Se não fosse a Mirinha, minha vida seria muito sem graça. Assuntos muito sérios, tragédias diárias, ando bem comportada, até a Bíblia estou lendo de novo.
Até que a Mirinha me telefona.
Telefonema da Mirinha é BOMBA!
Com certeza.
E sempre sobra pra mim...Lembram quando ela declarou "Sou Gay"e os filhos fizeram o maior escândalo? Levaram a Mirinha pra psicóloga, meio a força.
Então...Mirinha se apaixonou pela dita psicóloga. Toda terça, mesmo com chuva e trovoada
( sempre, todas as tardes, cidadezinha chuvedoura, esta Curitiba ), a Mirinha está lá, nem imagino o que ela fala pra outra...
Voltando ao telefonema, ou melhor, à BOMBA, o assunto agora não é mais os "Cinquenta Tons", a Mirinha leu todos da trilogia, ficava molhadinha e só falava no gostosão e nos dedos do gostosão...etc...ainda bem que criança não lê meu blog.
O assunto agora é a psicóloga e os filmes 1 e 2 De Pernas pro Ar, que ela me levou pra ver. Ver os filmes, não a psicóloga, essa é segredo e também é uma grana e não sei, a Mirinha volta muito animada! Só sei que desde que começaram as sessões ( da psicóloga), a Mirinha só fala em sexo. E depois dos filmes com Ingrid Guimarães e Maria Paula, o assunto são os brinquedinhos eróticos do filme.
- Bella, onde compro o octopussy da loja da Ingrid? Como se usa?Lembra? vendido em todo mundo, até pra gaúcha e índia... - a Mirinha, no telefone, quase uma da madruga, eu nem conseguia abrir o olho, quanto mais decodificar a mensagem...
- Mirinha, querida, isso é coisa de cinema, não tem na realidade, foi algo inventado para OS FILMES, pernas pro ar nesta hora não dá, amiga! Vai dormir, amanhã vamos de novo ao cinema, TÁ BOM?
- Mas eu estou apaixonada pelo coelhinho também! - a Mirinha quando quer uma coisa, fica muito chata.
- Deverias falar desses teus delírios com tua psicóloga, quem sabe ela te dá uns conselhos...- eu nunca fui fazer consultas, nem quero, Freud já dizia que tudo é sexo, e os parafusos da Mirinha desta vez se soltaram todos. Os parafusos e a libido...
- Tenho uma ideia: escrevo no twitter da Ingrid e peço a ela o endereço da loja que vende coelhinho - foi só o que me ocorreu, quem sabe Mirinha me deixa dormir...
(O coelho do filme é esse aí no lado, toda mulher que dorme com um desses, fica muito feliz...isso nos filmes.)
Acho que deu certo, minha amiga ficou calada. Um segundo apenas.
- Tenho até um nome pro meu coelhinho, vai se chamar Obama, não é lindo? Discreto, poderoso...
- Obama? Tá mais pra Detonador...( Quem viu o filme, sabe que toda mulher tem muitos orgasmos com esse ingênuo coelhinho).
Só quero ver onde ela vai esconder o brinquedo. Com a Páscoa chegando, o que todo mundo quer é um coelhinho animado...e bem dotado! Até eu!
Quem ainda não viu "De Pernas pro Ar - 1 e 2 ", não sabe o que está perdendo...
A vida começa aos 60 anos. ATUALIZANDO...a vida começa aos 74. Agora, já estou com 75. A pandemia do Corona Vírus passou. A COVID se transformou em doença, que precisamos tomar vacina todos os anos, o vírus se transformou em coisa igual sarampo. POR ENQUANTO, estou escrevendo, copiando crônicas que escrevi nesses tempos de estranheza numa realidade de idosa. QUANDO eu ficar velha, talvez não tenha vontade de escrever mais. Agora estou com 77 anos. Vou registrar alguma coisa do meu diário.
