MINHA VIDA É UM PALCO

MINHA VIDA É UM PALCO
Somos como atores neste palco que é o mundo, as cenas são os dias e noites, e o roteiro quem escreve é a VIDA!A vida depois dos 60. É começar novo, novos horizontes, um mundo diferente e muito mais LEVE! A gente está sempre começando, sempre aprendendo...E aos 60 anos, a gente nasce de novo! A minha Infância da Maturidade! COMO SERÁ NOS 70?Na minha ADOLESCÊNCIA da Maturidade...CHEGUEI! Cheguei chegando imaginando a vida toda...70 ANOS! BÓRA LÁ QUE A VIDA TÁ PASSANDO!!!E até uma PANDEMIA!Nunca pensei ...De repente, ficar presa em casa, sozinha. Se sair, o CORONA VÍRUS pega. Horrível todo mundo sem se tocar.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

NÃO PRECISAVA


encantocaboclo.com.br
Quem comeu Castanha-do-Pará, a castanha do Brasil? Umas sementes gostosas demais...Tão pequeninas e delicadas...Eu não conhecia a castanheira, nem sabia que a fruta era uma coisa dura e pesada que podia me deixar desmaiada...se caísse na minha cabeça. Ainda bem que agora sei como é; não precisa ficar embaixo da castanheira. Ou se ficar, muito cuidado.Mais seguro é ficar de longe, tem gente que sabe como me trazer as castanhas, sem que eu precise quebrar na minha cabeça.
Tem muita coisa que não precisa. Ficar embaixo da castanheira. 

Um incêndio que deixou em luto mais de 200 famílias, uma cidade;não precisava ter acontecido para começarem as medidas de segurança em locais públicos.Precisava de portas, as portas não existiam. 
Aviões que se chocam num espaço infinito, precisava? Erros humanos.Depois, providências. Depois de centenas de mortes. Não precisava.
Velocidade,o choque, acabou. Falhou o quê?Em que compartimento do cérebro estava a prudência? Ou não tinha registro?  Pecisava correr tanto?  Não precisava.
A dor no peito cortando, saio correndo para o posto de saúde mais próximo.Acho que é um infarto. Tomara que chegue a tempo. Cheguei. Pronto socorro. Não tem Pronto. Não tem médico. Não tem socorro. E agora? Morro. Não precisava.
Um rio encantador, que carrega vida para uma terra esturricada. Um rio,que deslumbra mais do que assusta.  Não precisava o ator morrer afogado de verdade. O perigo estava escondido. Não tinha aviso.Uma praia turística. Não precisava morrer.
Um piscar de olhos e a vida se vai...Precisava?Não precisava. 
SE...

A semente da castanha, a castanha, a castanheira. 
Quem vê só a semente não cuida da fruta, não conhece a árvore, não imagina a floresta. Quem quer a floresta se esquece da árvore.Da fruta. Da semente. 













segunda-feira, 12 de setembro de 2016

SOMBRAS&SOMBRAS



Já ouvi falar de gente que perde a sombra.
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Tem muitas sombras na nossa vida.

Tem aquela sombra à frente, no chão que a gente pisa quando a luz vem de trás, é a sombra que se pode enxergar e dominar, a sombra que depende da nossa determinação, pode dançar como a música, imobilizar-se com o medo, fazer cruz ou voar, e que tentamos pular em cima, mas ela fica sempre à frente, é uma desbravadora de caminhos e destinos.Essa sombra depende de cada e única pessoa. E a gente sempre seguindo, sempre para a frente, pois se paramos, ela para também.É pra frente que se anda. Pra frente, que atrás vem gente.Como correr para pegar o futuro.

Tem uma outra sombra: quando a luz vem da frente; é a sombra  que vai atrás, que se alonga ou balança para a direita e para a esquerda, que faz tudo que a gente faz, sem a gente ver, não temos olho pra trás, já está feito o caminho, agora não pode mudar.Já foi traçado o trajeto,o passo já foi dado. O que está feito, está feito. E a sombra assim vai, depende do quanto de luz tiver na nossa frente, e quem busca a luz é a gente. A sombra nos acompanha atrás já passou.Não posso mais fazer nada.  Já foi. Já era. Mas a luz que está à frente, essa eu decido a intensidade.

