MINHA VIDA É UM PALCO

MINHA VIDA É UM PALCO
Somos como atores neste palco que é o mundo, as cenas são os dias e noites, e o roteiro quem escreve é a VIDA!A vida depois dos 60. É começar novo, novos horizontes, um mundo diferente e muito mais LEVE! A gente está sempre começando, sempre aprendendo...E aos 60 anos, a gente nasce de novo! A minha Infância da Maturidade! COMO SERÁ NOS 70?Na minha ADOLESCÊNCIA da Maturidade...CHEGUEI! Cheguei chegando imaginando a vida toda...70 ANOS! BÓRA LÁ QUE A VIDA TÁ PASSANDO!!!E até uma PANDEMIA!Nunca pensei ...De repente, ficar presa em casa, sozinha. Se sair, o CORONA VÍRUS pega. Horrível todo mundo sem se tocar.

sábado, 29 de maio de 2021

MEU MAIS NOVO BRINQUEDO

 



Comprei. Um LEPTOP, ou NOTEBOOK, que eu chamo de computador. Para poder escrever. 

Coisa ruim escrever no celular. Ainda sou do tempo de precisar de tela grande, tecla grande, bater numa e sair uma letra escolhida. No celular, o dedo acerta na letra errada e as palavras se criam sozinhas, até se manda mensagem que não devia. 

Agora vem o pior: escrever sobre o quê. 

Nesta pandemia, converso com o rádio, com a TV, comigo mesma, com o whats. 

Um dia, tenho a sensação de que a vida voltou ao normal. Daqui a pouco, a cor de uma bandeira avisa que tudo vai fechar de novo. Está uma bagunça, ninguém mais sabe o que fecha, o que abre,o que pode, o que não pode.  Aquele passeio com a turma de 3 já era...

A tão esperada  vacina salvadora chegou pra mim, pela minha idade já tomei duas doses, pensei que poderia borboletear tranquila. Que nada! A máscara continua na minha cara, fica em casa, se caires não tem cama de hospital, quase meio milhão de mortos, medo que o vírus pegue um parente, realidade, cuidado, respeito, terrorismo, pandemia é isso.

...Mas...Como não falar de flores? Como deixar de abraçar as crianças, os filhos, os amigos? Tomei essa  vacina pra quê? 

Pois a vida continua, sempre, como uma onda no mar, sempre volta.

Este meu novo brinquedo vai me ajudar a levantar todos os dias e dizer: Bom dia, Vida! Gratidão, hoje. Amanhã, será(?). Mesmo que o pão seja caro e a liberdade, pequena.  A  ordem do dia é a de espalhar felicidade, um cumprimento, um sorriso, uma Esperança. Minha árvore está no fim do outono, e continua cheia de folhas!  


GENOCIDA PSICOPATA OU PSICOPATA GENOCIDA?

 

E aqui estamos quase metade de abril de 2021.

Depois de um LOCKDOWN estranho:

- era para as pessoas não saíssem  pra rua, pra não se aglomerarem, 

-era para evitar que o vírus circulasse, que evitasse o contágio e que só os mais sensíveis pegassem o vírus - atenção:um vírus modificado, agora denominado de variante brasileira, não é mais aquele Corona19, é um que ninguém conhece e que é mais forte e letal 

- era uma estatística de  mais gente morrendo que nascendo,

- ENTÃO:   ESTAMOS SENDO EXTINTOS DA FACE DA TERRA,

- ENTÃO:  só vão ficar os mais fortes...seleção natural? Quem definiu esta seleção natural? Quem é tão forte, a escolher quem nasce, quem  morre, quem fica vivo, aonde, por quê?

O que é SELEÇÃO NATURAL, hoje? 

No Brasil, a resposta vem do homem que nossa democracia escolheu para representar a vontade dos brasileiros.  

Minha geração lutou pela democracia. Tenho que respeitar a decisão da maioria. De uma maioria que talvez esteja arrependida.

 "Votei nele, pois queria tirar a esquerda do governo", "Votei nele para acabar com a corrupção do PT", "Votei nele, pois vai liberar as armas". "Votei nele para trazer de volta Ordem e Progresso"","Votei nele pois vai governar em nome de DEUS!, as razões que ouvi para eleger o homem que HOJE quer que o vírus nos mate. O homem que prega uma SELEÇÃO NATURAL comandada pelo dinheiro, pelo poder. Quem puder  comprar a VACINA, já comprou.   OS FORTES

Quem leu POLIMERASE sabe como o laboratório escondido nas areias do deserto fabrica tudo que o homem precisa. 

