MINHA VIDA É UM PALCO

MINHA VIDA É UM PALCO
Somos como atores neste palco que é o mundo, as cenas são os dias e noites, e o roteiro quem escreve é a VIDA!A vida depois dos 60. É começar novo, novos horizontes, um mundo diferente e muito mais LEVE! A gente está sempre começando, sempre aprendendo...E aos 60 anos, a gente nasce de novo! A minha Infância da Maturidade! COMO SERÁ NOS 70?Na minha ADOLESCÊNCIA da Maturidade...CHEGUEI! Cheguei chegando imaginando a vida toda...70 ANOS! BÓRA LÁ QUE A VIDA TÁ PASSANDO!!!E até uma PANDEMIA!Nunca pensei ...De repente, ficar presa em casa, sozinha. Se sair, o CORONA VÍRUS pega. Horrível todo mundo sem se tocar.

domingo, 13 de junho de 2021

Minha Companhia Neste Último Ano: LUCINDA RILEY.

 

                                                                                      
 Ao abrir o celular, o Google dizia: MORRE LUCINDA RILEY AOS 55 ANOS. A escritora irlandesa lutava há quase cinco anos com um câncer.  Eu fiquei em choque. Como MORRE? Ela não é personagem, Ela é quem dá vida e história às pessoas. Escritora, um de seus livros chegou às minhas mãos não sei como, comecei a ler e até semana passada ainda estava relendo AS SETE IRMÃS, que eu tinha emprestado para alguém que não me devolveu, e eu queria ler de novo,  achei num sebo e comprei-o para ter nas minhas coisas, minhas joias, meus livros. Li A Irmã da Lua, a da Sombra, a da Pérola, a da Tempestade e estou esperando as duas que faltam. Não sei se a sétima irmã foi encontrada. Só Lucinda sabe. Sabia. E ainda tenho mais seis livros dela que também me ajudaram a passar esse tempo de solidão dentro de casa nesta pandemia horrível. Enquanto eu  me sentia cada vez mais próxima de Lucinda, imaginando que vida maravilhosa ela levava, em  suas viagens de pesquisa para contextualizar seus personagens, ela lutava para viver ; nunca deixou qualquer sintoma ou dor aparecer em suas obras. Cada livro, cada aventura era uma viagem em culturas diferentes.No último que eu li, a personagem vai da Inglaterra para Austrália, são mais de cem anos desde os aborígenes, o comércio de pérolas, os mistérios de Uluru, e a vida em Adelaide, um aconchego.  Obrigada, Lucinda. 

 Viajei por  todo o mundo com Lucinda. E agora, ela MORRE. " O momento é tudo que temos", ela disse. 

11 de junho de 2021.   


A família de Lucinda divulgou a seguinte mensagem:


"Aos amigos e leitores de Lucinda em todo o mundo,

Lamentamos informar que Lucinda morreu pacificamente esta manhã, cercada por sua família, que era tão importante para ela. Percebemos que será um choque terrível para a maioria das pessoas, que não sabem que Lucinda está lutando contra o câncer há quatro anos. 

Durante esses quatro anos, Lucinda escreveu 5 romances, e esta semana, The Missing Sister é o número 1 nas paradas de livros em todo o mundo. 

Lucinda tocou a vida de todos aqueles que conheceu e daqueles que viraram as páginas de suas histórias. Ela irradiava amor e bondade em tudo o que fazia e continuará a nos inspirar para sempre. 

Acima de tudo, Lucinda amava a vida e vivia cada momento ao máximo. 

Em suas próprias palavras:


'Por meio da dor e da alegria da jornada, aprendi a lição mais importante que a vida pode oferecer e estou feliz por isso.

O momento é tudo o que temos. ' 




quarta-feira, 9 de junho de 2021

O DIA EM QUE A TERRA PIROU

                                                                                                                                                           ????????????????????

Eu estava toda exibida com um trabalho para apresentar às amigas Gatas, impresso, prontinha para participar de nossa reunião de segunda, era minha vez,  até com exercícios para casa. Já estava escolhendo uma roupa bem bonita, faz 12 anos que não dou aula. Imagina a ansiedade, precisava de um tchan! 

