MINHA VIDA É UM PALCO

MINHA VIDA É UM PALCO
Somos como atores neste palco que é o mundo, as cenas são os dias e noites, e o roteiro quem escreve é a VIDA!A vida depois dos 60. É começar novo, novos horizontes, um mundo diferente e muito mais LEVE! A gente está sempre começando, sempre aprendendo...E aos 60 anos, a gente nasce de novo! A minha Infância da Maturidade! COMO SERÁ NOS 70?Na minha ADOLESCÊNCIA da Maturidade...CHEGUEI! Cheguei chegando imaginando a vida toda...70 ANOS! BÓRA LÁ QUE A VIDA TÁ PASSANDO!!!E até uma PANDEMIA!Nunca pensei ...De repente, ficar presa em casa, sozinha. Se sair, o CORONA VÍRUS pega. Horrível todo mundo sem se tocar.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

OS SENTIMENTOS SÃO MAIORES DO QUE NOSSAS IDEIAS

Depois de toda confusão com o pessoal da Mirinha, finalmente penso que terei paz por uns dias. Vou ler, estou com minhas leituras em atraso. Os 3 últimos livros que li foram os 50 tons. Foi um esforço e tanto, nem vou resumir, vou apenas comentar que comprei o primeiro, "Cinquenta Tons de Cinza", porque ouvi tanto comentário e minha sobrinha advogada intelectual ganhou do namorado também advogado e também intelectual. 
- Deve ser bom - pensei. No aeroporto de Porto Alegre, adquiri o the best, na lista da Veja. Comecei a ler no avião, vindo pra Curitiba. E fiquei vermelha, e me deu uns calores, e olhei pros lados, vá que alguém me pegue com esse livro, escondi-o dentro de uma revista da Tam, a aeromoça me perguntou se queria algo pra beber, "com bastante gelo, por favor" eu pedi, e o homem de 50 tons continuava com os dedos na mocinha, é, isso mesmo, é bem onde estão pensando...Um quarto vermelho com sofá de couro preto, cama redonda, algemas, chicotes, até palmada ele deu nela...A mocinha virgem, primeiro namorado, ele CEO bilionário, lindo de morrer e...bem taradinho...como é muito rico, é claro que deve ser por algum trauma. Gente! O enredo não interessa quando há tanta novidade sexual ( novidade?). 
No outro dia, ainda lendo os 50 tons, agora já em casa, sem olhares para a capa do livro, toca o telefone: só falta ser a Mirinha. Não era, era minha filha:
- Mãe, que estás fazendo?
- Estou lendo, toda molhadinha.
- Que que é isso, veia? Andou comprando algum aparelhinho? - ela sempre acha que eu uso coisas...
- Não, minha filha, estou lendo "Cinquenta Tons..."
A pobrezinha nem sabia da existência desse livro, coitadinha, é professora, só trabalha e cuida do filho e do marido...Nem tentei explicar, apenas falei que o livro era sobre sexo. Pronto. Bastou pra escutar: "Mãe, vai caminhar, sai de casa, vai fazer hidro...andas lendo demais..."- será? 
Pois é...li também "Cinquenta Tons Mais Escuros"e "Cinquenta Tons de Liberdade", já habituada com os dedos do moço e alegria da moça, já não mais moça... 
Falei dessas minhas leituras para as minhas amigas, é uma briga para quem lê primeiro, um rodízio foi organizado, todo mundo está lendo...Pobres dos maridos...
Enquanto isso, minha psicóloga está me convencendo a ir dançar, quem sabe arranjar um namorado, que eu ando muito nervosa, até me mandou procurar um psiquiatra pra tomar uns ansiolíticos... Eu, que sempre fui tão controladinha nas minhas ideias( coisa estranha essa "ideias" sem acento, nem parece ).
Sartre tinha razão - foi ele ou a Simone? - quando falou:
"Os sentimentos são maiores do que nossas idéias".
Tenho que parar de ler. Mexe demais. Com os sentimentos, claro.

              

Postei essa foto de um amiguinho no meu blog...
juro que não tem nada a ver com ideias e sentimentos... 