Quem tem dinheiro, vai para os EUA e toma vacina de graça.

Quem tiver acesso à vacina e às drogas que protegem contra o vírus, esse sobreviverá. 

Nós, os comuns mortais brasileiros, seremos extintos. 

Em escala maior que no resto mundo.

O Brasil, hoje, é o epicentro da multiplicação do vírus, temos até um vírus naturalizado brasileiro, e somos o país em que morrem pessoas aos milhares, todos os dias. 

"Deixa que morram, alguém tem que morrer numa pandemia, ainda bem que a maioria é de velhos".Já ouvi isso. Numa LIVE. 

Estamos sendo EXTINTOS. DIARIAMENTE. Em nome do senhor.

 

OS FORTES são os que podem comprar e vender tudo que o mundo precisa. 

OS FORTES NÃO SERÃO INFECTADOS. 


Ontem, vi um programa  na TV em que várias pessoas analisavam esta nossa situação. Uma psicóloga, Martha Suplicy, mais política que psicóloga, mas que estudou a conduta do presidente do Brasil e diagnosticou: ELE é um PSICOPATA, está vendo os brasileiros morrerem pela  pandemia e ignora essa realidade, ELE tem UMA  ideia imutável de que aglomeração não tem vírus, fala que o comércio não pode fechar, admite que alguém vai morrer, se for seu pai, mãe ou filho, que morra! Isso é atitude de GENOCIDA. Está matando até seus eleitores...Não importa pra ele.  O presidente...  ELE está fechado com pessoas pagas para o aplaudirem, gente que ganha salários e vantagens para concordar com o extermínio de brasileiros. Ele, o Presidente, diz que só toma vacina quem quer, é contra a Organização Mundial da Saúde, não fala em trazer mais vacinas, não usa máscara pois acha bobagem o contágio, ignora a situação dos hospitais, de falta de gente e de camas, aliás, nem fala em assistência.E as pessoas morrem.  E NINGUÉM consegue calar a pessoa que devia cuidar do POVO que o elegeu. Um presidente que se diz em nome de um deus que proclama a seleção  

 

O PSICOPATA não sente arrependimento.  

sexta-feira, 19 de março de 2021

VACINA PARA TODOS?

 VACINA

Pensei que estaria escrevendo sobre o fim da pandemia. Estamos em  1 de MARÇO DE 2021.

A expectativa de vencer a guerra contra o Coronavírus só chegou com o trabalho mundial de cientistas: uma vacina. 

A simples ideia de que já existia vacina, gerou uma euforia em todos os cantos do Planeta.E o povo saiu pra rua, esquecendo que o vírus existe, e esse chegou no Brasil de forma arrasadora.

A realidade é que os hospitais estão lotados, UTI cheias, pessoas morrendo sem conseguir sequer uma consulta, a guerra está nos vencendo. 

E eu, no meu pequeno mundo, estou cheia de dores  no corpo todo, acho que são as dores do meu Brasil, à deriva de um plano nacional de reação contra a pandemia. Parece um filme de terror. 

Meu Universo se fechou ao meu redor. E nem pensar em procurar um atendimento de urgência, o negócio é tomar remédio e rezar para não ter que chamar os filhos. Também estão cheios de problemas, e estamos com medo de pegar esse vírus, precisamos proteger nossos netos. 


Dia 19 de março de 2021.

Tudo igual. Vacina chegando devagar, autoridades já não sabem mais como agir.

Se fecha todo mundo pra evitar o contágio, as pessoas não têm de onde tirar dinheiro para viver, ou melhor, para sobreviver. Empresas fechando. Quem não sai pra vender qualquer coisa, o comércio de rua proibido, como comer? 

Tenho medo de um Blade Runner, de um Apocalypse, pessoas morrendo de fome, matando para comer...Mas se saírem pra trabalhar, o vírus pega e não tem remédio, nem médico, nem cama...