-  Mãe, vou fazer o teste da COVID-19. Estou com todos os sintomas, febre, dor no corpo, dor de garganta, o médico mandou fazer o teste da Covid e já me deu até atestado, oito dias e quarentena. Estou me sentindo muito mal, muitas dores, acho que estou com febre. Estou indo fazer o teste de cotonete. Dizem que é horrível.

Parece que fiquei anestesiada. 

- Vamos esperar o resultado do teste. Vou pra tua casa.

- Mãe, entende: agora estou isolada, não posso fazer contato com ninguém até sair o resultado do teste . Se der positivo, to ferrada!

Passou um filme pela minha cabeça, e se precisasse de respirador? E os hospitais todos repletos, toda hora passam reportagens com pessoas sofrendo até em macas nos corredores, até dentro de ambulâncias, que m...

Não tem o que fazer. É esperar. Parou. Parou o tempo. Nunca tive medo desse vírus. Aqui não vai ter. Na minha família, não. É só se cuidar. Eu até faço máscaras pra todos com puro algodão de milhões de fios, tem álcool pra todo mundo. 

- Quando sair o resultado do COVID, eu te passo um whats.

As duas orações no whats. Um período composto com duas orações. Uma principal , a outra subordinada adverbial temporal, ou condicional se fosse SE. Aquela palavra piscando, era apenas uma palavra, agora era o terrorismo do século. O COVID.  A COVID. Não sei mais. Não sei mais como se escreve. Está ali, COVID: o monstro tomou forma. Um teste. O mundo está em um teste. O vácuo. Fiquei no vácuo do tempo. Sentei-me na cama. 

Mas o celular continuava no bip bip.

Outra mensagem,era a  a diarista. Preciso tirar o som do celular. Dizia ela:  Estou esperando o teste. E eu, sozinha, sentada na cama. Não sei que horas são. Também, não interessa. Estou esperando o resultado do teste.Ouço a mensagem : 

- Dona Gladis, não vou poder ir hoje. Estou na UPA, vim consultar. Estou com todos os sintomas do COVID, febre, dor no corpo, dor de garganta, o médico já me mandou fazer o teste. Estou aguardando. Agora, entre 18 e 40 anos, fazem na hora pois as pessoas nessa faixa de idade estão na rua, podemos estar espalhando o vírus.Vai levar uns 15 minutos. 

Outro teste. Vou esperar outro teste. Será que sou eu que estou infectando todo mundo ao meu redor? De repente, tem COVID na minha casa, eu não sinto porque estou bem vacinada. Tomei 2 doses mais da gripe. Duas pessoas que convivem comigo. estão infectadas pelo corona-19.

Celular de novo. Chamada:

- Dona Gladis, deu POSITIVO. A médica mandou todo mundo fazer teste. Na minha casa e na sua. 

Eu respondi:

- Já te deram os remédios? Cuidado, cloroquina não resolve! Tem falta de ar?

- Sim, me deram remédios e  muitas vitaminas, também. E quarentena. Estou respirando bem. Não preciso de hospital. Vou fazer o tratamento em casa. Toda minha família também tem que fazer teste.

Bah. O vírus está mucho louco, pegando todo mundo. 

O Covid? A Covid? 

Resolvi pesquisar, eu não conseguia pensar se não soubesse o que era isso.  

* COVID-19 : O COVID-19 OU A COVID-19

Por que grafamos A COVID, e não O COVID? 

Recorremos ao artigo COVID-19,  publicado por Marcelo Módolo, professor da FFLCH-USP e pesquisador do CNPq, e Henrique Braga, doutor em Filologia e Língua Portuguesa pela FFLCH-USP, ( Jornal da USP)


La Organización Mundial de la Salud ha propuesto la abreviación COVID-19 (a partir de COronaVIrus + Disease ‘enfermedad’ + [20]19).

El acrónimo COVID-19 que nombra la enfermedad causada por el SARS-CoV-2 se usa normalmente en masculino (el COVID-19) por influjo del género de coronavirus y de otras enfermedades víricas (el zika, el ébola), que toman por metonimia el nombre del virus que las causa. Aunque el uso en femenino (la COVID-19) está justificado por ser enfermedad (disease en inglés) el núcleo del acrónimo (COronaVIrus Disease), el uso mayoritario en masculino, por las razones expuestas, se considera plenamente válido.

