MINHA VIDA É UM PALCO

MINHA VIDA É UM PALCO
Somos como atores neste palco que é o mundo, as cenas são os dias e noites, e o roteiro quem escreve é a VIDA!A vida depois dos 60. É começar novo, novos horizontes, um mundo diferente e muito mais LEVE! A gente está sempre começando, sempre aprendendo...E aos 60 anos, a gente nasce de novo! A minha Infância da Maturidade! COMO SERÁ NOS 70?Na minha ADOLESCÊNCIA da Maturidade...CHEGUEI! Cheguei chegando imaginando a vida toda...70 ANOS! BÓRA LÁ QUE A VIDA TÁ PASSANDO!!!E até uma PANDEMIA!Nunca pensei ...De repente, ficar presa em casa, sozinha. Se sair, o CORONA VÍRUS pega. Horrível todo mundo sem se tocar.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

A CULPA É MINHA? A CULPADA SOU EU?


Aposentada por tempo ou por idade. 60 anos: aposentada por velhice. 
Era assim que se dizia.Tem gente que lembra.
Agora, aposentado é criminoso, é o culpado por tudo de ruim que acontece. E daqui a algum tempo, o orçamento do Brasil vai explodir por causa dos aposentados.
As contas dos arautos das tragédias fecham direitinho: vai ter mais aposentados que trabalhadores pagantes.Tudo de ruim será por CULPA dos aposentados.

A Maria Tereza, a Leca,economista doméstica professora aposentada do estado, grupo da Maturidade, está fazendo uma conta interessante, muito didática, para sair da crise, vejam:"Cada Estado SERÁ  responsável pelo que recebe e gasta. 
         NADA de mandar todo dinheiro para Brasília.E explica:

- Dei R$ 100,00 pra minha filha comprar carne pra semana. Ela voltou com creme para espinhas, um CD sertanejo, 2 barras de chocolate, pagou um lanche pra ela e a amiga e me trouxe 2 bifes, 300 gramas de carne por cem pilas. Vou repartir em 7 porções, e passar 7 dias  cozinhando  pra quatro pessoas por dia. Vão sentir só o cheiro.
E vou renomear minha filha, ela será Brasília. 

Isso não é fábula, é verdade.A Leca continuou explicando: 


 HOJE tudo o que cada Município e Estado recebe vai para BRASÍLIA. Lá, ELES SE PAGAM, pegam um pouquinho e distribuem aos eleitores, com títulos bonitos, tipo bolsa minha coisa minha vida, fazem um CAIXA DOIS para familiares, viagens, carrões, e contas no exterior, pagam os deputados e senadores para votar neles próprios, e o RESTO, as migalhas, o cheiro apenas, vai para Segurança, Saúde, Educação, Saneamento, Previdência, essas coisas que o povo precisa para viver.
Resumindo, isso de centralizar TUDO o que se paga de imposto em BRASÍLIA, acaba. 
Leca ainda diz que tudo o que se manda para Brasília é roubado no meio do caminho pelos agradinhos, pelos mensalões, pelas propinas, por essa coisa nojenta que deturpou a moral, a honestidade, a honra, a democracia brasileira.
SE cada estado cuidar da própria vida, será mais fácil de controlar. Principalmente o cidadão vai estar quase direto com seu político.
O Brasil SÃO os brasileiros, o Brasil NÃO é Brasília. 

Nessas alturas, lembrei da Mirinha,falando sobre a crise dos aposentados: "Quando a gente se aposentar, ELES dão uma injeção letal no aposentado. Pronto.Resolvido."

Acho que por hoje deu.

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sexta-feira, 7 de abril de 2017

AMANHÃ É AMANHÃ


O problema não é a idade do idoso.
É só.
Ficar só.
Pior: Dependente.
Doente. Incapaz de cuidar da própria vida. Físicamente. Intelectualmente.Financeiramente.
Porém...
Amanhã vamos pensar sobre o amanhã, hoje é a festa de Dona Candinha.

