Almoço de domingo. O almoço da semana mais esperado de toda a família. Fazia parte do calendário. Nem o Papa mudaria nosso domingo. Domingo sempre tinha o almoço lá em casa. Era assim e pronto. Todo mundo sabia.
A vizinhança também esperava: " Hoje é dia da italianada. Vão comer, cantar, gritar, chorar e se abraçar e dançar." Não necessariamente nessa mesma ordem, mas era bem assim.
Domingo tinha todo um ritual, seguido à risca, nem precisava conversa, era assim e pronto!
Pras crianças, começava cedo, com o banho e a roupa de domingo,muito limpa e passada, meu vestido sempre branco de organza com laço de cetim também na cabeça.E sapato branco, de princesa.Meu irmão, calça curta, suspensório e camisa branca. E sapato preto.
Sapato só domingo. apertava sempre. Na semana era tênis. Conga.Meu outro irmão, o mais velho, vestia calça comprida.
Domingo era dia de missa. Meus pais não iam, mas as crianças tinham que ter uma religião, meu pai dizia que disciplina era preciso e os padres eram disciplinados,e Deus tudo via, a gente tinha que se comportar, a gente ia porque o pai sabia tudo. Tinha que ir e pronto.
E ainda tinha o padre Afonso, amigo do meu pai, que mandava em tudo e contava o que a gente fazia. A missa virava uma festa, as vizinhas passavam na minha casa e o trajeto até a igreja virava um cortejo, seguido pelas moças - inclusive minha irmã - com uma fita azul pendurada no peito, as Filhas de Maria.Alguns rapazes seguiam pela rua, se exibindo para as moças, elas fingiam que não viam. No caminho da XV até a Catedral tinha um pensionato de freiras que também esperavam a turma pra irem fiscalizando, vá que algum rapaz importunasse as filhas de Maria...Mais atrás iam as solteironas, sapatos de salto alto e saias justas, muito sérias. As mães ficavam na frente das casas,admirando as lindezas. Na igreja, era silêncio e reza em latim, que a gente não entendia, tinha véu de renda, catecismo, rosário e confissão, o joelho doía de tanta reza,a hóstia grudava no céu da boca e que vontade de tirar com o dedo, mas não podia,e era assim e pronto.
Na volta, a gente vinha tirando laços e sapatos, correndo e apertando as campainhas das casas. Loucas pra tirarem os vestidos e correr com os guris pelas ruas e pelos vizinhos, brincar de esconder , subir em árvores,aproveitar que não tinha ninguém olhando. Nesse dia, as ruas ficavam desertas, comércio fechado, os mais velhos fazendo a comida. E esperar as visitas que sempre apareciam para o almoço de domingo, nossa mesa sempre farta, macarronada com carne frita e pão d'água, depois já era macarronada com churrasco e salada de tomate e cebola e pão. Vizinhos e parentes podiam chegar que sempre eram bem recebidos.Nem precisava convidar, sempre tinha muita gente. Exatamente meio-dia a comida era servida. Os atrasados nem entravam, tinha horário, era meio-dia e pronto!
Uma vez a cada dois meses meu tio Alfeu e minha tia Pina que moravam pra fora, léguas de distância, chegavam muito cedo, cinco guris e duas bebezinhas. Os guris eram muito estranhos, falavam pouco mas batiam forte, era difícil brincar com eles, mas como eram diferentes, era muito divertido. Eu amava meus primos, nem sabia porquê, e meu tio com certeza iria brigar com meu pai, eles brigavam por tudo, eles sempre brigavam de boca, nunca se bateram, mas parecia que iam se matar; de repente, estavam abraçados,iam pra frente da casa, conversavam com todo mundo que vinha se juntar com a italianada. E a gente aproveitava pra roubar doce e refresco. Que refresco bom! 4 litros de água, 1 kg de açúcar e um copo de vinho, eu sabia bem as medidas, pois era eu que media tudo." Um copo para o meu pai, um copo para cada visitante" , o vinho também só aparecia domingo, só os homens bebiam, às vezes tinha que medir só meio copo, quando tinha mais gente, meu pai comprava uma só garrafa, ele não gostava de bebidas.