La Organización Mundial de la Salud ha propuesto la abreviación COVID-19 (a partir de COronaVIrus + Disease ‘enfermedad’ + [20]19).

El acrónimo COVID-19 que nombra la enfermedad causada por el SARS-CoV-2 se usa normalmente en masculino (el COVID-19) por influjo del género de coronavirus y de otras enfermedades víricas (el zika, el ébola), que toman por metonimia el nombre del virus que las causa. Aunque el uso en femenino (la COVID-19) está justificado por ser enfermedad (disease en inglés) el núcleo del acrónimo (COronaVIrus Disease), el uso mayoritario en masculino, por las razones expuestas, se considera plenamente válido.


Portanto, COronaVIrus Disease . COrona VIrus Doença. A Doença do Coronavírus. A COVID.


UFA! Agora tudo  esclarecido. Foi bem assim. 

O DIA EM QUE A TERRA PAROU. 

Não. PIROU. 





sábado, 29 de maio de 2021

MEU MAIS NOVO BRINQUEDO

 



Comprei. Um LEPTOP, ou NOTEBOOK, que eu chamo de computador. Para poder escrever. 

Coisa ruim escrever no celular. Ainda sou do tempo de precisar de tela grande, tecla grande, bater numa e sair uma letra escolhida. No celular, o dedo acerta na letra errada e as palavras se criam sozinhas, até se manda mensagem que não devia. 

Agora vem o pior: escrever sobre o quê. 

Nesta pandemia, converso com o rádio, com a TV, comigo mesma, com o whats. 

Um dia, tenho a sensação de que a vida voltou ao normal. Daqui a pouco, a cor de uma bandeira avisa que tudo vai fechar de novo. Está uma bagunça, ninguém mais sabe o que fecha, o que abre,o que pode, o que não pode.  Aquele passeio com a turma de 3 já era...

A tão esperada  vacina salvadora chegou pra mim, pela minha idade já tomei duas doses, pensei que poderia borboletear tranquila. Que nada! A máscara continua na minha cara, fica em casa, se caires não tem cama de hospital, quase meio milhão de mortos, medo que o vírus pegue um parente, realidade, cuidado, respeito, terrorismo, pandemia é isso.

...Mas...Como não falar de flores? Como deixar de abraçar as crianças, os filhos, os amigos? Tomei essa  vacina pra quê? 

Pois a vida continua, sempre, como uma onda no mar, sempre volta.

Este meu novo brinquedo vai me ajudar a levantar todos os dias e dizer: Bom dia, Vida! Gratidão, hoje. Amanhã, será(?). Mesmo que o pão seja caro e a liberdade, pequena.  A  ordem do dia é a de espalhar felicidade, um cumprimento, um sorriso, uma Esperança. Minha árvore está no fim do outono, e continua cheia de folhas!  


GENOCIDA PSICOPATA OU PSICOPATA GENOCIDA?

 

E aqui estamos quase metade de abril de 2021.

Depois de um LOCKDOWN estranho:

- era para as pessoas não saíssem  pra rua, pra não se aglomerarem, 

-era para evitar que o vírus circulasse, que evitasse o contágio e que só os mais sensíveis pegassem o vírus - atenção:um vírus modificado, agora denominado de variante brasileira, não é mais aquele Corona19, é um que ninguém conhece e que é mais forte e letal 

- era uma estatística de  mais gente morrendo que nascendo,

- ENTÃO:   ESTAMOS SENDO EXTINTOS DA FACE DA TERRA,

- ENTÃO:  só vão ficar os mais fortes...seleção natural? Quem definiu esta seleção natural? Quem é tão forte, a escolher quem nasce, quem  morre, quem fica vivo, aonde, por quê?

O que é SELEÇÃO NATURAL, hoje? 

No Brasil, a resposta vem do homem que nossa democracia escolheu para representar a vontade dos brasileiros.  

Minha geração lutou pela democracia. Tenho que respeitar a decisão da maioria. De uma maioria que talvez esteja arrependida.

 "Votei nele, pois queria tirar a esquerda do governo", "Votei nele para acabar com a corrupção do PT", "Votei nele, pois vai liberar as armas". "Votei nele para trazer de volta Ordem e Progresso"","Votei nele pois vai governar em nome de DEUS!, as razões que ouvi para eleger o homem que HOJE quer que o vírus nos mate. O homem que prega uma SELEÇÃO NATURAL comandada pelo dinheiro, pelo poder. Quem puder  comprar a VACINA, já comprou.   OS FORTES

Quem leu POLIMERASE sabe como o laboratório escondido nas areias do deserto fabrica tudo que o homem precisa. 