Então, recebo uma mensagem de whats:

"Guria, vai escrever, bota no blog tuas ideias, que essas dores são da pandemia...Não são do teu corpo. Elas pertencem ao Universo, precisas voltar...Um dia a pandemia vai ser vencida, quando a vacina chegar para todos. Acredita. "

Estou na janela, observando os carros . Falta meia hora para poderem acabar de trafegar na cidade. Lockdown.  Ficarão apenas os muito necessários. A cidade precisa parar. O vírus de circular. Uma guerra que não se sabe de onde vem a bala. Precisamos nos esconder de nós mesmos. 

Resolvi escrever. Um tempo em que esqueci que havia dor, que havia corpo. 

Amanhã vou escrever. 

                                                                        Escondidos?





 

Esses meus DEPOIS DOS 70 estão muito chatos. 

Uma sobrinha com COVID, uma amiga com suspeita de COVID, o vírus cada vez mais perto e nada de vacina pra minha idade.  

A vacina que os humanos cientistas conseguiram desenvolver para evitar o vírus chegou no mundo, mas não chegou pra todos. 



terça-feira, 28 de julho de 2020

ESTOU CONHECENDO O BRASIL depois dos meus 70


Depois dos 70 eu escrevi que esperava muitas surpresas.
Não imaginava que seriam tantas e nunca esperadas. Tem uma rádio que diz "Em vinte minutos, tudo pode mudar", bem assim, muda mesmo. Mas nem sempre.Tem dias que não tem nada que preencha o vazio de um confinado em casa, ontem foi um movimento no meu whatss,  parecia que todos os amigos queriam contar alguma novidade, os grupos queriam voltar pro mexemexe, tinha série nova na Netflix, filme bom na Globoplay, vizinho trazendo bolinho de aveia, comprar frutas novas no mercadinho, pintar cabelo, aula de Espiritualidade, exercício pra coluna no CQV, o dia foi muito cheio. Amiga na Holanda, eram 10 da noite e lá ainda tinha sol, parecia cinema,foi lindo de morrer. Acho que ontem teve 30 horas. Mas...pra tudo tem um mas...Jurei não fazer mais isso, fi-lo porque qui-lo. Não conseguia dormir e liguei a TV em notícias. O mundo entrou direto na minha casa. Brasileiros nos quadradinhos. Depoimentos de gente que nesse dia perderam alguém para a face escura da morte. Eu até tinha esquecido que estamos em uma pandemia. Nós, brasileiros, sendo os primeiros numa estatística trágica. Até na minha cidade, até então sem nenhum caso fatal, agora chorando a perda de uma pessoa muito querida.
27 de julho de 2020.
Não consegui desligar a TV.
A minha solidão de confinada com um dia tão cheio de gente no meu celular agora era trágica, olhando pra telona e as gentes de todo meu Brasil lembrando de pai, mãe, filho, amigo, irmão,médico, enfermeiro, dentista, motorista, prima, que morreu vítima do corona vírus. Pequenos relatos, o contexto de cada pessoa, o desespero contido pela máscara com um microfone, as fotos de quem se foi, a dor concretizada e dividida com os telespectadores. Estatísticas da pandemia no Brasil. O olhar atrás da máscara queria um conforto, uma explicação, queria gritar sua dor, pedia pra mim um novo olhar, era uma pessoa, não era um número. E ainda tinha força pra me pedir pra me cuidar, "não quero que sintas a dor que estou sentindo, meu marido morreu porque não teve leito na UTI".  Mas aqui na cidade que eu moro tem tudo, pensei. Bons hospitais, plano de saúde, se eu for infectada serei bem assistida. Mas as imagens de dor e revolta continuavam...Lugares sem acesso, sem médicos, sem cama, pessoas até então invisíveis. Milhares. Milhões.Eu queria não ver mais. Desligar a TV.
Egoísta. Foi bem assim que me senti. Egoísta. Reclamando de ter que ficar sozinha em casa. Que sentimento é esse? Será que é essa presença diária da morte?O que é a vida frente a falta de um respirador? O que é a precariedade de tudo, agora escancarada no meu Brasil do futuro que chegou tão abandonado?
Li nem sei quantos livros, revistas, vi documentários, acompanhei revoluções, saía pra rua pela liberdade, era o MEU País!Eu sabia tudo sobre o MEU país. NADA, sabia apenas o que todo mundo via. Do país abençoado por Deus e bonito por natureza, foi instituída a miséria de um povo escravizado pelos sucessivos governos de desatinos humanos.
Nesta pandemia, o Brasil foi obrigado a mostrar a cara. Não tem mais como esconder.
Estampadas pelas lentes  instantâneas de milhares de câmeras, não tem mais como esconder a realidade que nunca quisemos ver. Enquanto alguns continuam a acumular riquezas que não lhes pertencem, aumentam os sem salário, sem trabalho, sem dignidade.
Uma luz hoje no túnel é solidariedade, essa coisa que o povo faz para o povo, eque vemos chegarem sacolas de alimentos em lugares nunca mostrados, pessoas que agradecem por um prato de comida, filas que aumentam diariamente porque a pandemia é uma guerra sem tempo definido pra acabar.
Aqui dentro está tudo bem. Ali fora, também. Mas, escondidos pela discriminação da miséria, existe um povo que a bandeira empresta a toda tirania.
 As cenas de uma febre espanhola, de uma peste negra se repetiriam nas praças, nos parques, nos shoppings, nos supermercados...pessoas matando para comer, mães furando os dedos para alimentar os filhos.Isso eu li em livros sobre guerras e tragédias. Ficção ou realidade. 