MINHA VIDA É UM PALCO
Somos como atores neste palco que é o mundo, as cenas são os dias e noites, e o roteiro quem escreve é a VIDA!A vida depois dos 60. É começar novo, novos horizontes, um mundo diferente e muito mais LEVE! A gente está sempre começando, sempre aprendendo...E aos 60 anos, a gente nasce de novo! A minha Infância da Maturidade! COMO SERÁ NOS 70?Na minha ADOLESCÊNCIA da Maturidade...CHEGUEI! Cheguei chegando imaginando a vida toda...70 ANOS! BÓRA LÁ QUE A VIDA TÁ PASSANDO!!!E até uma PANDEMIA!Nunca pensei ...De repente, ficar presa em casa, sozinha. Se sair, o CORONA VÍRUS pega. Horrível todo mundo sem se tocar.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
A EUTANÁSIA DA DOR
Eu preciso ser feliz. A qualquer preço. Nem que para isso precise de uma pílula mágica que mexa diretamente no meu pedaço do cérebro responsável por sentir ou não sentir. principalmente, ficar sem sentir opressão, dor, tristeza. Hoje tem a Fluoxetina. Há alguns anos, Vallium, Prozac, Lexotan...quem não tomou? Antes, mais, vinha bem água de melissa, cidreira, maracujina...
Eu morro de medo da insônia. Fico acordada, silêncio da noite, os pensamentos invasivos, dali a pouco estou fazendo contas sobre quanto devo pagara e a grana não alcança,quanto mais não quero pensar, mais a dívida aumenta, de repente, já estou no banco pedindo um empréstimo...A coisa cresce, a madrugada aumenta o monstro, e se tem alguém na família doente, pior, já morre...Mas se eu tomar um remedinho, nada disso vai acontecer.
A cada dia surge uma droga ainda mais milagrosa, com ela posso ter o sono dos justos, o sonho dos anjos ou nenhum sonho, depende da boleta.
Pra que sofrer, se um bom psiquiatra, daqueles bem caro, resolve desde saldo bancário até o buraco no peito pela morte de alguém querido? Aquele remédio do congresso médico, com tudo pago, pode ser até nas Bahamas, eles voltam com as novidades...um Rivotril, ou Olcadil ou sei lá...já deve ter novidades, gotas mágicas, bolinhas coloridas, até uma picada pra apagar de vez...
É a eutanásia da dor... Mesmo que, com a morte da dor, também morra a nossa capacidade de sentir todo o resto.
sábado, 23 de fevereiro de 2013
NA BOCA DO MONTE ou Uma Tragédia Engole a Outra
De volta ao Rio Grande do meu coração, depois de passar o melhor carnaval do mundo no Cassino, com meu marzão, vento e areia , churrasco na praia, amigos, parentes, uma grande festa, "me fui"pro centro do RS. De buzão, quase sete da tarde, quase chegando em Santa Maria, os outdors em branco com imensas letras pretas LUTO. O clima quente ficou pesado, uma cidade toda em luto. Santa Maria. Fevereiro de 2013. Duas semanas depois do dia 27 de janeiro. O choque não foi maior do que os dias seguintes. Cada momento de lembrança deságua nos olhos e aperta a garganta. Não sei quantos anos levaremos sentindo toda a dor da tragédia que levou mais de 200 sonhos e desejos de apenas uma noite de prazer. Quando tem gente nossa, a desgraça é maior. A dor coletiva oprime o peito, fiquei assim em 11 de setembro de 2001, pessoas muito queridas andavam por lá. O desastre da TAM, parentes de amigos. Naquele domingo, a TV mostrando o incêndio, eu em Curitiba,sobrinhos jovens em Santa Maria. Enquanto não ouvi a voz deles no telefone, quase morri de angústia, um desespero de medo. Presenciei uma cidade em LUTO. As imagens toda hora entrando em nossas mentes. Cada pessoa tinha alguém conhecido ou filho ou aluno ou colega que morreu na câmara de gás da boate, ou esmagado pelos próprios colegas. A tragédia ainda vai assombrar todo mundo por muito tempo. Pela eternidade, nas famílias que perderam seus jovens. Doeu muito essa minha visita a Santa Maria.
Mas a vida nos empurra para a frente, e as lembranças nos mandam para trás, e por muitos anos fiquei com um trauma cada vez que ouvia falar em Santa Maria. Acho que eu tinha 8 anos, lá por 1950... Podem dizer que foi uma bobagem de criança, mas doeu por muito tempo. Como pode...Foi assim: Minha família vinha de Uruguaiana para Porto Alegre, tudo na Kombi zero km, pai, mãe, 5 irmãos nos bancos de trás,fogão, panelas, bujão de gás, comida, tinha que cozinhar, uma ponte com sombra na estrada de chão, e dormir em Santa Maria, metade do caminho, pois a viagem durava dois dias.