Festa de aniversário. 70 anos. Filhos, netos, parentes, amigos.Tudo muito organizado.Um monte de gente.Dona Candinha é muito querida.
 A conversa fica cada vez mais animada e cada um fala mais alto.Típico de festa familiar. Com direito a briga antes, durante e depois.Crianças correndo, adolescentes se escondendo,celulares acesos.
Adultos iniciando uma conversa em voz muito segredosa: 
"Quem vai ficar com mamãe?70 anos, daqui a pouco precisa de alguém para cuidar de Dona Candinha, e nossa velha está habituada a uma vida bem cara.Quem sabe, vender o apartamento, este condomínio é caro, é só ela, pode morar em um menor, menos despesa.  E quando não puder dirigir? Se não conseguir caminhar? Se esquecer o fogão ligado? E se tiver Alzaymer? E... "

Apenas palavras carregadas de algum significado discutível, canapés e estrogonofe, naquele papo de festa, incentivados pelos drinques, muitos drinques, quando as pessoas defendem argumentos até a morte.Já inserem religião, relacionamentos, política, doenças, parentes e cada um aprimora seu discurso como se fosse a verdade única da humanidade.Filhos e filhas da aniversariante defendem a si mesmos de uma possível culpa pelos cuidados com a idosa,o assunto da hora:
- Não sei como mamãe criou 5 filhos, tenho 3 e estou estressada...Nem chego aos 70!
- Como vai ser agora? Ela está velha! Alguém tem que ficar com ela.
- Posso ajudar, mas trabalho o dia todo. 
- Eu viajo 3 vezes por mês.
- Tem que colocar uma cuidadora.
- Sabe quanto custa uma cuidadora? Quem paga? Nesta crise...
- Estou cheio de pepinos, não tenho grana.
- Só cuidar das crianças me toma todo o tempo, mais a academia, sem condições...
- Eu posso passar lá de vez em quando.
- Ou seja, uma vez por ano, não é?
- Até parece que vocês vão...
- Eu levei mamãe ao médico no mês passado. 
festa.um.como.com.br
- Acho que estão exagerando, mamãe está bem forte ainda. Viaja, mora sozinha, e 70 anos são os 50 de antigamente, eu já estou com quase cinquenta, é claro, sem comparação, sou da geração saúde...
-Véio, falta muito pros 70...Nós estamos em forma...Mas Mamãe anda se esquecendo das coisas...Troca até nossos nomes...E cheia de manias.
- E o carro? Ela avisou que vai dirigir até ficar velhinha...Mas já tem 70! Com problema de visão. E se contratar um motorista?
- Tá ficando louco? Quem pode pagar um motorista?  - Melhor instalar o aplicativo do Uber.
-  Mamãe não sabe usar celular pra isso.Nem atende quando a gente liga. E tem que digitar endereço, ela nem enxerga direito...E como controlar o dinheiro? 
- Baixa a voz, mamãe está chegando.
- Vamos fazer o brinde...

                      "Um brinde à pessoa mais importante de nossas vidas!"

A aniversariante, bem feliz em seu vestido de renda e a taça de champagne, entra na roda e convida todos para o brinde, o bolo e a dança. Avisa que vai dançar com todos.Ninguém vai se escapar.Alugou o salão até 2 da madrugada. Contratou DJ com músicas pra todos os gostos. Tem de tango a rock, sertanejo, e carnaval.Pra todos os gostos e gerações.Colares, óculos, flores. Bebida e comida não vai faltar.
Foi um ano preparando SUA festa.

A família, os amigos,é tanta felicidade, 70 anos, já cuidou de todos, formados, trabalhando, foram anos difíceis, quantas noites em claro, cozinhar pra todos, mais genros,noras, netos, cuidar dos netos, mas valeu a pena. Olha eles conversando, que orgulho, tão carinhosos com a mãe, não tem de que se queixar. Só agradecer a Deus pela família que tem!
E ela se sente inteiraça, amanhã vai preparar a festa do ano que vem.

                                                                            Amanhã é amanhã.


quinta-feira, 6 de abril de 2017

NADA A FAZER


Tem uma hora em que olhamos para o dia e nada a fazer.
Sabe o que é nada para fazer?
Primeiro: O que é NADA? Nada é nada, como dizia meu filósofo.
Segundo: O que é FAZER? Fazer é trabalhar, ganhar dinheiro, produzir, como me foi ensinado quando eu era pequena.