Quem tem dinheiro, vai para os EUA e toma vacina de graça.

Quem tiver acesso à vacina e às drogas que protegem contra o vírus, esse sobreviverá. 

Nós, os comuns mortais brasileiros, seremos extintos. 

Em escala maior que no resto mundo.

O Brasil, hoje, é o epicentro da multiplicação do vírus, temos até um vírus naturalizado brasileiro, e somos o país em que morrem pessoas aos milhares, todos os dias. 

"Deixa que morram, alguém tem que morrer numa pandemia, ainda bem que a maioria é de velhos".Já ouvi isso. Numa LIVE. 

Estamos sendo EXTINTOS. DIARIAMENTE. Em nome do senhor.

 

OS FORTES são os que podem comprar e vender tudo que o mundo precisa. 

OS FORTES NÃO SERÃO INFECTADOS. 


Ontem, vi um programa  na TV em que várias pessoas analisavam esta nossa situação. Uma psicóloga, Martha Suplicy, mais política que psicóloga, mas que estudou a conduta do presidente do Brasil e diagnosticou: ELE é um PSICOPATA, está vendo os brasileiros morrerem pela  pandemia e ignora essa realidade, ELE tem UMA  ideia imutável de que aglomeração não tem vírus, fala que o comércio não pode fechar, admite que alguém vai morrer, se for seu pai, mãe ou filho, que morra! Isso é atitude de GENOCIDA. Está matando até seus eleitores...Não importa pra ele.  O presidente...  ELE está fechado com pessoas pagas para o aplaudirem, gente que ganha salários e vantagens para concordar com o extermínio de brasileiros. Ele, o Presidente, diz que só toma vacina quem quer, é contra a Organização Mundial da Saúde, não fala em trazer mais vacinas, não usa máscara pois acha bobagem o contágio, ignora a situação dos hospitais, de falta de gente e de camas, aliás, nem fala em assistência.E as pessoas morrem.  E NINGUÉM consegue calar a pessoa que devia cuidar do POVO que o elegeu. Um presidente que se diz em nome de um deus que proclama a seleção  

 

O PSICOPATA não sente arrependimento.  

sexta-feira, 19 de março de 2021

VACINA PARA TODOS?

 VACINA

Pensei que estaria escrevendo sobre o fim da pandemia. Estamos em  1 de MARÇO DE 2021.

A expectativa de vencer a guerra contra o Coronavírus só chegou com o trabalho mundial de cientistas: uma vacina. 

A simples ideia de que já existia vacina, gerou uma euforia em todos os cantos do Planeta.E o povo saiu pra rua, esquecendo que o vírus existe, e esse chegou no Brasil de forma arrasadora.

A realidade é que os hospitais estão lotados, UTI cheias, pessoas morrendo sem conseguir sequer uma consulta, a guerra está nos vencendo. 

E eu, no meu pequeno mundo, estou cheia de dores  no corpo todo, acho que são as dores do meu Brasil, à deriva de um plano nacional de reação contra a pandemia. Parece um filme de terror. 

Meu Universo se fechou ao meu redor. E nem pensar em procurar um atendimento de urgência, o negócio é tomar remédio e rezar para não ter que chamar os filhos. Também estão cheios de problemas, e estamos com medo de pegar esse vírus, precisamos proteger nossos netos. 


Dia 19 de março de 2021.

Tudo igual. Vacina chegando devagar, autoridades já não sabem mais como agir.

Se fecha todo mundo pra evitar o contágio, as pessoas não têm de onde tirar dinheiro para viver, ou melhor, para sobreviver. Empresas fechando. Quem não sai pra vender qualquer coisa, o comércio de rua proibido, como comer? 

Tenho medo de um Blade Runner, de um Apocalypse, pessoas morrendo de fome, matando para comer...Mas se saírem pra trabalhar, o vírus pega e não tem remédio, nem médico, nem cama...