Parentes Antunes do meu pai, ficamos na casa deles,acho que na Bozano, ficava numa das subidas e descidas, não é à toa que chamam Santa Maria da Boca do Monte. Então, noitinha, pra dar uma folga na casa dos parentes, meu pai contou uns pilas e deu pra minha irmã mais velha comprar sorvete, UMA bola pra cada. A sorveteria, duas quadras lá em cima, nós acostumados com a horizontalidade de Uruguaiana...Na volta, descendo a lomba, emocionada com a casquinha e a bola de sorvete de chocolate, tinha até pena de lamber a obra de arte. Tropecei, a bola voou longe. Esborrachou na calçada. Chorei demais. Ninguém me ajudou ou me ofereceu sequer uma lambidinha...Quem mandou ser abobada...Bem assim. Jurei que nunca mais voltaria naquela cidade. Durante anos odiei Santa Maria. Uma bola de sorvete. Uma grande perda para aquela criança. Por muito tempo sonhei com "aquela" bola de sorvete. Como odiei Santa Maria.Queria tanto que hoje a dor fosse por causa de uma bola de chocolate.
Mas a vida nos empurra para a frente, e as lembranças nos mandam para trás, e por muitos anos fiquei com um trauma cada vez que ouvia falar em Santa Maria. Acho que eu tinha 8 anos, lá por 1950... Podem dizer que foi uma bobagem de criança, mas doeu por muito tempo. Como pode...Foi assim: Minha família vinha de Uruguaiana para Porto Alegre, tudo na Kombi zero km, pai, mãe, 5 irmãos nos bancos de trás,fogão, panelas, bujão de gás, comida, tinha que cozinhar, uma ponte com sombra na estrada de chão, e dormir em Santa Maria, metade do caminho, pois a viagem durava dois dias.
Parentes Antunes do meu pai, ficamos na casa deles,acho que na Bozano, ficava numa das subidas e descidas, não é à toa que chamam Santa Maria da Boca do Monte. Então, noitinha, pra dar uma folga na casa dos parentes, meu pai contou uns pilas e deu pra minha irmã mais velha comprar sorvete, UMA bola pra cada. A sorveteria, duas quadras lá em cima, nós acostumados com a horizontalidade de Uruguaiana...Na volta, descendo a lomba, emocionada com a casquinha e a bola de sorvete de chocolate, tinha até pena de lamber a obra de arte. Tropecei, a bola voou longe. Esborrachou na calçada. Chorei demais. Ninguém me ajudou ou me ofereceu sequer uma lambidinha...Quem mandou ser abobada...Bem assim. Jurei que nunca mais voltaria naquela cidade. Durante anos odiei Santa Maria. Uma bola de sorvete. Uma grande perda para aquela criança. Por muito tempo sonhei com "aquela" bola de sorvete. Como odiei Santa Maria.Queria tanto que hoje a dor fosse por causa de uma bola de chocolate.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
SOMOS O QUE VIVEMOS
Meu filho andava por aí com a família. ( Tenho meus andarilhos, adoram sair por aí.)
Indonésia, Bali, um paraíso de águas transparentes e cultura muito diferente da nossa. Religião, miscelânea mais budista, em Bali, ainda com costumes muito antes de os ocidentais e muçulmanos chegarem na Indonésia, então, o povo muito diferente. Mas para meus netos, gente é gente, ela, minha THE FIRST, nascida em Connecticuc nos EUA e falando também português, ele, meu aussie, nascido em Sydney, crescido na Aus, meu filho e minha nora BRASILEIROS, que amam o Brasil todos eles, mas viajando por esse mundo de Deus e vendo cada coisa...
Hoje eu quero contar uma coisa que mexeu muito comigo, pois sou uma defensora de que a cultura é o que faz o Homem.
Meu neto, convivendo com os nativos de Bali, viu os gurizinhos como ele vendendo artesanatos, coisa que no RS tem os índios que também fazem o mesmo, só que não têm os dólares de turistas de Bali e artesanato mais rico; eles, os balineses, são muito mais antigos que nós.
Meu Felipe viu os meninos de Bali vendendo coisas aos turistas,imaginem tudo que existe em Bali, famosa pelos batiks, colares, mergulhos, móveis, comidas...
Sem muita conversa, pegou algumas conchas e cordas, fez colares e saiu a vender, assim como osamiguinhos balineses.
- How much? - perguntavam os turistas.
- Five dólar -e vinha a pechincha normal, tudo tem pechincha, faz parte - tá bem, pode ser one - e sorria, feliz pelo trabalho.
Que dizer dessa experiência? A vida como ela é. Em Bali.