Se a sombra que eu posso dominar depende da luz que eu não vejo, e a sombra que me persegue depende da luz que eu procuro, preciso cuidar das luzes.

Se não tem luz, não tem sombra.
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domingo, 24 de julho de 2016

MIRINHA MORREU.


Simples assim. Morreu. 
Caminhosdealma blogs
Não há outro jeito de falar. 
Mirinha não queria ficar velha. Como meu irmão, lindo, querido, amado.Como Marylin, Amy, Ellis. Morreu bem assim, uma sexygenária jovem, uma adolescente. 
Antes...
Mirinha foi numa excursão às Terras Santas, ao Vaticano e ao Tibet.Pela milésima vez. Nem sei quantas vezes Mirinha já foi por lá... Dizia que precisava esclarecer umas coisas. De repente, voltou pro Brasil e comprou ingressos para as Olimpíadas,semana passada, nada a ver, nem tinha falado nisso. 
- Amiga, te entregaste aos cambistas? Que fortuna esses ingressos...
De última hora, decidiu, como sempre nunca pergunta a ninguém, e me disse que só assim para participar; pensei: "O dinheiro é dela, faz o que quiser."
Entre malas e lembrancinhas que trouxe das viagens que fez "pra esclarecer umas coisas", vários trajes típicos de cada lugar, muitos colares, terços,um Japa Mala,muitas contas, adereços, bordados. Já imaginava Mirinha um dia de monge, outro de profeta, até de Papa. Com todos os penduricalhos. 
E para as Olimpíadas já estava com toda a roupa da Seleção Brasileira. Fanática pelo Brasil.
E foi assim, entre malas de chegada e malas de partida,que Mirinha sentou na poltrona, pegou a agenda, anotou o horário do voo para o Rio, e caiu para a frente. 
Só eu e ela no meio da bagunça. Pensei que fosse labirintite. Ou uma das dramatizações, pra me assustar. Bebida, não era,ainda era cedo, a parentada estava chegando pra receber os presentes. Foi uma gritaria,ninguém sabia bem o que estava acontecendo, Mirinha recém chegara das viagens, e as Olimpíadas? Chama ambulância, médico, essas coisas. Mas eu já sabia.Era só olhar. Mirinha era vida. E agora...Um infarto daqueles, de acabar mesmo.Aquilo não era Mirinha. Apenas um corpo. A energia, a alma, o espírito, sei lá, já não estava ali.Não sei como, por que, tudo que era vivo acabou. Como pode? Assim, sem aviso. 
Depois...
Como ela sempre pediu, como sempre escreveu, tinha até um quadro no quarto com as instruções:
"Cremação, cinzas no mar, nada de velas,nada de choro,muita música, bebida e comida." 
Choque. Não dá pra acreditar. Nem para descrever.
Agora...
Não consigo parar de chorar. "Engole o choro", parece que estou ouvindo, sempre foi assim, livre. Nada para falar. 
Agora...
Não tem mais Mirinha.
Só o vazio.





sexta-feira, 8 de julho de 2016

DESCULPAS INVENTADAS?