Não sei se tenho coragem de publicar este texto. Mas é uma história de verdade. Sou otimista e realista, talvez com toda essa tragédia a política seja revisada para o que realmente se propõe: o bem do povo. De TODO o povo.
BELLABEREG, Curitiba, dia 28 de julho de 2020.

Abc do Abc - abrindo a cabeça

sábado, 25 de julho de 2020

A REVOLUÇÃO DOS NETOS - Vovó na Pandemia

Netos da VÓ GLADIS

Tania Carvalho, no Sábado na Gaúcha, falou agora sobre A Revolução dos Bichos, de George Orwell. Nada a ver com o título A REVOLUÇÃO DOS NETOS. Ou com o Empoderamento dos Idosos. Ou tem muito a ver. Pois amanhã é o dia que os avós inventaram para ganhar presentes. E abracinhos e beijinhos dos netos. 
Porém...parece que com a pandemia, a gente vai ganhar é beijinhos pela tela.Uma serenata na frente de casa. Cartazes lá embaixo, no prédio. E a gente na janela com lágrimas de agradecimentos pela homenagem. Ou Whatts, Zoom, etc...balão, bolo, cartazes, e isso faz tão bem, só temos que agradecer, é o que temos pra hoje, Graças a Deus, esses momentos vão encantar nossa memória. 
Nós, os AVÓS.Eles, os NETOS: Uma experiência surreal, como nascer de novo com cada milagre no mundo, cada bebezinho, cada criança, um adolescente, os adultos sempre netinhos, a Esperança renovada. Mais tranquilas e felizes estão as famílias, que desde o início da pandemia moram na mesma casa. Se cuidar dos netinhos era uma obrigação, hoje é uma vantagem. Minha realidade é outra. Moro sozinha. Assim como a realidade de muitas amigas desta fase de avó idosa, aposentada.
Este confinamento,este distanciamento, os almoços de domingo que agora não tem, nos deram um mundo diferente. Egoisticamente, a gente reclama. 

A reflexão de hoje vai no rumo inverso, imaginar como estão os netinhos nesta quarentena. Principalmente os pequeninos. 
Preciso contextualizar.Gaúcha, gosto de contar histórias:

Miami:aprendendo com LUISA 
Minha primeira neta nasceu em New Haven, Connecticut, e mora no outro lado do mundo, Austrália: Luisa, THE FIRST. Ser a primeira neta é aguentar overdose de avó.   Ainda bem que já existia o Skype,  aqui meio dia, lá meia noite, fim de semana eu olhava os filminhos do Sapo não lava o pé,  cada semana uma novidade, uma vez por ano a gente se encontrava presencialmente e era uma festa. Neste mês, Luisa fez 18 anos. Estamos falando sobre filmes e livros.
Luisa, Felipe e vovó em Byron Bay

 Meu segundo neto também muito longe, Felipe,o australiano, longe e muito perto por todo o amor de vó e neto. Muito esporte, futebol, gremista como o pai e o avô, vovó aplaude tudo!

Vinicius e vovó em show de rock
Meio mês depois veio o terceiro, Vinicius, o curitibano, não tão longe, Curitiba, mas pra quem é de Uruguaiana como eu, tudo é longe. No meu exílio em Curitiba esse neto me fez companhia nos momentos mais difíceis de adaptação.
Felipe e Vinicius meus adolescentes de hoje.