Somos ou não resultado da cultura?
Falei pro meu filho:
- Quando ele voltar ao Brasil, vai querer fazer malabares nas sinaleiras, quem sabe vender balinhas de goma nas janelas de carros...
É tão bom sentir como as pessoas vivem!
Meus netinhos MB.
Preciso registrar essas histórias...
Indonésia, Bali, um paraíso de águas transparentes e cultura muito diferente da nossa. Religião, miscelânea mais budista, em Bali, ainda com costumes muito antes de os ocidentais e muçulmanos chegarem na Indonésia, então, o povo muito diferente. Mas para meus netos, gente é gente, ela, minha THE FIRST, nascida em Connecticuc nos EUA e falando também português, ele, meu aussie, nascido em Sydney, crescido na Aus, meu filho e minha nora BRASILEIROS, que amam o Brasil todos eles, mas viajando por esse mundo de Deus e vendo cada coisa...
Hoje eu quero contar uma coisa que mexeu muito comigo, pois sou uma defensora de que a cultura é o que faz o Homem.
Meu neto, convivendo com os nativos de Bali, viu os gurizinhos como ele vendendo artesanatos, coisa que no RS tem os índios que também fazem o mesmo, só que não têm os dólares de turistas de Bali e artesanato mais rico; eles, os balineses, são muito mais antigos que nós.
Sem muita conversa, pegou algumas conchas e cordas, fez colares e saiu a vender, assim como osamiguinhos balineses.
- How much? - perguntavam os turistas.
- Five dólar -e vinha a pechincha normal, tudo tem pechincha, faz parte - tá bem, pode ser one - e sorria, feliz pelo trabalho.
Que dizer dessa experiência? A vida como ela é. Em Bali.
Somos ou não resultado da cultura?
Falei pro meu filho:
- Quando ele voltar ao Brasil, vai querer fazer malabares nas sinaleiras, quem sabe vender balinhas de goma nas janelas de carros...
É tão bom sentir como as pessoas vivem!
Meus netinhos MB.
Preciso registrar essas histórias...
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
OS SENTIMENTOS SÃO MAIORES DO QUE NOSSAS IDEIAS
Depois de toda confusão com o pessoal da Mirinha, finalmente penso que terei paz por uns dias. Vou ler, estou com minhas leituras em atraso. Os 3 últimos livros que li foram os 50 tons. Foi um esforço e tanto, nem vou resumir, vou apenas comentar que comprei o primeiro, "Cinquenta Tons de Cinza", porque ouvi tanto comentário e minha sobrinha advogada intelectual ganhou do namorado também advogado e também intelectual.
- Deve ser bom - pensei. No aeroporto de Porto Alegre, adquiri o the best, na lista da Veja. Comecei a ler no avião, vindo pra Curitiba. E fiquei vermelha, e me deu uns calores, e olhei pros lados, vá que alguém me pegue com esse livro, escondi-o dentro de uma revista da Tam, a aeromoça me perguntou se queria algo pra beber, "com bastante gelo, por favor" eu pedi, e o homem de 50 tons continuava com os dedos na mocinha, é, isso mesmo, é bem onde estão pensando...Um quarto vermelho com sofá de couro preto, cama redonda, algemas, chicotes, até palmada ele deu nela...A mocinha virgem, primeiro namorado, ele CEO bilionário, lindo de morrer e...bem taradinho...como é muito rico, é claro que deve ser por algum trauma. Gente! O enredo não interessa quando há tanta novidade sexual ( novidade?).
No outro dia, ainda lendo os 50 tons, agora já em casa, sem olhares para a capa do livro, toca o telefone: só falta ser a Mirinha. Não era, era minha filha:
- Mãe, que estás fazendo?
- Estou lendo, toda molhadinha.
- Que que é isso, veia? Andou comprando algum aparelhinho? - ela sempre acha que eu uso coisas...
- Não, minha filha, estou lendo "Cinquenta Tons..."
A pobrezinha nem sabia da existência desse livro, coitadinha, é professora, só trabalha e cuida do filho e do marido...Nem tentei explicar, apenas falei que o livro era sobre sexo. Pronto. Bastou pra escutar: "Mãe, vai caminhar, sai de casa, vai fazer hidro...andas lendo demais..."- será?
Pois é...li também "Cinquenta Tons Mais Escuros"e "Cinquenta Tons de Liberdade", já habituada com os dedos do moço e alegria da moça, já não mais moça...