Então, recebo uma mensagem de whats:

"Guria, vai escrever, bota no blog tuas ideias, que essas dores são da pandemia...Não são do teu corpo. Elas pertencem ao Universo, precisas voltar...Um dia a pandemia vai ser vencida, quando a vacina chegar para todos. Acredita. "

Estou na janela, observando os carros . Falta meia hora para poderem acabar de trafegar na cidade. Lockdown.  Ficarão apenas os muito necessários. A cidade precisa parar. O vírus de circular. Uma guerra que não se sabe de onde vem a bala. Precisamos nos esconder de nós mesmos. 

Resolvi escrever. Um tempo em que esqueci que havia dor, que havia corpo. 

Amanhã vou escrever. 

                                                                        Escondidos?





 

Esses meus DEPOIS DOS 70 estão muito chatos. 

Uma sobrinha com COVID, uma amiga com suspeita de COVID, o vírus cada vez mais perto e nada de vacina pra minha idade.  

A vacina que os humanos cientistas conseguiram desenvolver para evitar o vírus chegou no mundo, mas não chegou pra todos. 



terça-feira, 28 de julho de 2020

ESTOU CONHECENDO O BRASIL depois dos meus 70


Depois dos 70 eu escrevi que esperava muitas surpresas.
Não imaginava que seriam tantas e nunca esperadas. Tem uma rádio que diz "Em vinte minutos, tudo pode mudar", bem assim, muda mesmo. Mas nem sempre.Tem dias que não tem nada que preencha o vazio de um confinado em casa, ontem foi um movimento no meu whatss,  parecia que todos os amigos queriam contar alguma novidade, os grupos queriam voltar pro mexemexe, tinha série nova na Netflix, filme bom na Globoplay, vizinho trazendo bolinho de aveia, comprar frutas novas no mercadinho, pintar cabelo, aula de Espiritualidade, exercício pra coluna no CQV, o dia foi muito cheio. Amiga na Holanda, eram 10 da noite e lá ainda tinha sol, parecia cinema,foi lindo de morrer. Acho que ontem teve 30 horas. Mas...pra tudo tem um mas...Jurei não fazer mais isso, fi-lo porque qui-lo. Não conseguia dormir e liguei a TV em notícias. O mundo entrou direto na minha casa. Brasileiros nos quadradinhos. Depoimentos de gente que nesse dia perderam alguém para a face escura da morte. Eu até tinha esquecido que estamos em uma pandemia. Nós, brasileiros, sendo os primeiros numa estatística trágica. Até na minha cidade, até então sem nenhum caso fatal, agora chorando a perda de uma pessoa muito querida.
27 de julho de 2020.
Não consegui desligar a TV.
A minha solidão de confinada com um dia tão cheio de gente no meu celular agora era trágica, olhando pra telona e as gentes de todo meu Brasil lembrando de pai, mãe, filho, amigo, irmão,médico, enfermeiro, dentista, motorista, prima, que morreu vítima do corona vírus. Pequenos relatos, o contexto de cada pessoa, o desespero contido pela máscara com um microfone, as fotos de quem se foi, a dor concretizada e dividida com os telespectadores. Estatísticas da pandemia no Brasil. O olhar atrás da máscara queria um conforto, uma explicação, queria gritar sua dor, pedia pra mim um novo olhar, era uma pessoa, não era um número. E ainda tinha força pra me pedir pra me cuidar, "não quero que sintas a dor que estou sentindo, meu marido morreu porque não teve leito na UTI".  Mas aqui na cidade que eu moro tem tudo, pensei. Bons hospitais, plano de saúde, se eu for infectada serei bem assistida. Mas as imagens de dor e revolta continuavam...Lugares sem acesso, sem médicos, sem cama, pessoas até então invisíveis. Milhares. Milhões.Eu queria não ver mais. Desligar a TV.
Egoísta. Foi bem assim que me senti. Egoísta. Reclamando de ter que ficar sozinha em casa. Que sentimento é esse? Será que é essa presença diária da morte?O que é a vida frente a falta de um respirador? O que é a precariedade de tudo, agora escancarada no meu Brasil do futuro que chegou tão abandonado?
Li nem sei quantos livros, revistas, vi documentários, acompanhei revoluções, saía pra rua pela liberdade, era o MEU País!Eu sabia tudo sobre o MEU país. NADA, sabia apenas o que todo mundo via. Do país abençoado por Deus e bonito por natureza, foi instituída a miséria de um povo escravizado pelos sucessivos governos de desatinos humanos.
Nesta pandemia, o Brasil foi obrigado a mostrar a cara. Não tem mais como esconder.
Estampadas pelas lentes  instantâneas de milhares de câmeras, não tem mais como esconder a realidade que nunca quisemos ver. Enquanto alguns continuam a acumular riquezas que não lhes pertencem, aumentam os sem salário, sem trabalho, sem dignidade.
Uma luz hoje no túnel é solidariedade, essa coisa que o povo faz para o povo, eque vemos chegarem sacolas de alimentos em lugares nunca mostrados, pessoas que agradecem por um prato de comida, filas que aumentam diariamente porque a pandemia é uma guerra sem tempo definido pra acabar.
Aqui dentro está tudo bem. Ali fora, também. Mas, escondidos pela discriminação da miséria, existe um povo que a bandeira empresta a toda tirania.
 As cenas de uma febre espanhola, de uma peste negra se repetiriam nas praças, nos parques, nos shoppings, nos supermercados...pessoas matando para comer, mães furando os dedos para alimentar os filhos.Isso eu li em livros sobre guerras e tragédias. Ficção ou realidade. 

