MINHA VIDA É UM PALCO

MINHA VIDA É UM PALCO
Somos como atores neste palco que é o mundo, as cenas são os dias e noites, e o roteiro quem escreve é a VIDA!A vida depois dos 60. É começar novo, novos horizontes, um mundo diferente e muito mais LEVE! A gente está sempre começando, sempre aprendendo...E aos 60 anos, a gente nasce de novo! A minha Infância da Maturidade! COMO SERÁ NOS 70?Na minha ADOLESCÊNCIA da Maturidade...CHEGUEI! Cheguei chegando imaginando a vida toda...70 ANOS! BÓRA LÁ QUE A VIDA TÁ PASSANDO!!!E até uma PANDEMIA!Nunca pensei ...De repente, ficar presa em casa, sozinha. Se sair, o CORONA VÍRUS pega. Horrível todo mundo sem se tocar.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

PREPARA!


        Depois da mesmice da rotina da virada, acabaram as festas de Natal e Fim de Ano, a diarista já saiu, nada mais pra organizar, nem foi pra praia de tão cansada, a Mirinha resolveu que precisa sacudir a vida. Pegou chapéu, protetor solar e vai pro clube,lá, sempre tem com quem conversar. 
       Na saída do prédio se topou com a vizinha, aquela que parece freira e se escandaliza com tudo. Beijinhos,feliz ano novo, que fingimento, Mirinha sabe bem que foi ela que reclamou do barulho pro zelador, que veio pedir pra acabar com a bagunça. Nem tinha barulho, só o Paulo José que resolvera batucar na janela e cantar teteretetê. 
       Mas a talvez freira só complica, coitada, muito quietinha, sempre sozinha, nem a mãe aguenta e se mandou pra Ponta Grossa.
       Nesse instante, uma luz explode na cabeça da Mirinha, já tem o que fazer:
       - Odinéia ( Odinéia é a vizinha), quero te fazer um convite. Sábado tem festa  no meu apê. Pouca gente na cidade, só quem não pode ir pra praia...Topas?
       Ela olhou como se visse o São Jorge, aquele que mata dragão. 
       - Vamos, guria, pega uma fantasia, pode ir até de freira - Mirinha não perde uma.
       Odinéia arregalou os olhos. Falou um "Tá bem"tão baixinho, um sussurro.
       - Então tá...Pelas oito, leva o que vai beber, que comida tem aos montes.
       Odinéia saiu correndo, tadinha.Dessa hora em diante, ela passa o tempo todo espiando, vendo a Mirinha entrar e sair,quem sabe imaginando qual fantasia vai usar.
       Chega sábado. Odinéia bate no apê da Mirinha. Quer ajudar.Toalha na mesa, copos, talheres, guardanapos. Chega o Jorjão com um monte de gelo e caixas de bebidas. Odinéia parece em transe, aquele homem sem camisa, cheio de músculos, passa e dá um tapa na bunda dela, Mirinha diz não faz isso, a guria vai ter um troço. Odinéia fica branca, Jorjão dá outra palmada, "nada não, gata, é massagem, deixa os glúteos mais firmes". Mirinha salva a freirinha, Odinéia, vai pra casa te arrumar.
       Oito da noite.Mirinha preocupada, será que a vizinha vem? Até explicou pro pessoal que a moça é uma virgem envergonhada, não escandalizem a guria.
       O pessoal já está a mil, fantasias de verão, pouca roupa e muita criatividade. Odinéia chega, nervosa, camiseta do Brasil, bermuda folgadinha, até que tem umas coxas interessantes, Jorjão se chegando, a música esquentando, Odinéia se soltando, a bebida pegando, muita champagne que sobrou do Ano Novo... 
       Foi quando a freirinha subiu na mesa da sala, gritou "Prepara!"e
rebolou,rebolou, tirou a bermuda, era um biquini de bolinha amarelinha, os guris ficaram ba-ban-do. O que uma palmada do Jorjão faz...
       Mirinha de boca aberta... 
       Não se fazem mais quietinhas como antigamente. 
       E...Reclamação da bagunça no apê...nunca mais!