Falei dessas minhas leituras para as minhas amigas, é uma briga para quem lê primeiro, um rodízio foi organizado, todo mundo está lendo...Pobres dos maridos...
Enquanto isso, minha psicóloga está me convencendo a ir dançar, quem sabe arranjar um namorado, que eu ando muito nervosa, até me mandou procurar um psiquiatra pra tomar uns ansiolíticos... Eu, que sempre fui tão controladinha nas minhas ideias( coisa estranha essa "ideias" sem acento, nem parece ).
Sartre tinha razão - foi ele ou a Simone? - quando falou:
"Os sentimentos são maiores do que nossas idéias".
Tenho que parar de ler. Mexe demais. Com os sentimentos, claro.
Postei essa foto de um amiguinho no meu blog...
juro que não tem nada a ver com ideias e sentimentos...
- Deve ser bom - pensei. No aeroporto de Porto Alegre, adquiri o the best, na lista da Veja. Comecei a ler no avião, vindo pra Curitiba. E fiquei vermelha, e me deu uns calores, e olhei pros lados, vá que alguém me pegue com esse livro, escondi-o dentro de uma revista da Tam, a aeromoça me perguntou se queria algo pra beber, "com bastante gelo, por favor" eu pedi, e o homem de 50 tons continuava com os dedos na mocinha, é, isso mesmo, é bem onde estão pensando...Um quarto vermelho com sofá de couro preto, cama redonda, algemas, chicotes, até palmada ele deu nela...A mocinha virgem, primeiro namorado, ele CEO bilionário, lindo de morrer e...bem taradinho...como é muito rico, é claro que deve ser por algum trauma. Gente! O enredo não interessa quando há tanta novidade sexual ( novidade?).
No outro dia, ainda lendo os 50 tons, agora já em casa, sem olhares para a capa do livro, toca o telefone: só falta ser a Mirinha. Não era, era minha filha:
- Mãe, que estás fazendo?
- Estou lendo, toda molhadinha.
- Que que é isso, veia? Andou comprando algum aparelhinho? - ela sempre acha que eu uso coisas...
- Não, minha filha, estou lendo "Cinquenta Tons..."
A pobrezinha nem sabia da existência desse livro, coitadinha, é professora, só trabalha e cuida do filho e do marido...Nem tentei explicar, apenas falei que o livro era sobre sexo. Pronto. Bastou pra escutar: "Mãe, vai caminhar, sai de casa, vai fazer hidro...andas lendo demais..."- será?
Pois é...li também "Cinquenta Tons Mais Escuros"e "Cinquenta Tons de Liberdade", já habituada com os dedos do moço e alegria da moça, já não mais moça...
Falei dessas minhas leituras para as minhas amigas, é uma briga para quem lê primeiro, um rodízio foi organizado, todo mundo está lendo...Pobres dos maridos...
Enquanto isso, minha psicóloga está me convencendo a ir dançar, quem sabe arranjar um namorado, que eu ando muito nervosa, até me mandou procurar um psiquiatra pra tomar uns ansiolíticos... Eu, que sempre fui tão controladinha nas minhas ideias( coisa estranha essa "ideias" sem acento, nem parece ).
Sartre tinha razão - foi ele ou a Simone? - quando falou:
"Os sentimentos são maiores do que nossas idéias".
Tenho que parar de ler. Mexe demais. Com os sentimentos, claro.
Postei essa foto de um amiguinho no meu blog...
juro que não tem nada a ver com ideias e sentimentos...
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
SOU GAY 3 - A arteira artista
Mirinha declarou para a família que é gay. ( Ver SOU GAY 1). Todo mundo se indignou com ela. ( Ver SOU GAY 2). Hoje a coisa ficou pior: o sobrinho da Mirinha que mora em São Chico - baita grosso - se veio de lá de mala e cuia e arranjou uma consulta com uma psicóloga daqui de Curitiba. Nem preciso dizer que foram os filhos da Mirinha que chamaram o primo. E sobrou pra mim: se reuniram todos na minha casa, como se a mais maluca de minhas amigas estivesse em estado terminal.
- Tia - o sobrinho da Mirinha me chama de tia - tem que haver um jeito de levar tia Mirinha para uma sessão. Vamos primeiro nessa psicóloga, diz-que cavoca lá nos fundos dos sentimentos e descobre o que anda remexendo nos miolos da tia.
Os filhos da Mirinha concordavam em tudo com o guri, que já tem seus quarenta, e que se acha entendido das psico pois fez análise, nem sei o motivo, mas sabe tudo de Freud.