"Nem bebida, nem jogo", ele falava, "isso acaba com as famílias". E a mãe preocupada com a limpeza, coisa de mulher, as moças tinham que ajudar. As crianças eram liberadas da mesa só depois que comessem tudo do prato. Não era difícil comer, a comida era boa demais. Repetir, podia, mas deixar comida no prato era desperdício.Comer tudo, mastigar de boca fechada, nada de conversa fiada, hora da comida é hora sagrada.O que a mãe servia, tinha que comer. Era assim e pronto!
Cada domingo era uma aventura. Minha irmã mais velha tocava gaita,desde a valsa Desde el Alma ao tango La Cumparsita, às vezes os padrinhos dela iam aos almoços, eles tocavam violino e meu pai e minha mãe dançavam como nos filmes. Meu pai parecia um galã de cinema e minha mãe era a mulher mais linda da cidade. Todos abriam uma roda para eles dançarem, até as crianças ficavam quietas nessa hora. Era um espetáculo. Os vizinhos espiavam por cima dos muros, pessoas que passavam ficavam na frente da casa, ouvindo, tinha muitas palmas e assovios para os dançarinos. Os caramelos saiam das bolsas e dos bolsos para a criançada.
Domingo sempre era dia de festa da italianada.
Almoço de domingo. Sempre tinha.
Era assim e pronto!
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| Inspiredimages |
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| DavidZyyd |
Foi difícil explicar. Um vídeo de uma viagem para fora do corpo, atravessando ruas, casas, espaço, estrelas, infinito e voltando para dentro do corpo, pelos músculos, ossos, células, fecundação. O exterior e o interior de cada um.
Constatar o que existe fora de nós e com a visão do que cabe na tela...o Universo. Quantos universos existem? Frente à grandiosidade do nosso Universo, somos apenas um pontinho...E dentro de nós, tantas conexões de músculos, nervos, e também somos apenas um pontinho...
Falar do exterior é mais fácil, há uma vasta literatura que explica inclusive a formação de nosso Universo Universal,o universo de fora de mim, onde eu e todos os seres estão convivendo, num Planeta que sabemos ser nosso, com um Sol gratuito...Teorias de como surgiu este Planeta que precisamos salvar, a Terra. O que é nuvem, ar, fogo, água, montanha, ovo, folha,casa,prego...Tem no Google. Fácil, assim. Nosso Universo.
Mas tem o MEU Universo. O Universo Particular. Particular de partícula.Aí a coisa fica mais complicada. Quem sou? De onde venho? Para onde vou? Venho de uma cruza de masculino com feminino, com certeza.Vou com a humanidade. Eu sou eu e minhas circunstâncias.
O interessante são os conceitos. O meu conceito não é o mesmo nem para meu irmão gêmeo...Meu Universo tem coisas que o dele não tem, que eu vejo diferente. Cada um é um em mais de 7 bilhões.Não é viagem, são meus signos que só a mim pertencem, meus significantes e meus significados.Se eu fosse uma pedra, era uma pedra. Se eu fosse um leãozinho eu era um leãozinho. Mas eu sou consciente,raciocino, tenho memória, carrego em mim toda a minha e toda a história da humanidade, cada movimento um flash, cada flash um registro, cada registro uma diferença. Ninguém igual. Sou um Universo. Único.Ninguém sabe quem sou.Mas pensa que sabe. Esse "Quem sou" continua com um ponto de interrogação.O que se vê, o que se conhece é só uma pontinha do iceberg.Quem sabe, por isso, tão difícil entender.
( Quem sabe, também, por tudo isso, é mais fácil viver em grupos de conceitos afins. Uma roda de samba pra quem gosta de samba. A turma da bocha. A galera do surf. Os pais da Tragédia de Santa Maria. A torcida do Inter. Favelados do Rio. Sobreviventes da Sérvia. Bebedores de vinho.Num cruzeiro nas Ilhas Gregas. Os ganhadores do Oscar. Alpinistas do Everest. Cientistas da Nasa.Direita. Esquerda. Crentes. Ateus. Maiorias. Minorias. Adolescentes. Idosos.Fanáticos por ... Assim o mundo se organiza e se une. Ou desune. Fronteiras que se fecham ou se abrem. Universos.Bilhões, trilhões...Talvez, um Universo mais novo: o grupo do Whats. Fácil de entrar, difícil de sair, conceitos nem sempre afins, invasivo como vírus.Com certeza, um novo universo.Em estudo. )
Depois dos sessenta nós temos novas perspectivas de vida. Os pensamentos se direcionam às ações, o que acontece à nossa volta deveria ficar desacelerado, mas acontece o contrário. O pensamento tem pressa, as ideias surgem aos borbotões, não há tempo de organizar os departamentos do cérebro. Então o imediato tem prioridade.