 

  

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

TURMA DO BOLÃO

       2014.
       Neste ano vou pra turma do Bolão do Paraná Clube. Só gente boa, bolão toda quarta-feira, e tem lanchinho e tem bingo e tem carteado. 
Fui convidada pela Zélia, que já levou a Carmem e que também me convidou pra um binguinho na casa dela em Santa Felicidade.Regado a champagne e com salgados, tortas e doces divinos!
       Como foi bom e como me emocionei, família maravilhosa, e eu ali, participando. Tem até registro:
    Aí estamos nós, numa tarde de confraternização, despedindo o 2013, entrando em férias do Paraná Clube.


     E nessa mesa de bingo, brincamos, conversamos, rimos muito, perdi uma fortuna, cerca de 1,40, pois esqueço de marcar nos cartões, de tanto conversar.
     Estou bem feliz com minhas amigas de Curitiba. Espero corresponder à altura para honrar meu apelido de "Gaúcha". 
     FELIZ 2014, queridas. Obrigada por me aceitarem no grupo! Vou jogar UM BOLÃO!
                                                 

                                               Bellabereg,2013/2014. A Gaúcha de Curitiba.

365 SURPRESAS



Acaba um, inicia o outro, como um ritual. Não importa qual, religioso ou não.Matar galinha e tomar o sangue, beber o vinho e comer a hóstia, jogar o barquinho no mar e pular 7 ondas, bater tambor e chamar os deuses; cada um tem o seu ritual.Tudo é muito relativo. Assim como o ritual de encher o carrinho no supermercado,pagar, carregar tudo pra casa, comer e beber. Papel higiênico.Ninguém escapa do destino.Tudo tem início, meio e fim.Só o tempo que não tem.A gente conta anos, meses, dias, horas. Mas não conta o tempo. Ali está ele, espiando, e a gente passando. Quem sabe como segurar o tempo?Quem sabe passar o tempo? Doce ilusão.Não é o tempo que passa, é a gente que passa, passa passa uva passa.O que é uva passa? É a uva que passou pelo tempo. Virou passa.Isto parece conversa de bêbado, todo mundo fala fala fala e nem lembra sobre o quê. É a vida. Outra coisa que não passa. A gente é que passa pela vida. Tempo/vida. 
365. Um número. Um ano. 365 dias. Eu não quero dias. Eu quero surpresas. 

sábado, 28 de dezembro de 2013

CRISE DE IDENTIDADE DA MIRINHA





           Olho pela janela o meu vizinho, deve estar por aí, setenta e tantos, ninguém diz “Vô” Walter. O “Seu” Walter está na ativa, tem um táxi, não que precise de dinheiro, ele me confessou que é pra se livrar da casa, a mulher fica torrando sua paciência, querendo que ele limpe o jardim, leve o cachorro a passear, essas coisas insanas. Sempre de bom humor, ele não tem tempo de sentir as dores do reumatismo, nem de ser tratado como um traste. 

            Quem sabe, eu compro um táxi, sou muito boa na direção. Li num livro que  velhice não mata, o que mata é doença. Tem razão, o Seu Walter não tem nem gripe, e nem toma vacina. Está entrando na Quarta Idade com tudo de bom, principalmente bom humor. Vou colocar isso também no meu táxi. Bom Humor.

            Se a expectativa de vida aumentou, precisamos renovar os valores, essa coisa de vovozinha esperando doces é pra história de Lobo Mau. Hoje, o Lobo Mau come a vovozinha e ficam bem felizes, tudo bem. Nem tem perigo de uma gravidez de Lobo.
          Tem uma vizinha no 711 que usa salto 15, isso mesmo, está nos setenta e mais alguns,  cabelos com luzes vermelhas, vai ao teatro, tem namorado, e nada de cuidar de neto, cuida mesmo é do grisalho dela. Acho que ela não tem nenhum filho que fique regulando “não come isso”, “eu te levo, não vai dirigindo, é perigoso”, isso quando o filho pode, está sempre trabalhando muito, e a gente fica dependendo.