- É aí que me refiro, se eu chego assim, tia Mirinha não vai aceitar se tratar. A Senhora convence tia Mirinha? A consulta é hoje, às 3 da tarde. Aqui perto, no Água Verde.
Eu já estava preparada: tudo que é bomba, estoura na minha mão.
- Olha aqui, guris - olhei bem na cara deles - vocês vão falar com Mirinha. Se ela topar, eu vou com ela, tá?
Eles me abraçaram, até com lágrimas nos olhos ( só podia ser nos olhos, né?). Sairam os três, eu mais atrás, meus joelhos doendo, nem na hidro tenho ido desde que começou essa função.
A surpresa foi enorme com a reação da Mirinha: "Psicóloga? Tá. Que horas? Aonde?" Os guris se olharam, nem precisava ter chamado o primo. Ou será que a Mirinha se assustou com a chegada do sobrinho? Esse guri é famoso por andar armado e com faca...O que importa é que às 3 da tarde não fui só eu; parecia uma procissão. Nem tinha lugar no consultório. A psicóloga arregalou os olhos quando viu o monte de gente. Deu uma olhada meio enviesada e fixou-se em mim.
- A Mirinha é ela - apontei, minha amiga toda chic, perfume Chanel 5, colar da moda desses que parece uma gola.
A moça da recepção nos mostrou poltronas como dizendo pra sentar e calar, Mirinha levantou o nariz e saiu pisando forte, na frente da pessoa que iria resolver seus ( e nossos) problemas.
Minha situação cada vez se complicava mais. Eu bem sabia que tudo era uma invenção, mas não podia trair minha amiga. E ela conseguiu chamar a atenção de toda a família. Os guris nos celulares, mandando mensagem até para o Papa, I-Pad, I-Phone, tudo que é novidade da Apple, chegavam e-mails, e eles pareciam enlouquecidos com seus brinquedinhos, o tempo não passava, era uma hora de consulta.
Finalmente, ABRE-SE A PORTA DO CONSULTÓRIO. Beijinho de longe na psicóloga, um tchauzinho bem comportado pra moça, a cara da Mirinha era de cinema!
- Vamos? - Olhou pra nós, fazendo caras e bocas.
Saímos em fila indiana, silêncio total. E fomos assim até a casa do pivô de toda essa novela.
- E daí, tia? - o sobrinho de São Chico teve coragem, falou forte, mal entramos no carro.
- Em casa conversamos - Mirinha falou apenas movendo os lábios. Muito séria.
Chegamos. Noras, netos, cschorros, acho que até vizinhos, parecia festa de aniversário - ou velório, nem sei. Mirinha se jogou no sofá e começou uma choradeira coletiva, os netos aproveitando pra comer os bombons da mesa, cachorros pulando em todo mundo, uma bagunça.
- Preciso de mais algumas consultas - Mirinha gritou. Estou entrando em depressão, vocês me confundem. Nem sei mais quem sou eu. EU SÓ SEI QUE NADA SEI!( essa frase ela ouviu ontem num programa de TV, tenho certeza).
- Bueno, tia, se é pra ficar boa, então tá. Mas essa coisa de...
- De gay? É isso que preocupa vocês? Então, podem ficar sossegados. Não quero mais nada de nada. Fico assim, jogada às traças, como uma pobre velha que não curte mais nada. Curtir, agora, só no FACE. Tá bom assim?
Palmas, abraços, beijos, suspiros... O tradicional ataque à geladeira. Família é tudo igual. Escândalos à parte, Mirinha mais uma vez conseguiu ser o centro. Luzes, câmeras, ação.
Amanhã, minha amiguinha vai pendurar na sala seu novo quadro. Só eu sei o que vai acontecer. PODE?
- Tia - o sobrinho da Mirinha me chama de tia - tem que haver um jeito de levar tia Mirinha para uma sessão. Vamos primeiro nessa psicóloga, diz-que cavoca lá nos fundos dos sentimentos e descobre o que anda remexendo nos miolos da tia.
Os filhos da Mirinha concordavam em tudo com o guri, que já tem seus quarenta, e que se acha entendido das psico pois fez análise, nem sei o motivo, mas sabe tudo de Freud.
- É aí que me refiro, se eu chego assim, tia Mirinha não vai aceitar se tratar. A Senhora convence tia Mirinha? A consulta é hoje, às 3 da tarde. Aqui perto, no Água Verde.