Não sei se tenho coragem de publicar este texto. Mas é uma história de verdade. Sou otimista e realista, talvez com toda essa tragédia a política seja revisada para o que realmente se propõe: o bem do povo. De TODO o povo.
BELLABEREG, Curitiba, dia 28 de julho de 2020.

Abc do Abc - abrindo a cabeça

sábado, 25 de julho de 2020

A REVOLUÇÃO DOS NETOS - Vovó na Pandemia

Netos da VÓ GLADIS

Tania Carvalho, no Sábado na Gaúcha, falou agora sobre A Revolução dos Bichos, de George Orwell. Nada a ver com o título A REVOLUÇÃO DOS NETOS. Ou com o Empoderamento dos Idosos. Ou tem muito a ver. Pois amanhã é o dia que os avós inventaram para ganhar presentes. E abracinhos e beijinhos dos netos. 
Porém...parece que com a pandemia, a gente vai ganhar é beijinhos pela tela.Uma serenata na frente de casa. Cartazes lá embaixo, no prédio. E a gente na janela com lágrimas de agradecimentos pela homenagem. Ou Whatts, Zoom, etc...balão, bolo, cartazes, e isso faz tão bem, só temos que agradecer, é o que temos pra hoje, Graças a Deus, esses momentos vão encantar nossa memória. 
Nós, os AVÓS.Eles, os NETOS: Uma experiência surreal, como nascer de novo com cada milagre no mundo, cada bebezinho, cada criança, um adolescente, os adultos sempre netinhos, a Esperança renovada. Mais tranquilas e felizes estão as famílias, que desde o início da pandemia moram na mesma casa. Se cuidar dos netinhos era uma obrigação, hoje é uma vantagem. Minha realidade é outra. Moro sozinha. Assim como a realidade de muitas amigas desta fase de avó idosa, aposentada.
Este confinamento,este distanciamento, os almoços de domingo que agora não tem, nos deram um mundo diferente. Egoisticamente, a gente reclama. 

A reflexão de hoje vai no rumo inverso, imaginar como estão os netinhos nesta quarentena. Principalmente os pequeninos. 
Preciso contextualizar.Gaúcha, gosto de contar histórias:

Miami:aprendendo com LUISA 
Minha primeira neta nasceu em New Haven, Connecticut, e mora no outro lado do mundo, Austrália: Luisa, THE FIRST. Ser a primeira neta é aguentar overdose de avó.   Ainda bem que já existia o Skype,  aqui meio dia, lá meia noite, fim de semana eu olhava os filminhos do Sapo não lava o pé,  cada semana uma novidade, uma vez por ano a gente se encontrava presencialmente e era uma festa. Neste mês, Luisa fez 18 anos. Estamos falando sobre filmes e livros.
Luisa, Felipe e vovó em Byron Bay

 Meu segundo neto também muito longe, Felipe,o australiano, longe e muito perto por todo o amor de vó e neto. Muito esporte, futebol, gremista como o pai e o avô, vovó aplaude tudo!