Minha mala no Cassino: Vinicius e Felipe
 E eu viajava pelo Planeta: avião, ônibus, carro, como dava nas férias anuais pra lá ou em feriadão aqui, só pra ver os netos.E a alegria quando todos iam visitar a vovó Gladis no meu paraíso de Mar, no Cassino, vovó trabalhando todo dia mas sempre com muita comida, bebida, doces, energia de Bellagamba,  aquela bagunça em deixar os netos fazerem tudo e os pais culpando a vó por mal ensinar os netos e dar picolé toda hora, e eu nem tchum pra eles, afinal, ser vó é não ter vergonha de ser feliz.


Malu e Martin, BIGOS da vó.
  Então, chegaram os BIGOS.(BIGOS:de minha autoria, proibida a cópia).
 Foi um Renascimento pra toda minha Pequena Amada Grande Família. Malu e Martin, Curitibanos. A convivência desde antes até o nascimento, o compromisso de me manter a postos, cuidado pra amar muito sem atrapalhar, estamos aqui, mais de três anos com essas crianças iluminadas.  Morando a uma quadra da casa deles, numa capital como Curitiba, eu mais de 70 anos, com muito tempo disponível, e também com muitas articulações endurecidas. Mas sempre disposta a enfrentar até uma pandemia pra dividir esta fatia do tempo com todos, conectada com os de longe e com os de perto, assumindo ser avó de longe. E de perto. 
BIGOS e VÓ

Ironia, parece: tão perto, e tão longe. Vovó não pode fazer isso. Vovó tem que ficar em casa. Stay safe, stay inspired.
Hoje, 25 de julho de 2020. mais de cem dias em estado de guerra contra o Covid19, estou utilizando todas as armas para enfrentar esse vírus, enquanto não chega a vacina. Consulto todas as fontes seguras que explicam como se comportar frente ao avanço dessa pandemia e como evitar contágio e propagação. 
Tá, depois de toda essa história, por que REVOLUÇÃO DOS NETOS?
Porque acho que,  se eu fosse netinha hoje, eu faria como fizeram os BIGOS, na minha visita das quinta-feiras, quando vim pra casa: 
- Tchau Martin, tchau Malu, vovó vai pra casa dela. (Não sei por que a gente fala em terceira pessoa, preciso mudar isso)
Martin me puxou pela mão e falou:
- Não vai pra casa. Vai ficar com Martin. 
- Eu preciso fazer comida, arrumar minha casa-falei.
-Vó - Malu foi até a porta, abriu os braços - não vai, vó.A Vó não pode. Você fica pra brincar.
Martin também correu pra aumentar a barreira. 
Foi a REVOLUÇÃO DOS NETOS. 
Está mais fácil chegar lá, na casa deles, tantos cuidados aqui fora. Difícil é voltar.Não sei como consegui abrir a porta. Não vou contar que saí chorando, não sou frouxa(?).Acho que estou ficando velha, eu sempre me despedi de netos e ficava firme. Mas os pequeninos...Como entender a despedida física nessa idade? Eles, meus BIGOS, têm argumentos e estratégias nunca imaginadas...Fico pasma! Tipo: Tem corona vírus na sua casa!
Por isso, está cada vez mais difícil dizer tchau. 
Não é apenas apertar na bolinha vermelha do celular. 

Netos revolucionários. 
Ainda bem.
Juro que não tenho culpa. 




Amanhã, dia 26, também é aniversário do meu pai. Adão Antunes Bellagamba.Vô Adão. Feriado em Uruguaiana. 


Minha mãe, a Vó Zoé, com os netos mais velhos
(tudo não estragado)


E se a gente pudesse ter uma casa como a do meu pai e da minha mãe,na XV,  
onde a gente deixava os filhos, e a vó simplesmente deixava todos fazendo não-sei-o-quê, 
e a gente confiava tanto na vó, tudo que ela fazia e dizia estava bem, não existia aquilo de que
 "a vó estraga os netos".
E a gente tem que procurar uma psicóloga pra aprender a ser vó 2020. 

quinta-feira, 23 de julho de 2020

VELHO DISCRIMINADO?IDOSO EMPODERADO!



EMPODERAR é o verbo da moda.