Agora, depois dos sessenta anos, filhos criados, cada um com sua casa, sua rotina, eu  aposentada - parece que a vida se resume em achar alguma coisa para fazer. Tipo: arrumar a casa,ler, preparar refeições, ler, whatsupp,  ver novelas, ler. 
depositphotos





Pronto.Foi-se o dia.Ou não.
Ainda tem o Big Brother.
Eu nunca tinha olhado e escutado o programa em dias seguidos, dava aquela espiada e passava adiante ou desligava a máquina hipnótica.
Dessa vez, notei algumas atitudes dos participantes que me interessaram. Principalmente pelas  diferenças de idade, gênero, profissões, coisas deles, neste mundo comum aqui de fora da casa dos selecionados por não-sei-qual critério que deve ser bem diabólico.
Quanto mais fofoca, traição, intriga, infidelidade, tragédia, MELHOR, aumenta a audiência.Reconheço:é bem interessante.
Sem roteiro, sem decorar falas,os "artistas" se analisam e ficam como caçadores e caça. Cada um representando para dezenas de câmeras.
Queremos ver até onde o ser-humaninho aguenta fechado numa casa - e que casa - sabendo que todos os outros querem sua eliminação. Ninguém em quem confiar. Nem a sombra é sua. 
É realmente um jogo? Uma disputa por mais de um milhão?É a necessidade de exposição em público? Busca de fama? Sair do anonimato?O que faz um indivíduo quando está 24 horas sendo monitorado por câmeras? Como se manter com seus valores, crenças, projetos,se em confinamento?
 É o Big Brother um tipo de tortura? 
1984 de George Orwell,tipo assim...
Chega um momento em que o ser humano se desnuda. Mostra o que é. Com neuras, maldades, hipocrisias, quem sabe, sinceridade, nunca por amizade.

Comecei a analisar cada participante. O que eu pensei que ia acontecer me surpreendeu: as pessoas se perdem... Acredito que até eles se surpreendem com o que fazem.  Tentam se controlar, alguns conseguem, ou não, e acaba numa delação premiada com um paredão. O Muro de Pink Floyd vem abaixo, tipo assim... Mais de cem milhões de votos para deixar ou tirar a criatura do paraíso infernal. 
Quem sai sempre acha uma desculpa para agradecer ao Big e aos Brothers. As operadoras de tele agradecem.No Brasil tropical, todos de sunga e biquini o dia todo, muita festa e bebida,segredos e sussurros só pra nós aqui fora,mas  deviam colocar câmeras embaixo dos edredons e nos banheiros para ficar mais interessante.
Mas nesta semana foi demais, quebrou o pau literalmente, o pessoal está surtando lá dentro. E eu, que não tinha nada pra fazer, agora tenho...

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

EU QUERIA


Eu queria acabar com a fome das criancinhas da África. Eu queria abrigar todos os refugiados que ficaram sem  pátria. Eu queria que os terroristas parassem de aterrorizar o mundo. Eu queria que essa lei da vantagem brasileira nunca existisse e as propinas não fossem uma vergonha institucionalizada no meu país. Eu queria que a violência fosse um substantivo abstrato, apenas. Eu queria que o trabalhador recebesse um salário compatível com seu esforço. Eu queria que  a escola fosse o melhor lugar do mundo para os jovens. Eu queria que as famílias se reunissem para celebrar a vida de agora e não apenas para chorar em velórios.Eu queria rir e cantar mais seguido... 
Eu queria!
Tenho certeza de que não sou a única.

Assim eu estava tão, mas tão triste,quando chegou uma pessoa assim, do nada, perguntou se podia me dar um abraço. Fiquei meio desconfiada. Por que eu ganharia um abraço? O que eu fiz para merecer um abraço?
Nós nos abraçamos. 
- Tenha um Ano Novo cheio de Saúde, de Amor, de Paz.E se vier dinheiro, a gente aceita.
Rimos. 
Eu não sabia. Não sabia o quanto eu estava precisando daquele abraço. Eu queria...
As pessoas ao meu redor também se abraçaram, parecia mágica...Efeito de afeto.Tudo que eu queria, agora, aconteceu.Por um instante. Um instante em que só o que importa é ser feliz dentro de um abraço.Um mundo abraçado. Cheio de Esperança.Efeito de afeto.

É a minha Fatia de Tempo de 2017. Meu gostinho de eternidade.

.