Ontem aconteceu algo muito interessante. Uma simples conversa com amigos e entre muitos assuntos, uma frase me deu um texto e coube direitinho no meu papo de hoje.
Alguém perguntava quem conhecia um geriatra, bem no contexto, pois esta é a idade do com-dor, dor ou braço, ou joelho, ou coluna, ou tudo. O motor começa a precisar de manutenção. Meu dedo anular não me obedece mais, não quero geriatra, quero um médico que resolva meu problema, como os médicos do Neymar, meu ídolo do futebol, pobrezinho, quebrou o pé, já fez uma cirurgia, em um mês estará em forma. Só preciso de um jatinho que me leve ao melhor ortopedista do país e me traga de volta à casa. Simples, assim. Em um mês, volto a escrever e tocar violão.
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| Namastê |
Minha amiga carioca concordou, a vida é tão simples.Os problemas podem ser resolvidos num estalar de dedos. Rimos muito de nossas crenças. Acreditar em soluções é uma atitude positiva. E veio a próxima história.
Um encontro com os filhos que já andam perto dos cinquenta, uma conversa séria sobre a mãe que mora sozinha,e andou assustando a família quando teve um pré-infarto, ela diz que vai fazer EcoSalva para uma emergência, se tiver uma queda ou um ataque de coração, ou um pico de pressão alta, ou um excesso no whisquinho, chama a ambulância que eles atendem em casa mesmo. Afinal, os filhos moram tão longe e têm seus compromissos, se a mãe tem um ataque, até chegarem, a idosa já subiu aos céus, um serviço de assistência médica de urgência - e que funcione - é uma decisão inteligente.
Foi aí que me incluí, na história da carioca, quando o filho dela falou:
- Mãe, se você se cuidar bem, se não nos der preocupação, já está de bom tamanho!
Eu achei o máximo! Conselho de filho que todos temos que seguir: Cuidar de si mesmo. E não é difícil. É trabalhoso;comer pouco, beber menos ainda, tem que evitar quedas e sequestros, inclusive.
Já está de bom tamanho. Fácil, assim.Sem atrapalhar a vida dos outros. Muito lógico!
Hoje começamos um novo grupo. Já temos um tema interessante para discutir: Já está de bom tamanho.
Sabe quando à noite a gente deita pensando num problema que preocupa e tem que resolver amanhã?
O sono não chega, tamanha a angústia de encontrar uma saída.
Quer achar a solução deitado em seu travesseiro, uma noite pela frente, ninguém mais acordado no mundo, aquele problema do trabalho, do banco, da dívida, do prazo, um material que não chegou, um concurso, o carro sem bateria...Pode solucionar nesse momento? Não. Não tem como. Parece que a cada hora a coisa fica mais grave, o que precisa fazer?
Já revirou na cama milhões de vezes, bebeu água, acendeu e apagou a luz, a coisa virou um monstro. Uma noite inteira que tudo se passa dentro de sua cabeça.
Os olhos encontram a claridade de um amanhecer , precisa levantar e enfrentar o monstro,vem o sono e o físico extenuado acha o relógio que manda levantar. Foi toda uma noite desperdiçada no FOCO errado.
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| Imgrum.net |
Faltaram as ordens certas: Amanhã vou definir as estratégias para solucionar o problema; preciso de uma boa noite de sono para ter as energias necessárias, o dia vai ser longo, mas vou conseguir. O que não tem solução, solucionado está agora. Os problemas de amanhã serão amanhã.
É preciso dormir acreditando no seu potencial.
" O pensamento é a ação incipiente. A reação é a resposta da mente inconsciente, que corresponde à natureza do pensamento. " Li isso num livro do Joseph Murphy, revisitei este meu texto que escrevi há tempos. Não foi fácil, mas manter o FOCO no que realmente importa no momento foi uma saída para não mais perder noites com problemas. Tudo sempre tem solução. Cada coisa na sua hora. Um ditado antigo, mas que funciona. Agora é hora de dormir. Boa Noite.