            Por isso, vou trocar meu carro usado  por um zero, táxi que nada, trabalhar nunca mais, vou me mandar pra praia, está chegando o verão, a galera já deve estar no Bar do Biruca, chimarrão e geladas, batata e camarão,   jogando bocha ou sem fazer nada. Férias da família. Só preciso fazer óculos novos, bem grandes, tipo Sophia Loren  ou  Gisele Bündchen. Crise de idade? Cho, chô, chô, vai embora. Não deixo a vida me levar, eu é que vou levar a vida...

            Quarta Idade. Eu chego lá.

  




E tomara que esteja como a vizinha, aí do lado, quase 90,  TRI!

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

MAIS É MELHOR QUE MENOS


Chegando final de ano, o Natal com toda sua magia, retrospectivas em nossas vidas e avaliação de o que foi certo ou errado. Todo ano a mesma história, mas com enredos diferentes, personagens novos em cena e personagens que desapareceram assim, simplesmente se foram deste contexto físico que chamamos de Planeta Terra. Eu estava pensando em contar uma história de quando eu era pequena (não em Barbacena, mas em Uruguaiana Grande) quando Mirinha - sempre minha amiguinha doida - me arrastou para o cinema. Fomos ver "A Última Viagem a Vegas", com eles, aí:

 Quatro amigos de infância, agora na Melhor Idade(?) que vão à despedida de solteiro do único solteirão, lindo e rico e enrugado. Cada um com um problema. Muito bem cuidados pelos familiares (menos o solteirão, só na farra,querendo casar pra ficar igual aos outros). Não conto filme, é legal, quem quiser saber, que pague.     Difícil foi aguentar a Mirinha,todo o tempo me cutucando:
"Viste? O filho enche o saco do pai, não pode fazer nada!" Realmente, na família era um tédio: remédios, descanso, sopinhas...Até que foram pra Las Vegas e se largaram...
E a Mirinha saiu do cinema com a mesma ladainha: "Filhos só regulando, que saco!"
    No outro dia, eu e a chatinha, saindo da hidroginástica, Mirinha continuou se comparando com o pessoal de Hollywood.
Uma colega que ouvia os choramingos da Mirinha, olhou bem na cara dela, colocou a mão no ombro da minha amiga e falou: 
"Feliz de você que seus filhos se preocupam. Tem gente, como eu, que nem vejo meus filhos. Moram no mesmo bairro que eu, posso até morrer, eles nem se dignam a telefonar. Já fiquei com labirintite quase três dias, pensa que foram me ver? Nada."
    Mirinha calou. Vi que ficou chocada. 
    - Viste, guria? Não reclama de boca cheia. Mais é melhor que menos.
      Esta é a reflexão de Natal para os pais que reclamam dos excessos de cuidados dos filhos. É excesso de AMOR. 
     Tudo bem, é um saco ser tratado como imbecil, mas até que MAIS é melhor que NADA.

(Quem sabe, Mirinha, nós vamos pra Las Vegas, também.Com esse quarteto à solta por lá...)
 


domingo, 22 de dezembro de 2013

FELIZ NATAL? FELIZ NATAL!

Estou sem criatividade. 
Então, copiei de alguém do Face a mensagem acima. Linda.Se na minha casa tem um pedaço do céu, uma felicidade, uma estrela de amor, está bom!
        Na verdade, Natal é uma data tão importante que a gente fica assim, pensando no que quer dizer aos amigos. 
E ficar pensando no Nascimento de Jesus. Quanta verdade? Quanta crença? Quanto de realidade? Ou apenas uma coisa inventada para as pessoas pararem um pouco e refletirem sobre o que importa, realmente.
Presentes? E quem nunca vai poder comprar? Ou nem sabe o quê essa data representa?
Alguém, quem sabe o Prêmio Nobel de Publicidade (que ainda não existe), deve ter criado essa data ou lenda ou quem sabe o quê.
                  Mas quem tem uma criança em casa, e que tem grana pra comprar um presente, quem sabe um peru ou um chester                             (tu já viste um chester vivo? Eu, não), está dentro da história.E a neve, aquela no pinheiro...Quem tem um pinheiro de verdade? Quantas florestas derrubadas...
O que a gente quer, de verdade, é ter nossas pessoas queridas junto conosco.
            Se não tiver peru, pode ser um frango assado.
       Se não tiver presente, um abraço, bem apertado.
O que importa é o momento. E saber que se existe um Jesus, existe uma esperança.
 