Eu já estava preparada: tudo que é bomba, estoura na minha mão.
- Olha aqui, guris - olhei bem na cara deles - vocês vão falar com Mirinha. Se ela topar, eu vou com ela, tá?
Eles me abraçaram, até com lágrimas nos olhos ( só podia ser nos olhos, né?). Sairam os três, eu mais atrás, meus joelhos doendo, nem na hidro tenho ido desde que começou essa função.
A surpresa foi enorme com a reação da Mirinha: "Psicóloga? Tá. Que horas? Aonde?" Os guris se olharam, nem precisava ter chamado o primo. Ou será que a Mirinha se assustou com a chegada do sobrinho? Esse guri é famoso por andar armado e com faca...O que importa é que às 3 da tarde não fui só eu; parecia uma procissão. Nem tinha lugar no consultório. A psicóloga arregalou os olhos quando viu o monte de gente. Deu uma olhada meio enviesada e fixou-se em mim.
- A Mirinha é ela - apontei, minha amiga toda chic, perfume Chanel 5, colar da moda desses que parece uma gola.
A moça da recepção nos mostrou poltronas como dizendo pra sentar e calar, Mirinha levantou o nariz e saiu pisando forte, na frente da pessoa que iria resolver seus ( e nossos) problemas.
Minha situação cada vez se complicava mais. Eu bem sabia que tudo era uma invenção, mas não podia trair minha amiga. E ela conseguiu chamar a atenção de toda a família. Os guris nos celulares, mandando mensagem até para o Papa, I-Pad, I-Phone, tudo que é novidade da Apple, chegavam e-mails, e eles pareciam enlouquecidos com seus brinquedinhos, o tempo não passava, era uma hora de consulta.
Finalmente, ABRE-SE A PORTA DO CONSULTÓRIO. Beijinho de longe na psicóloga, um tchauzinho bem comportado pra moça, a cara da Mirinha era de cinema!
- Vamos? - Olhou pra nós, fazendo caras e bocas.
Saímos em fila indiana, silêncio total. E fomos assim até a casa do pivô de toda essa novela.
- E daí, tia? - o sobrinho de São Chico teve coragem, falou forte, mal entramos no carro.
- Em casa conversamos - Mirinha falou apenas movendo os lábios. Muito séria.
Chegamos. Noras, netos, cschorros, acho que até vizinhos, parecia festa de aniversário - ou velório, nem sei. Mirinha se jogou no sofá e começou uma choradeira coletiva, os netos aproveitando pra comer os bombons da mesa, cachorros pulando em todo mundo, uma bagunça.
- Preciso de mais algumas consultas - Mirinha gritou. Estou entrando em depressão, vocês me confundem. Nem sei mais quem sou eu. EU SÓ SEI QUE NADA SEI!( essa frase ela ouviu ontem num programa de TV, tenho certeza).
- Bueno, tia, se é pra ficar boa, então tá. Mas essa coisa de...
- De gay? É isso que preocupa vocês? Então, podem ficar sossegados. Não quero mais nada de nada. Fico assim, jogada às traças, como uma pobre velha que não curte mais nada. Curtir, agora, só no FACE. Tá bom assim?
Palmas, abraços, beijos, suspiros... O tradicional ataque à geladeira. Família é tudo igual. Escândalos à parte, Mirinha mais uma vez conseguiu ser o centro. Luzes, câmeras, ação.
Amanhã, minha amiguinha vai pendurar na sala seu novo quadro. Só eu sei o que vai acontecer. PODE?
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
SOU GAY 2 - RESPOSTAS
Domingo a Mirinha surpreendeu toda a família. Depois de uma noite de insônia, resolveu sacudir a rotina e declarou: "Eu sou gay. Cansei de procurar um homem de verdade, agora quero uma mulher que me complete". Mas ela não tinha noção de como essa simples confissão fosse provocar uma revolução.
- Criei meus filhos sem discriminar ninguém, nossos amigos são pessoas, não importa se têm pele, religião, sexo, diferente, todos somos parte deste Planeta. Só não suportamos político ladrão do povo, esses que roubam da saúde, da educação.
- Isso eu já sei, Mirinha. Me conta a novidade - tive que interromper minha amiga, quando ela começa a discursar, ninguém aguenta.
- Só porque eu disse que agora sou gay, todo esse escândalo.
- Não tinhas me contado essa tua nova opção...