( Acabei de cortar uma Fatia pra ti. Com um abraço.)

             Feliz Ano Novo!

sábado, 1 de outubro de 2016

EU VOU VOTAR NO VICE


Falta menos de um mês para as eleições 2018.
Hoje, só mudei as datas. Já escrevi sobre os vices na eleição para prefeito. Agora, aproveito a mesma postagem e reformo, economia de pensamento.





Fui pesquisar na História e em 1889 as eleições para presidente e vice eram separadas. O Mal Deodoro da Fonseca proclamou a república e foi eleito presidente, o Floriano Peixoto foi eleito VICE e deu um golpe no Deodoro, nos senadores e deputados e ficou de presidente, abrindo uma carreira de sucesso para os VICES do Brasil.
 Nilo Peçanha era o vice do Afonso Pena, que morreu de pneumonia.Os vices sempre assumem quando os presidentes morrem, como aconteceu quando Getúlio Vargas se matou, maior tragédia da história, por enquanto, e o vice Café Filho assumiu, feliz da vida.

E tem o Jango, o vice João Goulart, que encarou o lugar do presidente Janio Quadros, o presidente que proibia biquini nas praia e varria vassourinha pra baixo do tapete. Jango, o vice que se ferrou e teve que fugir na ditadura.
E vieram militares que não tinham vice, que bobos não eram.

Presidente eleito,Tancredo Neves, tão querido, esperança para o Brasil, morreu com um nó nas tripas e nos mandou de presente  o vice Sarney, que nomeou o povo fiscal do povo.

Os caras pintadas tiraram o presidente bonito Collor e nos deixaram o vice topete Itamar, esse tinha um fuquinha e se deu. 

Eleições são assim: para chegar lá, no poder, partido se junta com partido pra conseguir aparecer na Globo, foi aí que  o Lula PT se aliou com  o inimigo PMDB para conseguir eleger presidente a Dilma. Quem se une com o inimigo, deixa Temer de presente.


Convenção do PT em 2014,Lula elege Dilma  e o Temer de presente.
De novo,  O Vice, que puxou o tapete e ficou de presidente. Pode? Pois é: deu no que deu.
Por isso, eu estou analisando os vices. Devia voltar a lei de votar separado. Pois o vice sempre fica torcendo pra acontecer alguma coisa...

Estou analisando os candidatos a VICE. Ele ou ela. 
Não é mole, não. Vamos ter que engolir.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

LUZ NA BOCA DO TÚNEL


Sabe aquilo de "morro e não vi tudo"?
Pois comigo isso não acontece. Estou vendo não tudo, mas outro tudo, pois cada dia tem um tudo diferente. 
A ideia de um Ensino Médio atualizado, isso é uma LUZ pra todo esse universo de adolescente que fervilha de ansiedade pelas descobertas.
Poder escolher. Participar de atividades "tudo a ver".
Estou falando das possíveis alterações na base do Ensino Médio. 
Português será sempre base, é a base da comunicação. O ser humano precisa se comunicar ou não existe. Matemática explica todo o mecanismo da existência. Não são apenas números. É a diferença entre o todo e o nada. Inglês é sobrevivência profissional.As outras disciplinas são necessidades individuais.Formadoras de opinião, decisão, personalidade.Pessoa. Coisa de cada um.E a perspectiva do turno integral, é tudo que eu queria. 
Como pra tudo tem uma historinha, eu tenho a minha:


obaratodefloripa.com.br

"Como era bom!"
A gente ia pro colégio só sabendo que tinha que ir e voltar com um boletim sem vermelho. Estudava porque tinha que estudar e pronto. O que vai ser quando crescer era escolhido pelos pais e responsáveis e pela sociedade: Professora, médico. advogado, engenheiro, se tivesse um DR na frente do nome, se ganhasse bem, era suficiente, estava feito na vida.Obrigatório pra todo mundo era Português, Literatura, Matemática, História, Geografia, Biologia,Química, Física, Ed. Artística, Ed. Física,Inglês,Religião. Uma gaveta pra cada coisa.Eu fiz Escola Normal. Tinha mais as didáticas.Didática de tudo.Francês, Latim.Filosofia, Sociologia,Psicologia.Esportes. Exigência da época. Não estava errado. Estávamos em curso. Era assim que devia ser.Pai mandava. Professor mandava. Aluno obedecia, ou fingia, mas fazia. 
Pra mim era tudo bom, só no colégio a gente se encontrava com toda a geração, amizades e namoros. Ir para o colégio era tudo.Tinha até reunião dançante. Como era bom ir para a escola, a gente aprendia cada coisa...Fora da sala de aula, mas dentro do colégio. Isso era a característica mais importante. Isso era bom.
Fora da escola, quem podia comprava a BARSA - uma enciclopédia que tinha tudo. Quem não tinha dinheiro, brincava de roda.Ou trabalhava. E assim era.O mundo jovem era dentro da escola. Mundo adolescente. Lá fora era vida de adulto.