Mirinha chegou muito preocupada. Sua amiga Hildegard estava cheia de problemas. 
" Estou muito mal. Minhas pernas não me obedecem, as juntas estão emperradas. Como posso viajar com a família desse jeito? Faz tempo que programaram meu aniversário nas Termas de Jurema,nas férias das crianças, já pagaram tudo, e eu assim...Se não posso caminhar direito, o que fazer? Eles que vão. Eu fico aqui, quietinha. Mas pra eu ficar, minha neta tem que ficar comigo. Não é certo ela se sacrificar. E vai ficar com raiva de mim, por fazê-la perder a viagem.Sou um peso na vida deles."
E por aí foi o "papo de quinta". Mirinha me contou tudo, bem assim. Já vi essa cena e já ouvi muitas desculpas. Quando a pessoa está se sentindo um peso para a família, é capaz até de ficar paralítica, mesmo. Um peso maior ainda. 
Desde que comecei a escrever para "AS SEXYGENÁRIAS", acompanho muitas crises, dilemas e confidências - e desculpas inventadas - próprias da fase, afinal, a gente nasce de novo aos sessenta e tem todo tipo de desafios para se ajustar na new age.  A Mirinha diz que vai escrever um livro com minhas histórias. No dia que tiver paciência de sentar por mais de 10 minutos. Ou melhor: as histórias da Mirinha, que eu só conto. 
Então, a Guiga, como chamamos a Hildegard, estava se sentindo um peso? Ou não queria ir? Ou estava precisando de uma sacudida? 
Foi o que Mirinha fez . Guardei a mensagem. 
- Guiga, seguinte: Todo mundo vai passear, comida boa, águas quentinhas, música e bailes, sem cama pra arrumar e louça pra lavar,e tu vais ficar atirada como um saco de batata? Apodrecendo? E a neta de castigo, te olhando gemer? Amigaaaaaa! Lá tem cadeira de roda e carrinho elétrico, quem sabe até um recreacionista gostosão que te massageie...E tem o mais importante: Se teus filhos e netos planejaram essa viagem para festejar teu aniversário, é porque querem a tua presença.Ou nem pensavam.  E que graça tem? A aniversariante ficou em casa, chorando como uma criança birrenta? Vai viver, burrinha! Se me convidassem, eu ia até de ambulância...e a bebida é incluída no pacote!Tu estás é inventando desculpas, fazendo chantagem pra te chamarem de coitadinha. Coitadinha é o ... da cabritinha!!!


O poder da palavra na hora certa. Mirinha devia ser psicóloga.
Hoje cedo a Guiga postou foto na piscina térmica, um coquetel com sombrinha, uma cara de pura felicidade.

Comeu até heisben no café da manhã.
 
kibe.cozinhandocomamigos




 

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Meia Idade



Mirinha inventou que está entrando na meia idade.Que faltam muitos anos pra ser idosa.
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Meia Idade pra mim é aos 50 anos. A Mirinha já está com 6.7. Terceira Idade. Alguém quer dizer a ela? Eu, não adianta nada. Ela não me ouve.
Inverno rigoroso em Curitiba. Onze da manhã, um baita frio, lá vai ela de LEG estampada de tigresa, blusão de Bariloche e touca russa.
- Vou caminhar, preciso manter a forma.
Caminhar no Barigui.
Tudo bem, o parque é maravilhoso, inspirante, visual dez. Cheio de gente de bike, correndo, também caminhando.Desfile de belezuras e gostosuras. Alguns, nem tanto. Mas é um espetáculo a distinção.

O Parque Barigui é um mundo OFF no contexto da atualidade brasileira, não lembra desemprego, pobreza,sacanagem,  nestes dias de LAVAJATO, de escândalos na política - que nem assustam mais, parece que todo mundo que é ladrão neste país vem preso pra Curitiba - ou mora aqui.Ontem  prenderam os computadores e celulares da vizinha...

Voltando ao parque: é por isso que dizem que o SUL é europeu. Parque de Primeiro Mundo.
A Mirinha caminhando milhões de quilômetros nas trilhas que circundam o parque, eu, de chofer, com meus livros e observando a vida lá fora - explico: tenho que dar carona pra amiguinha, ela tem medo de dirigir na faixa ( faixa, em Uruguaiana, é BR, tá?).
Vocês já caminharam no Central Park de NY no inverno? Pois no Barigui é muito mais.Ninguém de casaco, parece até primavera das boas. Eu até liguei o ar quente do carro. Estou congelando, mas o mundo lá fora está como uma onda no mar. Festa de músculos, pernões, cabelos bem cuidados, cachorros mais cuidados ainda.
Espero Mirinha. Quero ir pra casa, o mocotó me espera.
Lá vem Mirinha, caminhando muito devagar, quase parando. Vai caindo lentamente, acho que está tendo um ataque do coração.
Desço do carro, nem preciso gritar SOCORRO, em segundos, muitas pessoas correm  até ela, uns garotões de anúncio de cuecas afastam as pessoas, CHAMEM A SAMU; Mirinha diz NÃO FOI NADA, APENAS TORCI O PÉ; eu  grito ESTOU COM O CARRO ALI. Mirinha é suspensa no colinho do menino gigantesco, suando energia, e como uma pluma, é colocada no banco do carona, com direito a massagem no pezinho e carinhos nos cabelos que fogem da touca:  MUITA DOR, SENHORA? POSSO BUSCAR GELO. Mirinha miava.
Agradecemos, arranquei com o carro, MUITA DOR, AMIGA? O pé já inchado, SE EU NÃO MEXER, NÃO DÓI.
Nem precisou ir ao postinho. Já em casa, levei minha amiga pra comer mocotó, apenas rengueando
(RENGUEANDO é de pé, MANCANDO é de mão), engoli os comentários de que achava uma loucura caminhar um parque inteiro, só podia dar nisso.
Para encerrar este episódio, a Mirinha, já espichada no sofá, manta de lã de ovelha de Mostardas, como sempre um vinho e pinhão (a mais nova mania da Mirinha no Paraná: PINHÃO, muito pinhão assado, não lembro disso em Uruguaiana):
- É só melhorar, que vou de novo caminhar no Barigui. Com muita sorte, vou torcer o pé. Pra ganhar colinho...Que gatinho!
Coisas de MEIA IDADE? Começo a rever meus conceitos.Acho que eu também quero...