                   Se alguém matar a esperança, ela renasce,sempre.
                   Porque a gente somos teimosos.
    A gente quer comida e bebida, e muito mais que isso, a gente quer AMOR. 
                               Natal é AMOR.
           Vamos nos abraçar e nos beijar? MUIIIITO!
                                 Feliz Natal!
               Mesmo que seja virtual. Muito virtual. 
                        O NOVO NATAL!
 

            AMOR, PAZ E AMIGOS:                         FELIZ NATAL! 

                                                             
         Bellabereg 2013
                                                                          
                                              

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

ONDE FOI QUE EU ERREI?


Mirinha me ligou de novo quase de madrugada. Essa mania da Mirinha de não dormir depois de um domingo é uma doença grave. Ela fica com insônia, bebe champagne, fica ansiosa e toma uns remedinhos para dormir. É claro que acontece o contrário: liga, ligadona, ligadérrima, e sobra pra mim. Passado de meia-noite, atendo o telefone imaginando que alguém morreu - sempre se pensa o pior nessas horas.Era a Mirinha. Ia se suicidar, ou viajar para a Chechênia, ou formar uma torcida de futebol radical, ainda não sabia.
- Bella, onde foi que eu errei?
Eu estava tonta de sono, tentando ver um programa de humor ridículo na TV.
                         - Mirinha, fala tudo de uma vez. Errou o quê?
- Criei meus filhos com a máxima liberdade, sempre fizeram tudo que queriam, e eu dei tudo que podia. E agora, eu sou a errada.Será que estou caduca? Essa coisa de terceira e quarta idade estão me matando...
                         Fiquei em silêncio. Crise de idade. A conversa ia ser longa. Deixei que desabafasse.
- Fui acusada de influência negativa com os netos. Só porque calcei minhas botas caubói, a calça jeans e a camisa xadrez e cantei "O caubói vai te pegar". Pronto: estou estragando a criança, meu neto. Meu filho me disse isso, com todas as letras. A mulher dele cochichava, a nora amada,  atrás dele, tenho certeza que estava incentivando a briga. Tive vontade de morrer!
                        - Mirinha, não esquenta, esquece, isso é coisa de momento.
- Não é não. Acho que querem se mandar no Natal e estão encontrando uma desculpa pra deixar a velha de lado. Tô nem aí. Compro uma passagem e vou no navio do Chitãozinho e Xororó. Desapareço. E pra completar, o outro filho se ofendeu quando mandei sair um pouco pra se divertir, está sempre estressado.Me atirou na cara que vive trabalhando, não tem tempo nem pra família, e eu disse que qualquer dia ele vira corno. Pra quê! A mulher - a outra nora amada - se ofendeu, mas bem que gostou da ideia. E os dois filhos começaram uma discussão que pensei que ia acabar em morte. Nem sei por quê, até agora não entendi. Acho que foi pelo que falei... Agora falo coisas sempre erradas...Juro que fecho minha boca para sempre. Lacrada. Nunca mais falo nem canto nem fumo  nem transo. Eles, todos e  todas não têm tempo, vivem cansados, chegam correndo, comem e saem correndo, vou inventar umas receitas que possam ser devoradas em segundos...Fora os netos, que chegam de cara amarrada, almoçar na vó é sacrifício, já são grandes,queriam ficar dormindo até às três da tarde, então,  ficam todo tempo grudados nos IPads, ou no celular, esperando a sobremesa pra saírem correndo, não sei mais nem como é a voz deles.
                       - Mirinha, podes dormir em paz. isso  acontece nas melhores famílias. (Principalmente na Terceira Idade da Vó).  Fim de ano, correria, pega um lápis e um papel e programa a lista de presentes, encomenda um bufê e Feliz Natal, amiga! Aposto que todos estarão meia-noite pra comer e receber os presentes...
 - Bella, me diz, minha amiga: ONDE FOI QUE EU ERREI?




In Histórias das Insônias da Mirinha ou Crises de Sexagenárias - 2013