Depois da TV, depois dos computadores, agora os celulares que têm TV e computador e enciclopédia, a ideia é "o que vou ser agora". Os adolescentes estão produzindo tudo de tudo. Olha o YOU TUBE. Olha os vídeos. Olha os robôs.O mundo é maior do que a escola. Aos dez  anos a criança já conhece mais do que os adultos do século, do milênio passado (eu, por exemplo).  Aos 14 ou 13, entra para o Ensino Médio e a criatura é obrigada a engolir tudo o que gosta e o que não gosta. Só que hoje não precisa mais. Na primeira oportunidade, o aluno se manda, tem um mundo melhor lá fora. Nem o professor  é mais um poço de sabedoria. O professor não tem um computador no cérebro. É gente. O professor é uma criatura que vive nesse novo mundo e também quer produzir conhecimento. Não é um robô. Também quer prazer no trabalho. A liberdade do aluno passa pela liberdade do professor.Professor dono do seu nariz, um professor especializado, que conduz, que desperta a curiosidade para as coisas realmente necessárias. Com seu arquivo pessoal e intransferível, com capacitação e - sonho nosso - salário digno.

Qualquer mudança na educação levava 10 anos pra cada vírgula; hoje, não pode demorar tudo isso. Com toda a tecnologia que temos nas mãos, as gavetas são abertas, é um contâiner compartilhado, num clic temos a informação e a  resposta. O ENEM abriu as comportas. Unificou o Brasil. Nosso país deixa de ser uma colcha de retalhos para ser uma aldeia global. O conhecimento é tudo.
Aqui volta uma exigência de todos os tempos. Precisamos do jovem na escola. Senão dentro da sala de aula, mas dentro da escola. E essa escola precisa ser cativante.
Vi,a poucos dias, uma Universidade  aumentando as áreas de convivência, salões, salas, cantinas, bares, parques. Dentro do campus. Pra que o aluno tenha prazer em ficar ali. Usar o computador junto com os outros jovens.Isso parece utopia para o Ensino Médio?  Não é. É projeto.
Perguntei pra minha colega também aposentada, professora de Educação Física, o que ela achava de sua disciplina não mais ser obrigatória. "É tudo que nós sempre quisemos, o aluno vem porque se sente bem. E hoje, com a exigência da atividade física para o bem estar do corpo e da estética, que os jovens tanto valorizam, teremos alunos e professores com mais foco e mais vontade. Mesmo com esse salário..." 
Qual é o professor que deseja alunos de má vontade na aula? Eu, professora de Literatura, tinha uma vontade de mandar sair quem quisesse fazer outra coisa, mas não podia. Minha colega de Artes pensava como eu, mas largava os poucos alunos que não se interessavam pro pátio...A diretora se escabelava...
Na estrutura da escola dos anos 90 era impensável ficar com disciplinas opcionais  no Ensino Médio; como montar os horários das aulas? Os alunos ficariam zanzando pelos pátios, incomodando nas outras aulas, ou querendo sair da escola, não havia ambientes livres - aliás, faltavam salas de aula, bibliotecas, quadras de esporte. Hoje falam tanto em educação que a coisa TEM que melhorar.Em todos os aspectos. Questão de sobrevivência.Se eu gosto demais de Artes, que eu quero da Física? Se eu adoro Biologia, por que Literatura? Tudo já está dentro de tudo...
Já existe a escola onde os alunos vão para a sala de aula que querem assistir. Escolher. Gostar. Ir por necessidade e vontade. O professor dono de seu espaço. É muito bom.Não cheguei a esse momento.Faltou pouco.Mas estou feliz por quem está aí.
  