                                                                                Curitiba, no dia de São João.Quinta-feira. 2016.





segunda-feira, 30 de maio de 2016

BESTA FERA, TARADO OU PERVERSO?


O Fórum Brasileiro de Segurança Pública acredita que possam ter ocorrido entre 136 mil e 476 mil casos de estupro no Brasil no ano passado.

A projeção mais ‘otimista’ está baseada em estudos internacionais, como o ‘National Crime Victimization Survey’, que aponta que apenas 35% das vítimas desse tipo de crime prestam queixa. 
“É o crime que apresenta a maior taxa de subnotificação no mundo."
A vítima tem vergonha da exposição, tem ignorância de seus direitos, tem medo de ser julgada culpada - o que muitas vezes acontece.
Estatísticas, a cada 11 minutos uma mulher é violentada no Brasil.Falando assim, parece que tudo está longe da minha e da tua casa. 
Uma mocinha sofreu um estupro coletivo. Com vídeo ilustrativo na internet. 33 homens. Vi na TV. Um dos estupradores rindo, o namorado da vítima abraçado no exibido.Como pode? Que motivação têm esses rapazes pra cometer um crime desses?
E se fosse minha aluna, minha vizinha, minha irmã, minha mãe, minha filha? Agora, DOEU!
A Literatura me ensina quase tudo o que sei da História dos homens. Ana Terra, personagem de "O Tempo e o Vento"de Érico Veríssimo,  foi estuprada sucessivas vezes pelos bandidos castelhanos que invadiram a fazenda onde morava. Em "O Regresso",filme vencedor do Oscar, a índia é submetida ao instinto animalesco também de muitos homens. E nas guerras e prisões e festas, a mulher é a diversão dos desejos insanos. 
Ontem, outra estatística dizia que os estupros são na maioria de autoria de namorado, parente, amigo.Em casa.  Ainda mais grotesco: até com a conivência de outras mulheres.
Quando na direção de escola, da sala de aula, trouxeram-me uma adolescente revoltada. Não queria participar das atividades.Conversamos muito, ela me contou que o padrasto empurrava a porta do seu quarto todas as noites, ela estava apavorada, pediu-me não comunicar ao Conselho Tutelar, tinha vergonha.  Chamei a mãe.  Com muito cuidado, abordei o assunto. A mãe falou "a (Mocinha) botou corpo, fica usando shortinho, homem é homem". Mandou a filha para a casa da irmã que mandou trabalhar.A mãe ficou com o homem que era homem. A filha com 13 anos foi pra rua. Esse é um dos muitos casos que presenciei.(Soube de um final feliz: Aquela Mocinha casou, teve filhos,hoje é professora; a mãe continua com o homem que é homem e que bate nela). Quando os casos eram denunciados, poucas as mães que davam razão às filhas. Quando chamadas para testemunhar, sempre livravam o "homem é homem". Uma cultura de exaltação ao macho, ao instinto; tem pais que ensinam o filho, desde pequeno, a usar as mulheres.Um buraco de prazer. Não uma pessoa.
Discutimos em aula com nossa psicóloga que trabalha com crianças em situação de risco. Abusadas, quase todas, desde sempre. Meninas e meninos.É dolorido saber como o ser humano é um poço de insanidade. E que tem mais vítimas inocentes do que mostra a incerta e fria estatística. 
Como o ser humano pode ser tão incompreensível? Nesta nossa cultura, a falta de educação, de limites, de controle sobre os instintos desperta a besta fera que se revela de forma incontrolável no indivíduo, como uma compulsão.Tipo "Cidade de Deus". 
 Mas quando existe uma atitude pensada, planejada, observando os padrões da sociedade, surge  o perverso.O perverso incendeia o morador de rua. O perverso e a perversa planejam o assassinato dos pais. Perversos batem nos gays.  O perverso conquista a vítima.O perverso é educado, o perverso é bonito, o perverso tem charme. Os perversos estão junto conosco. Dissimulados. 
Os perversos estupram a amiga e divulgam um vídeo na internet para os outros perversos curtirem.E se satisfazem em ver quantos "clics".  
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domingo, 22 de maio de 2016