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| TecMundo |
Quando as perguntas são mais importantes que as respostas, só podemos reproduzir os diálogos. Não precisa de explicação. Embora todos queiramos respostas. Muitas mensagens que recebo vêm com uma citação interessante: " Quanto pensamos ter todas as respostas, o mundo nos coloca novas perguntas."E as perguntas de crianças, hoje, estão cada vez mais complicadas, com 5 anos já sabem tudo.
- Professora, o que é DNA?
- DNA é um CHIP que já vem muito carregado.
- Pelo papai e mamãe?
- Papai, mamãe, vovós, vovôs, e vai por aí até os primeiros seres vivos inteligentes.
- Só pelos inteligentes?
- Sim, nós, seres humanos, temos a característica de ter história registrada,conhecer o passado, aproveitar o dia e podemos imaginar e planejar o futuro.
- Então, quando a gente nasce já vem como a gente tem que ser?
- Já trazemos o básico. Um programa que pode ser melhorado - ou piorado
(risos, muitos). Cada um de nós vai continuar carregando seu chip.Não dá pra deletar nada, mas dá pra carregar com tudo que acontece hoje. Quando tiveres filho, vais passar um chip mais carregado pra ele.
- Vou carregar com muita música, com viagens que já fiz e que vou fazer, com novos programas, com games ...com defesa da Natureza, um relógio monitorado pra aumentar minha hora de brincar ...
Fiquei em silêncio, pensando que meu chip já está tão carregado com informações tão complicadas, quando é tudo mais simples. Relógio monitorado para aumentar - ou diminuir - a hora, esse eu queria... Graças a Deus, acabaram as perguntas.
Mas... veio mais uma:
- Professora, quem começou isso de DNA? Quem carregou o primeiro chip?
- Foi Deus.
- Ah, então, esse é O cara!
Um grito de " olha o lanche " encerrou o papo. Graças a Deus!
Mas esse diálogo me atirou num turbilhão de registros, recordações de como eu sempre gostei da palavra "parente". Minha curiosidade achava respostas até no cinema...Não existia chip, nem internet, nem televisão, era revista, livro e cinema. Quando vi Zorro, o Dom Diego de La Vega, o nobre espanhol que se mascarava e virava protetor dos pobres, fiquei deslumbrada; meu nome tinha de La Vega, veio da Espanha com meu avô, primo do Zorro. Eu era "parente" do Zorro. Igual a ele. Quando meu pai contou que Bellagamba era italiano e que por isso a gente falava gritando e era muito alegre e feliz, eu me imaginava na Itália, via Sophia Loren e achava que um dia seria igual.Fiz catecismo e me emocionei com a Religião. Na escola, aprendi que brasileiro era mistura de índio, negro e português. Alguns sobrenomes de antepassados carregavam indicações dessa turma, e eu me conhecia muito brasileira. Mais a cultura toda do Brasil, que se modificava a cada dia, essa nossa mistura, tantas nacionalidades, gente que chegava a toda hora de todos os cantos do mundo, aprendemos coisas novas com os imigrantes, as diferenças que promovem curiosidade e descobertas...E sem eu saber, estava carregando meu chip...Tão simples, assim...
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Mais Scrap
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Era uma vez uma mulher que tinha marido e três filhos. Moravam uma cidade muito muito distante.
Almoço em família sempre, comida gostosa, hora de falar da vida. Melhor: cada um falava do SEU dia. O que fizera, o que havia a fazer. Era tudo muito importante para aquela família. A vida de cada pessoa, principalmente, de cada filho, o dia como foi, o que fizeram, o que havia a fazer, sentimentos, dores, novidades, todos sabiam de todos.
Cada dia tem uma história. Protagonistas com suas rotinas e ideias. A hora da verdade de cada pessoa. Isso mesmo: de cada PESSOA concreta, palpável, real.
Era uma família muito, muito feliz. Todo mundo estava ali, naquele momento de encontro.
Os filhos cresceram,estudaram, casaram e cada um pra sua casa. O pai/marido morreu, a mulher ficou velha e foi morar sozinha.
Tudo tão comum que esta história parece sem graça. Mas não é.