- Opção coisa nenhuma, é uma brincadeira, eu queria criar polêmica, queria que eles se preocupassem comigo, que vissem como estou carente - Mirinha falou como se fosse uma pobre velhinha abandonada...
- Amiga - falei devagar, para que ela caísse na real e assumisse que não é uma velhinha carente, mas uma maluca que atormenta todo mundo com seus delírios - isso não é preconceito nem discriminação, é que eles te amam...
- Então ouve: meu cunhado de Uruguaiana, sabe, o estancieiro das olivas, me ligou e me encheu a osso. Disse que não tenho vergonha, onde já se viu, expor assim a família, botou até meus filhos no meio, disse que eu deixei meu filho usar brinco, que ando em campos de nudismo, que preciso voltar imediatamente pro Rio Grande, conviver com macho pra me acalmar...E o outro, de Santa Maria, pensei que fosse uma pessoa aberta, me falou que desde que meu marido morreu eu fiquei desmiolada...onde se viu, um veterinário, ficar tão indignado...Até o marido da minha irmã mais velha, me ofereceu a casa dele e que consegue alguma coisa pra eu me acalmar...
- Ó Mirinha, não achas que está na hora de desdizer toda essa tua mais nova invenção? Se não é verdade ( neste momento, até eu estava meio preocupada, não pelo gay, mas pelo escândalo inesperado), esclarece de vez, para com essa bobagem de querer chamar a atenção, daqui a pouco te interditam.
- Sabe - Mirinha baixou a voz, como num segredo - estou a-do-ran-do essa função toda. Nunca recebi tantos telefonemas.
Essa é a Mirinha, minha amiga, louca amiga, estou até concordando com ela, meu pai dizia "FALEM MAL, FALEM BEM, MAS FALEM DE MIM". Contei isso pra Mirinha, até me arrependo, e ela me olhou bem na cara: "Teu pai era cheio de sabedoria".
Bueno, vamos ver até onde isso vai dar...(A filharada da Mirinha está sem se comunicar com ela desde domingo).
- Criei meus filhos sem discriminar ninguém, nossos amigos são pessoas, não importa se têm pele, religião, sexo, diferente, todos somos parte deste Planeta. Só não suportamos político ladrão do povo, esses que roubam da saúde, da educação.
- Isso eu já sei, Mirinha. Me conta a novidade - tive que interromper minha amiga, quando ela começa a discursar, ninguém aguenta.
- Só porque eu disse que agora sou gay, todo esse escândalo.
- Não tinhas me contado essa tua nova opção...
- Opção coisa nenhuma, é uma brincadeira, eu queria criar polêmica, queria que eles se preocupassem comigo, que vissem como estou carente - Mirinha falou como se fosse uma pobre velhinha abandonada...
- Amiga - falei devagar, para que ela caísse na real e assumisse que não é uma velhinha carente, mas uma maluca que atormenta todo mundo com seus delírios - isso não é preconceito nem discriminação, é que eles te amam...
- Então ouve: meu cunhado de Uruguaiana, sabe, o estancieiro das olivas, me ligou e me encheu a osso. Disse que não tenho vergonha, onde já se viu, expor assim a família, botou até meus filhos no meio, disse que eu deixei meu filho usar brinco, que ando em campos de nudismo, que preciso voltar imediatamente pro Rio Grande, conviver com macho pra me acalmar...E o outro, de Santa Maria, pensei que fosse uma pessoa aberta, me falou que desde que meu marido morreu eu fiquei desmiolada...onde se viu, um veterinário, ficar tão indignado...Até o marido da minha irmã mais velha, me ofereceu a casa dele e que consegue alguma coisa pra eu me acalmar...
- Ó Mirinha, não achas que está na hora de desdizer toda essa tua mais nova invenção? Se não é verdade ( neste momento, até eu estava meio preocupada, não pelo gay, mas pelo escândalo inesperado), esclarece de vez, para com essa bobagem de querer chamar a atenção, daqui a pouco te interditam.
- Sabe - Mirinha baixou a voz, como num segredo - estou a-do-ran-do essa função toda. Nunca recebi tantos telefonemas.
Essa é a Mirinha, minha amiga, louca amiga, estou até concordando com ela, meu pai dizia "FALEM MAL, FALEM BEM, MAS FALEM DE MIM". Contei isso pra Mirinha, até me arrependo, e ela me olhou bem na cara: "Teu pai era cheio de sabedoria".
Bueno, vamos ver até onde isso vai dar...(A filharada da Mirinha está sem se comunicar com ela desde domingo).
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