MINHA VIDA É UM PALCO

MINHA VIDA É UM PALCO
Somos como atores neste palco que é o mundo, as cenas são os dias e noites, e o roteiro quem escreve é a VIDA!A vida depois dos 60. É começar novo, novos horizontes, um mundo diferente e muito mais LEVE! A gente está sempre começando, sempre aprendendo...E aos 60 anos, a gente nasce de novo! A minha Infância da Maturidade! COMO SERÁ NOS 70?Na minha ADOLESCÊNCIA da Maturidade...CHEGUEI! Cheguei chegando imaginando a vida toda...70 ANOS! BÓRA LÁ QUE A VIDA TÁ PASSANDO!!!E até uma PANDEMIA!Nunca pensei ...De repente, ficar presa em casa, sozinha. Se sair, o CORONA VÍRUS pega. Horrível todo mundo sem se tocar.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Meia Idade



Mirinha inventou que está entrando na meia idade.Que faltam muitos anos pra ser idosa.
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Meia Idade pra mim é aos 50 anos. A Mirinha já está com 6.7. Terceira Idade. Alguém quer dizer a ela? Eu, não adianta nada. Ela não me ouve.
Inverno rigoroso em Curitiba. Onze da manhã, um baita frio, lá vai ela de LEG estampada de tigresa, blusão de Bariloche e touca russa.
- Vou caminhar, preciso manter a forma.
Caminhar no Barigui.
Tudo bem, o parque é maravilhoso, inspirante, visual dez. Cheio de gente de bike, correndo, também caminhando.Desfile de belezuras e gostosuras. Alguns, nem tanto. Mas é um espetáculo a distinção.

O Parque Barigui é um mundo OFF no contexto da atualidade brasileira, não lembra desemprego, pobreza,sacanagem,  nestes dias de LAVAJATO, de escândalos na política - que nem assustam mais, parece que todo mundo que é ladrão neste país vem preso pra Curitiba - ou mora aqui.Ontem  prenderam os computadores e celulares da vizinha...

Voltando ao parque: é por isso que dizem que o SUL é europeu. Parque de Primeiro Mundo.
A Mirinha caminhando milhões de quilômetros nas trilhas que circundam o parque, eu, de chofer, com meus livros e observando a vida lá fora - explico: tenho que dar carona pra amiguinha, ela tem medo de dirigir na faixa ( faixa, em Uruguaiana, é BR, tá?).
Vocês já caminharam no Central Park de NY no inverno? Pois no Barigui é muito mais.Ninguém de casaco, parece até primavera das boas. Eu até liguei o ar quente do carro. Estou congelando, mas o mundo lá fora está como uma onda no mar. Festa de músculos, pernões, cabelos bem cuidados, cachorros mais cuidados ainda.
Espero Mirinha. Quero ir pra casa, o mocotó me espera.
Lá vem Mirinha, caminhando muito devagar, quase parando. Vai caindo lentamente, acho que está tendo um ataque do coração.
Desço do carro, nem preciso gritar SOCORRO, em segundos, muitas pessoas correm  até ela, uns garotões de anúncio de cuecas afastam as pessoas, CHAMEM A SAMU; Mirinha diz NÃO FOI NADA, APENAS TORCI O PÉ; eu  grito ESTOU COM O CARRO ALI. Mirinha é suspensa no colinho do menino gigantesco, suando energia, e como uma pluma, é colocada no banco do carona, com direito a massagem no pezinho e carinhos nos cabelos que fogem da touca:  MUITA DOR, SENHORA? POSSO BUSCAR GELO. Mirinha miava.
Agradecemos, arranquei com o carro, MUITA DOR, AMIGA? O pé já inchado, SE EU NÃO MEXER, NÃO DÓI.
Nem precisou ir ao postinho. Já em casa, levei minha amiga pra comer mocotó, apenas rengueando
(RENGUEANDO é de pé, MANCANDO é de mão), engoli os comentários de que achava uma loucura caminhar um parque inteiro, só podia dar nisso.
Para encerrar este episódio, a Mirinha, já espichada no sofá, manta de lã de ovelha de Mostardas, como sempre um vinho e pinhão (a mais nova mania da Mirinha no Paraná: PINHÃO, muito pinhão assado, não lembro disso em Uruguaiana):
- É só melhorar, que vou de novo caminhar no Barigui. Com muita sorte, vou torcer o pé. Pra ganhar colinho...Que gatinho!
Coisas de MEIA IDADE? Começo a rever meus conceitos.Acho que eu também quero...

                                                                                Curitiba, no dia de São João.Quinta-feira. 2016.





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