SOMOS TODOS DROGADOS

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Noite de sábado chuvoso. Cada um na sua casa. TV sem alternativa, Whatsapp já respondido, FACE atualizado. Mirinha me enchendo o saco. Quer barzinho. Na nossa idade, tem que ser à tarde. Depois de alguns goles, ela começa: 
- A Dilma disse que o Temer tem um governo de velho, rico e branco.
- Mirinha, por favor, chega de política, é seis por meia dúzia. Olha, começou o Altas Horas, quem sabe...
Vinho vai, vinho vem, Mirinha queria sair pra rua. 11 da noite. Curitiba, sábado, altas horas, é um perigo, carros a mil, gurizada festejando qualquer coisa, nessa idade é tudo festa, eu é que não saio mais de casa, só amanhã na missa das dez. 
- Olha, olha, a mulher disse que era drogada. 
Uma reportagem no Serginho, com uma moça triproduzida, contando que começou com maconha, cocaína, etc... Perdeu tudo. Até que foi salva nos Narcóticos Anônimos, encontrou marido, hoje está limpa(e nervosa). E que se safou das drogas conhecidas, mas sempre tem compulsão por alguma coisa.Por incrível que pareça, Mirinha prestou atenção.Comentou:
- Seguinte: pelo visto, sempre tem um vício na nossa vida. Aquela lá está "mucho loca". Entrou para os dependentes químicos, mas parece compulsiva, fala depressa, deve estar bem drogadinha com seus barbiróticos!
- Barbitúricos, amiga.  Isso era lá em Uruguaiana, a gurizada  trazia Pervintim de Libres...E cheirava lança...
- Pois é... 
A Mirinha tem umas teorias: 
"Quando a gente nasce, a gente mama no peito da mãe, na mamadeira, passa todo o dia só esperando a hora e berra até conseguir...Na infância, são os caramelos, as balinhas,e se  atira no chão pra ganhar. Adolescência começa cigarro escondido, samba (cachaça e pepsi); a juventude com vodka,vinho barato na faculdade,  cerveja qualquer uma, baseadinho; na noite, tem caipira, vinho, whisque, um monte de coisa;começam as bolinhas, de tudo que é cor;em casa, cervejinha, caipirinha tudo inha...(meu pai dizia que homem cai na sarjeta e mulher cai no tapete);  na velhice é exercício, remedinhos, gotinhas, pílulas, drágeas... Ou seja...sempre tem uma droga.Um vício.
E se a gente se escapa dos químicos, tem as compras...compra de tudo, até o que nunca vai precisar;os doces, ah! os doces,   tem o carteado, o bingo, viagens, médico pra tudo, a fanática religião, ou seja: sempre tem um vício.Até os exercícios físicos, horas de pilates, de massagens... COMPULSÃO. Uma coisa que parece um bicho dentro da gente. Tenho dez remedinhos por dia para tomar. Fora os vinhos, os aperitivos,as comidinhas, a academia.Espirituais, Físicos e Químicos. Caros. Isso é DROGA.E custa caro. Socialmente recomendado.  
Somos todos drogados!

A Mirinha tem uma sabedoria que me espanta. E ainda faltou falar de quem não tem dinheiro pra tudo isso. Então,quando ela fala, é de chorar. 
Segunda-feira a gente pensa.