Vinicius e vovó em show de rock
Meio mês depois veio o terceiro, Vinicius, o curitibano, não tão longe, Curitiba, mas pra quem é de Uruguaiana como eu, tudo é longe. No meu exílio em Curitiba esse neto me fez companhia nos momentos mais difíceis de adaptação.
Felipe e Vinicius meus adolescentes de hoje.


Minha mala no Cassino: Vinicius e Felipe
 E eu viajava pelo Planeta: avião, ônibus, carro, como dava nas férias anuais pra lá ou em feriadão aqui, só pra ver os netos.E a alegria quando todos iam visitar a vovó Gladis no meu paraíso de Mar, no Cassino, vovó trabalhando todo dia mas sempre com muita comida, bebida, doces, energia de Bellagamba,  aquela bagunça em deixar os netos fazerem tudo e os pais culpando a vó por mal ensinar os netos e dar picolé toda hora, e eu nem tchum pra eles, afinal, ser vó é não ter vergonha de ser feliz.


Malu e Martin, BIGOS da vó.
  Então, chegaram os BIGOS.(BIGOS:de minha autoria, proibida a cópia).
 Foi um Renascimento pra toda minha Pequena Amada Grande Família. Malu e Martin, Curitibanos. A convivência desde antes até o nascimento, o compromisso de me manter a postos, cuidado pra amar muito sem atrapalhar, estamos aqui, mais de três anos com essas crianças iluminadas.  Morando a uma quadra da casa deles, numa capital como Curitiba, eu mais de 70 anos, com muito tempo disponível, e também com muitas articulações endurecidas. Mas sempre disposta a enfrentar até uma pandemia pra dividir esta fatia do tempo com todos, conectada com os de longe e com os de perto, assumindo ser avó de longe. E de perto. 
BIGOS e VÓ

Ironia, parece: tão perto, e tão longe. Vovó não pode fazer isso. Vovó tem que ficar em casa. Stay safe, stay inspired.
Hoje, 25 de julho de 2020. mais de cem dias em estado de guerra contra o Covid19, estou utilizando todas as armas para enfrentar esse vírus, enquanto não chega a vacina. Consulto todas as fontes seguras que explicam como se comportar frente ao avanço dessa pandemia e como evitar contágio e propagação. 
Tá, depois de toda essa história, por que REVOLUÇÃO DOS NETOS?
Porque acho que,  se eu fosse netinha hoje, eu faria como fizeram os BIGOS, na minha visita das quinta-feiras, quando vim pra casa: 
- Tchau Martin, tchau Malu, vovó vai pra casa dela. (Não sei por que a gente fala em terceira pessoa, preciso mudar isso)
Martin me puxou pela mão e falou:
- Não vai pra casa. Vai ficar com Martin. 
- Eu preciso fazer comida, arrumar minha casa-falei.
-Vó - Malu foi até a porta, abriu os braços - não vai, vó.A Vó não pode. Você fica pra brincar.
Martin também correu pra aumentar a barreira. 
Foi a REVOLUÇÃO DOS NETOS. 
Está mais fácil chegar lá, na casa deles, tantos cuidados aqui fora. Difícil é voltar.Não sei como consegui abrir a porta. Não vou contar que saí chorando, não sou frouxa(?).Acho que estou ficando velha, eu sempre me despedi de netos e ficava firme. Mas os pequeninos...Como entender a despedida física nessa idade? Eles, meus BIGOS, têm argumentos e estratégias nunca imaginadas...Fico pasma! Tipo: Tem corona vírus na sua casa!
Por isso, está cada vez mais difícil dizer tchau. 
Não é apenas apertar na bolinha vermelha do celular. 

Netos revolucionários. 
Ainda bem.
Juro que não tenho culpa. 




Amanhã, dia 26, também é aniversário do meu pai. Adão Antunes Bellagamba.Vô Adão. Feriado em Uruguaiana. 


Minha mãe, a Vó Zoé, com os netos mais velhos
(tudo não estragado)


E se a gente pudesse ter uma casa como a do meu pai e da minha mãe,na XV,  
onde a gente deixava os filhos, e a vó simplesmente deixava todos fazendo não-sei-o-quê, 
e a gente confiava tanto na vó, tudo que ela fazia e dizia estava bem, não existia aquilo de que
 "a vó estraga os netos".
E a gente tem que procurar uma psicóloga pra aprender a ser vó 2020.