, mora em Porto Alegre, mas carrega o cartão do banco assim" - fez um gesto para dentro do paletó, na altura do peito.
A mulher me mostrou um pote de creme para limpeza que ela produzia. " É isso que agora eu faço", ela falou. O menino contou que a mãe era viúva, mas tinha um namorado que queria casar com ela, mas ela não queria. O outro rapazinho foi na geladeira tirar uma fatia de berinjela para fritar pra mim.  " Lê uma passagem da Bíblia pra ela".Chegaram uns homens, que também vinham da igreja, olharam com desconfiança para mim.Dois eram também filhos da mulher. Nádia. Nome dela.
Ruído de carro chegando, a polícia, saímos todos pra frente da casa.
Policiais registrando tudo, boletim de ocorrência, estranharam eu ter minha habilitação.
Resumi a história. Perguntaram se eu tinha sido agredida. Em nenhum momento , a não ser a arma apontada sempre.
" Encontramos seu carro. Quando recebemos o chamado dessa senhora, uma viatura perseguia um carro branco, o qual foi abandonado aqui perto, a placa confere. Vamos levar a senhora até lá.
Abracei Nadia e seus filhos, pedi o número de seu celular para agradecer, ela veio com o pote de produto de limpeza, ali estava um rótulo com o número do celular, eu quis dar os 20 reais em pagamento ela não aceitou, o menino me disse " É um presente pra senhora não ficar triste."
Saí no carro da polícia, aquelas pessoas ficaram acenando, como uns anjos que apareceram na minha vida. Como se um capítulo da novela tivesse um desfecho.

Meu carro estava estacionado frente a um campo de futebol, acho, um muro comprido, fechado, sem a chave. Os policiais me aconselharam a trazer o carro, para evitar todo o transtorno de apreender para o depósito e no outro dia ir até Piraquara. Pois eu estava em Piraquara! Só tinha um jeito: buscar minha chave reserva em Curitiba.
Liguei para meu genro do celular de um dos policiais. Minha filha atendeu o telefone, de madrugada, e eu dizendo:
- Fica calma, fui sequestrada, estou em Piraquara, a Brigada e a Polícia estão comigo, preciso falar com meu genro.
Não tinha outra forma de falar, já era madrugada. Eles tinham dois bebezinhos, mas eu precisava de ajuda.
A chave estava num lugar fácil de achar,no meu apartamento. Meu genro ouviu eu falar, disse:
" Se estiveres com o sequestrador, dá uma tossida".  Nessas alturas, desconfiou.
- Tudo certo aqui, vou passar para o inspetor para dizer o endereço - falei.
Fiquei sabendo depois que meu genro telefonou para a polícia para confirmar a veracidade, eu podia estar ainda com os bandidos.Já estava tudo registrado.
Hora e meia depois, chega meu genro com a chave. Um abraço nervoso, mas como foi bom aquele abraço!Chamou o guincho da seguradora, eu não tinha condições de vir dirigindo até Curitiba.
Brigada e Polícia de Piraquara todos muito atenciosos, ficaram sempre comigo.
Chegada em Curitiba, filhas me esperando, muito abraço, muito choro,não sabiam como eu estava, se estava ferida ou estuprada...Aquela madrugada marcou um período de retomada de valores, vida repensada, momentos de medo, constatação de que o perigo anda junto. Todo esse ano que passou foi marcado por muito medo de que aconteça tudo de novo. Nesse episódio levaram meu dinheiro e a nossa paz. Amigos e familiares todos me confortam, " ainda bem que não te fizeram nada", e tenho que agradecer todos os dias pela minha vida.
Cada vez que entro no carro, parece que tem gente esperando. O entardecer me dá pânico. Sair de carro à noite, só na emergência. Toda minha família na preocupação. Pois a vida segue e temos que continuar.
Sei que o tempo cura tudo.E as pessoas me acalmam,dizem que eu fiz bem em não reagir, ou poderia estar morta. Nunca vou esquecer o bandido pai falando " Se queres ver tua família amanhã, fica calma". E eu queria. Às vezes, me culpo por não ter reagido. Idosos são alvos fáceis aos criminosos, pois faltam forças.
     Em toda essa história, muitas lições sobre atenção, segurança,cuidados todos aprendemos, mas preciso cultivar a imagem da família que me socorreu e me fez acreditar mais uma vez que ANJOS existem.
                                                           Curitiba, 1 de junho de 2018.