Era uma família muito, muito feliz.
Por quê?
Porque essa família tinha todos os dias uma informação importante: todos se conheciam, se ajudavam, se entendiam, brigavam, se amavam, participavam uns da vida de outros. As personalidades se fortificavam.
Não sou uma pessoa saudosista, com certeza. Mas observo como um momento tão simples pode ajudar nas relações humanas. Não basta pra nós, hoje, a instantaneidade da mensagem do whats, muito boa mas também muito rasa. Nem conseguimos responder e já tem outra chamando, outro assunto, muda o foco, já tem outra novidade.
Realmente, às vezes, é mais fácil falar com alguém pelo whats. Pessoalmente, todo mundo tem mais o que fazer.
O celular está ali, todo momento, a TV tem o noticiário para o pai saber quem fez a delação premiada, houve um homem bomba que se explodiu em NY. O mundo lá de fora está na mesa.O indivíduo real, atual, persona, ficou esquecido. E o tempo passa tão rápido, desejos, ambições, ansiedades ficam soterrados num inconsciente, mais adiante a terapia será necessária, ansiolíticos substituirão conselhos e carinhos e confissões.Silenciados na hora da reunião da família.
Porque nem sempre se reúnem todos no dia ou na noite. Porque todo mundo tem assuntos mais importantes que a própria vida. Porque mais interessante é a situação da política, do estupro, da violência, da crise, do dinheiro, da intolerância, da discriminação, do terrorismo, do aluno que matou meia dúzia, tudo entra na casa, na hora em que os protagonistas deviam atuar e têm que falar do que acontece na aldeia global. Um mundo muito ruim entra direto na casa, que deveria ser a hora da família.
Comida gostosa perde o sabor; arrastão em Copacabana, acidente matou 70, roubaram o dinheiro dos hospitais, e por aí vai...A TV tem o centro das atenções. Precisamos ver o que acontece no mundo.
Parece que se a gente não souber quem morreu na Sérvia, o que o Trump falou pro coreano, se o presidente vai ser preso, isso toma o lugar do meu filho que está aqui e agora e depende de mim.
SE na hora da reunião da família desligássemos TV, os protagonistas da vida real NOSSA voltariam a atuar.
Eu quero tanto saber como foi o dia do meu filho. Meu filho precisa saber que papai ou mamãe ou titia ou vovô, está aqui, que a VIDA de cada um da pequena família, neste momento, é único, e é mais importante. Tenho tanto a contar, preciso tanto conhecer esta pessoa que amo.
Experimentar desligar a TV na hora que a família esta reunida. Celular desligado e LONGE da mão. Vai ser difícil no início. Talvez reine o silêncio, talvez alguém olhe o whats, ah, isso também não vale. Talvez a mamãe fique angustiada,o grupo das amigas da academia, talvez o papai precise saber o resultado do jogo, pode ser que alguém do mundo de fora precise mais que alguém do mundo de dentro.
SERÁ? Será que tem um novo colega, um pé, doendo, uma nota muito boa ou muito ruim, uma foto linda no whats que viu ontem, uma camiseta que ficou apertada, um filme que vai passar, a luz que ficou acesa, não devem se atrasar pro colégio, arrumar o quarto, escrevi uma história, fiz um gol, qualquer coisa assim, isso da vida de verdade...
O momento do mundo, suas desgraças e seus prazeres, estará sempre pronto com garras e fascínios, não precisa trazer na hora da reunião da família, o mundo de fora precisa ficar lá fora, haverá muitos momentos de falar, pior, obrigatoriamente cada um vai viver, afinal, o mundo está sempre presente. Mas os momentos de dentro de cada casa são únicos. TEM que ser agora, esses dependem do agora.
É a identidade, a personalidade de cada filho, filha, pai, mãe, vó.Amanhã talvez seja tarde.
Lá fora, somos O GRUPO. No celular, os grupos virtuais. Necessários, hoje precisamos estar conectados, sobrevivência,o que acontece no mundo, tragédias e comédias, afinal, ninguém precisa ser alienado.
Mas...Mas o momento de dentro de casa é insubstituível.
Pelo menos, dentro de casa, tem que ter a hora da verdade.A verdade de cada um, um ser importante.