Sem falar que as escolhas profissionais hoje são muito diferentes das que eu conheci. Cozinheiro? Nem morto,que vergonha,diria meu pai. Hoje, ser chef é demais. Teatro? Artista?Cantor? Modelo? Era coisa vergonhosa. Hoje, movem e comovem multidões.  E tem um palavra que nem existia na minha escola: ON-LINE. Profissões on-line.Milhares. Estão dando sustento pra muita gente. Já pensou em Gestor de Surf? Em Ecorrelações? Em Tecno DJ? Em Midialogia? São profissões, sabia? Estão aí. E quantas surgiram enquanto estou escrevendo. 
Os dinossauros são seres extintos. Estudar dinossauros é ciência. Hoje.Uma nova visão de entender o mundo.

Taí.  
Uma luz na boca do túnel, essa reforma do Ensino Médio.
E que venha rápido. Trazer o aluno pra dentro da escola.Meio caminho andado.  
O mundo virtual pode ser real.







quarta-feira, 21 de setembro de 2016

MEIO CHEIO, MEIO VAZIO


Sabe aquela visão do copo? 
O copo está meio vazio ou meio cheio?
Depende de quem vê, tem o quê, para quê. 

Não é a primeira vez que me acontece observar e ouvir e talvez interpretar, já com essa análise do cheio e do vazio. Tipo assim:

G1.globo.com


Chega uma colega sacudindo na mão o Tom, o bonequinho paralímpico. Trifeliz. Quase-cheia. Fala pra todo o grupo:
- Que coisa fantástica, essa Paralimpíada no Brasil. Mais de 5 mil atletas, as mais diversas modalidades, e nós aqui, do Brasil, com tudo isso, que exemplo...E que festa linda! Tanta gente compartilhando o resultado da superação.Tá todo mundo querendo fazer alguma coisa...
A colega chegara do Rio com uma lufada de alegria, de sentir toda a emoção dos participantes do evento paralímpico.
Aconteceu uma falação geral.Cada um queria contar de um esporte.A vontade de vencer.  O barulhinho da medalha.
Eu queria pegar o Tom, já tenho o Vinicius, o outro bonequinho Olímpico.
 Aquela frase de sempre, muito ouvida, "isso é pra gente repensar como o ser humano é capaz". Nosso momento era de pura constatação da vitória de tantas famílias.
E aí...
Aí, saltou o meio-vazio:
- Uma constatação muito triste. Só 5 mil. Quantos milhões de deficientes no mundo, e só 5 mil têm o privilégio de participar de uma paralimpíada. O Brasil não tem acessibilidade, e quanto de dinheiro roubaram pra fazer esse espetáculo pra gringo ver. E sem falar que as pessoas que foram aos jogos no  Rio de Janeiro devem ser cheias da grana, já viram quanto custa um dia no Rio? 

Pronto. Agora desinflou a alegria.
Tem mesmo é que ser infeliz,coitado.E ficar sozinho. 
O pessoal do grupo se olhou,um mal estar percorrendo o grupo, meio-assim,gente educada,engole a vontade de dar com o Tom na cabeça do meio-vazio, mas vai machucar o Tom? Deixa ele. 
Sabemos das dores do mundo.De nossas carências. Mas cada coisa na sua hora.A colega que participou com o filho da Paralimpíada beijou o bonequinho e me olhou como dizendo "Não dá bola". Agora, aconteceu uma Olimpíada e uma Paralimpíada no Brasil. Mais chance para os brasileiros conhecerem o mundo dos especiais. E foi emocionante. 


Que chato. Que vontade de excluir a pessoa.Sabe o gosto de fel? Deve ser o que a criatura tem sempre. Tenho pena. Gente assim nunca vai querer melhorar. Nunca vai ver um exemplo para puxar pra cima. O exemplo de praticar um esporte, de achar razões para continuar a luta, de saber que existe alguém que conseguiu...Isso ficou enterrado em um pessimismo político autodestrutivo.Não vai nos contagiar.Para aquela criatura, nada vai melhorar. Inclusive sua vida. 
            Se afaste, de-mal-com-a-vida. Seu copo está cada vez mais vazio.
Não venha desincher o nosso!Xô, satanás!