Empoderamento da mulher, empoderamento do gay, empoderamento do negro, empoderamento do artista, empoderamento da gorda (não sei por que não falam do gordo),  e por aí vai. 
Pois eu estou na batalha do EMPODERAMENTO DO IDOSO. 
Com o isolamento total do grupo de risco nesta pandemia, necessário frente a um vírus inexplicável e terrível, os primeiros a serem confinados fomos NÓS, OS IDOSOS! Não houve uma triagem para ver se o idoso tinha OUTRAS doenças a não ser a idade, bastava ter mais de 60, pronto! Tranca o velho! Tinha até velho importante na TV ameaçando os outros velhos sem cargo público: "FIQUEM EM CASA, PÔ! Se continuarem a sair, vocês vão ver o que é bom!"
Moral da história: Os idosos foram encarcerados! 
- Vó, é pra te proteger do vírus!
- Mãe, se fores contaminada, vais pro hospital e nunca mais vou te ver...
- Vô, deixa de ser teimoso, não adianta sair escondido, o covid está te esperando lá fora.
- É pro teu bem, nós te amamos! 
- Reclamando de quê? Tem casa, comida, sofá, TV, celular pra ver os netinhos, ganha tudo na mão...

... E o tempo passando e a gente se acostumando. Afinal,meu dever cívico com mais de 70 é esperar a vacina, não vou preocupar a família.  Meu vizinho nem saiu de casa, pegou o corona e morreu. Foi muito triste. Tinha 80 anos e era cardíaco. A sobrinha da amiga da minha amiga não tinha doença, pegou o covid 19 no trabalho e se foi, com 23 anos. Tragédias diárias da pandemia. O vírus não faz discriminação.
Todo cuidado é pouco. Mas... Depois de mais de 100 dias, a cidade num abre e fecha, os velhos continuam velhos mais velhos e discriminados. Ou será que já foram esquecidos?  
Álcool gel, máscara, falar atrás da janela, estou condenada a não participar mais da sociedade. 
Até agora não vi nenhuma pesquisa sobre quantos idosos morreram do abandono físico, afetivo, mental. 
Doenças à parte, o velho foi discriminado. Olhado como apenas velho na certidão de nascimento, nunca mais na história deste país,  o velho foi respeitado pela salvação da humanidade. Foi transformado num problema social. O responsável pela crise na previdência. Um pária. Um teimoso. Uma ameaça. 
 Agora, apenas é responsável por não ocupar um leito. Imagine, uma colega da minha idade diz que se estiver num leito de hospital e chegar alguém com menos de 60, ela levanta da cama e dá lugar pra aquele. Ou seja, se eu não presto mais pra nada, tanto faz.  Assim como no ônibus, mas invertido: os velhos dão seus lugares aos jovens. Mas não é esse mesmo jovem que pede ao vovô pra ficar em casa? Pois não quero que você morra, eu te amo! Pai, não entra em ônibus? Mas se o velho tem carro, sair ele pode. Ir ao mercado, ele pode, afinal, não vai ter contato nem com outro velho. Mas tem que ser das 7 às 9 da manhã. Com esse frio? Vou é pegar uma pneumonia. Às vezes, penso até que são os velhos que atrapalham o trânsito e as negociações do G5.
Então... Não me culpem se eu sair escondida, disfarçada de antes da melhor idade. Cabelo branco pra dentro do chapéu, óculos escuros e máscara 3D, roupa discreta e sacola retornável. Minha fantasia de quarentena. 
Repetindo: Não toque na máscara, álcool na mão, não fale com estranhos e em hipótese alguma fale com conhecidos. Procure um supermercado ventilado, onde seus filhos não vão!
LEMBRE-SE: Quando tudo abrir de novo, os últimos a serem liberados pra sair de casa serão os que primeiro foram presos: SERÃO OS VELHOS! Que estarão mais velhos...
Todas essas reflexões eu tenho porque tenho tempo, "mãe, agora que tens tempo, aproveita pra fazer yoga e meditação", por favor, filho, fechada em casa todo dia o que mais eu faço é meditação. 
Por que não aconselham a fazer LIVES? A escrever sobre meus problemas nesta fase de confinada?  
Só os políticos com mais de 60 podem ser políticos? Quantos presidentes têm menos de 60?Poucos. Os mais famosos já estão na faixa de idoso. Estão fechados em casa? NÃO, estão influenciando o mundo, transmitindo o que sabem, respeitados pela experiente sabedoria. (tudo bem, tem alguns que são totalmente teimosos e insanos...)
BY THE WAY
Esses argumentos estou registrando para minha campanha. Vou entrar no Insta, no Face, vou Tweetar, quem sabe me candidato a vereadora e apareço na TV. Influenciadora de idade do You Tube. Quero EMPODERAR OS IDOSOS! Principalmente AS IDOSAS!