Dentro de casa tem que haver aquele ACONCHEGO, aquele lugar de ENCONTRO,por mais que as coisas lá de fora estejam ruins, a casa tem braços que PROTEGEM. Como é bom ser compreendido, ser ouvido, poder opinar sem o medo dos estereótipos, da discriminação. Minha casa é minha fortaleza. Onde eu sou eu eu.
Talvez até aquela palavra meio desgastada volte a ter significado: AMOR.
Depois da Maturidade na UFPR, gostei tanto, conheci tanta gente legal, fiz amizades, aprendi tanto sobre esta fase de sexagenária que procurei outro curso; na Federal só podemos estudar um ano, sabe como é, universidade pública tem que dar lugar aos novos (todos maduros) fui parar no Positivo Maturidade. Curiosidade, assisti à uma aula de Espiritualidade com o mestre Renato Barbosa, descobri que não era aula de religião, e que Espiritualidade não é Religião. Também tive aulas com o mestre Ocir Andreata, que lançou mais luzes na minha escuridade ignorante. Encontrei pessoas muito importantes agora na minha vida, As Gatas do Positivo, nosso grupo também no Whats, e que hoje estamos no Espaço Maturidade, com a Sandra Moreira e com o mestre Arioswaldo Trancoso Cruz, sempre nos aprofundando no assunto. Esse registro é importante para me situar.
Hoje eu ouço, vejo, leio todo mundo falando nessa Espiritualidade, mas há três anos ainda era novidade. Pelo menos, pra mim. Comecei a repensar meus conceitos sobre Deus, Universo, Fé, Crença, isso tudo com letra maiúscula, eu, católica apostólica romana que ama o Papa Francisco, embora ele seja argentino,
Ainda agora encontro pessoas que pensam que minhas aulas são sobre religião. E eu lembro bem de uma aula, perguntei ao professor se o ateu não tem espiritualidade, afinal, ele não acredita em Deus.
"O ateu não tem religião, não se pode confundir Religião com Espiritualidade. A Religião é inventada pelos homens, a Espiritualidade é Fé."
Explicação que não foi bem assim, mas isso eu guardei.
Desde então, estudamos as cinco maiores religiões do mundo, cada uma com seus livros, dogmas, crenças e verdades. Estudamos o que é crer em Deus. Estudamos um pouco o que é não acreditar em Deus.
Foi então que encontrei um ateu de verdade (eu nunca tinha me achado com alguém que falasse de si mesmo tão naturalmente, eu estava numa experiência indescritível)
Essa pessoa: "Eu não acredito, Deus não me faz diferença ( eu devia escrever Deus com d minúsculo?) , essa coisa de fé, vivo muito bem sem isso de ser supremo,não é esse deus que vai resolver minha vida nem minha morte, nem o antes, nem o depois,ele não tem nada a ver com nada, etc..."
Esse etecétera está num contexto muito embasado que não consigo registrar tudo aqui, em outra época, ela (era feminina, uma atéia) seria queimada nas fogueiras como bruxa, hoje pode escrever um tratado.Tem muito conhecimento de tudo.Uma cultura dita invejável.
Espiritualidade fará diferença pra essa pessoa? Ainda vou perguntar pra ela.
Não temos pretensão de dizer o que é e o que não é, estamos buscando entender. Refletir não e só se olhar no espelho. A gente só quer ser feliz.Pra ser feliz, tem que ser livre. E o conhecimento liberta.
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| printerest.com |
Hoje vou apenas colocar algumas diferenças - o documento é longo - entre Espiritualidade e Religião - a Laia que me deu o estudo - numa citação do Padre Teilhard de Chardin, jesuíta, teólogo,filósofo, paleontólogo, quando tentou uma visão integradora entre ciência e teologia:
A religião segue os preceitos de um livro sagrado. A espiritualidade busca o sagrado em todos os livros.
A religião não é apenas uma, são centenas. A espiritualidade é uma só.
A religião é para aqueles que necessitam que alguém lhes diga o que fazer e querem ser guiados. A espiritualidade é para os que prestam atenção a sua voz interior.
A religião alimenta o ego. A espiritualidade nos faz transcender.
Não somos seres passando por uma experiência espiritual; somos seres espirituais passando por uma experiência humana.
Dizem que política, religião e futebol não se discute...Mas como é bom tentar entender...