                    CHEGA DE DISCRIMINAÇÃO!
          
                       IDOSA EMPODERADA 
                              NÃO É 
                 VELHA DISCRIMINADA! 

COMPARTILHE SE QUER SER EMPODERADA(OU EMPODERADO, SEM DISCRIMINAÇÃO)

  

quarta-feira, 22 de julho de 2020

"O HOMEM, ESSE ETERNO MASCARADO"

Awebic autossabotagem


Mario Quintana. Sempre atual. O homem, esse eterno mascarado.


Ele dizia que quando o homem descobriu a própria nudez, inventou a máscara. Para esconder-se da vergonha de ser. Amarrou um pedaço de couro para cobrir suas vergonhas, aqueles primatas. 
Depositphotos
Até hoje, com botas, casacos, bolsas, um minúsculo biquini ou um traje chiquérrimo de rainha, roupas, acessórios, até desenhos,  cobrem a pele humana. Por fora. Indicam  nacionalidade, crença, desejos, mostram poder ou miséria. 
O homem, esse ser fantasiado. 
Como se não bastasse a aparência externa de um visual para externar as diferenças, o homem quis descobrir o outro pela comunicação. Sinal de fumaça, impulsos elétricos, ondas sonoras, sons e imagens.  
Surgiu o telefone, o homem ficou deslumbrado ao falar sem ter que se mostrar ao interlocutor.
O imenso mundo se transformou numa aldeia global. A lua dos namorados pisoteada pelo homem virou uma bola azul. Veio o computador, e com o Skype e o Orkut, os amigos foram chegando pela tela instantânea de qualquer lugar do Planeta Terra. A carta contando novidades de longe, a foto da família, essa carta tão individual, com essa foto tão íntima,  deixaram a distância do tempo para o quase agora: O Face revelou não apenas a imagem, mas a imagem que é preciso pra se definir na rede social, verdade e mentira, realidade e ilusão, o computador entrou no celular e aqui estamos na mão e no olhar, revelando até as intimidades que poderão se tornar públicas num simples click. Paisagens, festas, viagens, a necessidade de postar, postar, postar. E as máscaras cada vez mais apelativas na incrível necessidade de se mostrar, não basta ser, tem que parecer. 
Foi aí... Deu um blecaute. 
mascarada Pinterest timbublr

Apocalipse, peste, praga, guerra, solidão. É esta pandemia, um vírus que os homens carregam e disseminam, viaja pelo Planeta e entra sem avisar nos corpos pelo contato carnal, pelo beijo e pelo afago. Como viver sem? 

Condenado ao isolamento físico, o homem sozinho  não precisa de máscaras. Postar o quê? Melhor uma live, chamar pessoas também  confinadas para o quadradinho da tela e clicar. 
A emoção do postar, postar, postar foi substituída pelo vídeo imediato.  Sua casa, seu quarto, sua mesa com comida, suas roupas da cintura pra cima, às vezes pego em flagrante íntimo consigo mesmo escabelado,com a cara natural num momento em que não queria aparecer. Sem máscara. Sem obrigação de aparentar para a sociedade. 
 Afinal, tem uma pandemia. Não tem reunião com amigos. Saco cheio. Mente vazia. Vontade zero. Não pode fugir pra casa da mamãe. Mamãe também está isolada. 
                             .    .   .
Sorte do homem que tem comunicação virtual,ele sempre quis descobrir como se comunicar  de longe. Conseguiu. Agora pode. Máscaras caem a todo momento.Pra que comprar roupas? Por que ostentar as jóias?E a bolsa de 5 mil, qual a necessidade?
  Sem abraço, sem beijo, sem aperto de mão. 
Basta  Google Meet, Zoom, Messenger, Skype, Whatts - whatts, o supremo companheiro, o maior acompanhante neste verdadeiro vazio existencial. 

POIS  o homem de agora não quer mais isolamento. Não quer mais ficar na frente do computador. E dizer que só fazia isso...
Agora quer gente tocável, palpável, agarrável.

E para ir pra vida lá fora, vai usar máscara pra se defender da morte.  De novo. 

O homem, esse eterno mascarado.