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

SOU GAY 3 - A arteira artista

Mirinha declarou para a família que é gay. ( Ver SOU GAY 1). Todo mundo se indignou com ela. ( Ver SOU GAY 2). Hoje a coisa ficou pior: o sobrinho da Mirinha que mora em São Chico - baita grosso - se veio de lá de mala e cuia e arranjou uma consulta com uma psicóloga daqui de Curitiba. Nem preciso dizer que foram os filhos da Mirinha que chamaram o primo. E sobrou pra mim: se reuniram todos na minha casa, como se a mais maluca de minhas amigas estivesse em estado terminal.
- Tia - o sobrinho da Mirinha me chama de tia - tem que haver um jeito de levar tia Mirinha para uma sessão. Vamos primeiro nessa psicóloga, diz-que cavoca lá nos fundos dos sentimentos  e descobre o que anda remexendo nos miolos da tia.
Os filhos da Mirinha concordavam em tudo com o guri, que já tem seus quarenta,  e que se acha entendido das psico pois fez análise, nem sei o motivo, mas sabe tudo de Freud.
- É aí que me refiro, se eu chego assim, tia Mirinha não vai aceitar se tratar. A Senhora convence tia Mirinha? A consulta é hoje, às 3 da tarde. Aqui perto, no Água Verde.
Eu já estava preparada: tudo que é bomba, estoura na minha mão.
- Olha aqui, guris - olhei bem na cara deles - vocês vão falar com Mirinha. Se ela topar, eu vou com ela, tá?
Eles me abraçaram, até com lágrimas nos olhos ( só podia ser nos olhos, né?). Sairam os três, eu mais atrás, meus joelhos doendo, nem na hidro tenho ido desde que começou essa função. 
A surpresa foi enorme com a reação da Mirinha: "Psicóloga? Tá. Que horas? Aonde?" Os guris se olharam, nem precisava ter chamado o primo. Ou será que a Mirinha se assustou com a chegada do sobrinho? Esse guri é famoso por andar armado e com faca...O que importa é que às 3 da tarde não fui só eu; parecia uma procissão. Nem tinha lugar no consultório. A psicóloga arregalou os olhos quando viu o monte de gente. Deu uma olhada meio enviesada e fixou-se em mim. 
- A Mirinha é ela - apontei, minha amiga toda chic, perfume Chanel 5, colar da moda desses que parece uma gola.
A moça da recepção nos mostrou poltronas como dizendo pra sentar e calar, Mirinha levantou o nariz e saiu pisando forte, na frente da pessoa que iria resolver seus ( e nossos) problemas.
Minha situação cada vez se complicava mais. Eu bem sabia que tudo era uma invenção, mas não podia trair minha amiga. E ela conseguiu chamar a atenção de toda a família. Os guris nos celulares, mandando mensagem até para o Papa, I-Pad, I-Phone, tudo que é novidade da Apple, chegavam e-mails, e eles pareciam enlouquecidos com seus brinquedinhos, o tempo não passava, era uma hora de consulta.
Finalmente, ABRE-SE A PORTA DO CONSULTÓRIO. Beijinho de longe na psicóloga, um tchauzinho bem comportado pra moça, a cara da Mirinha era de cinema! 
- Vamos? - Olhou pra nós, fazendo caras e bocas.
Saímos em fila indiana, silêncio total. E fomos assim até a casa do pivô de toda essa novela. 
- E daí, tia? - o sobrinho de São Chico teve coragem, falou forte, mal entramos no carro.
- Em casa conversamos - Mirinha falou apenas movendo os lábios. Muito séria. 
 Chegamos. Noras, netos, cschorros, acho que até vizinhos, parecia festa de aniversário - ou velório, nem sei. Mirinha se jogou no sofá e começou uma choradeira coletiva, os netos aproveitando pra comer os bombons da mesa, cachorros pulando em todo mundo, uma bagunça. 
- Preciso de mais algumas consultas - Mirinha gritou. Estou entrando em depressão, vocês me confundem. Nem sei mais quem sou eu. EU SÓ SEI QUE NADA SEI!( essa frase ela ouviu ontem num programa de TV, tenho certeza).
- Bueno, tia, se é pra ficar boa, então tá. Mas essa coisa de...
- De gay? É isso que preocupa vocês? Então, podem ficar sossegados. Não quero mais nada de nada. Fico assim, jogada às traças, como uma pobre velha que não curte mais nada. Curtir, agora, só no FACE. Tá bom assim?
Palmas, abraços, beijos, suspiros... O tradicional ataque à geladeira. Família é tudo igual. Escândalos à parte, Mirinha mais uma vez conseguiu ser o centro. Luzes, câmeras, ação.
Amanhã, minha amiguinha vai pendurar na sala seu novo quadro. Só eu sei o que vai acontecer. PODE? 


terça-feira, 22 de janeiro de 2013

SOU GAY 2 - RESPOSTAS

Domingo a Mirinha surpreendeu toda a família. Depois de uma noite de insônia, resolveu sacudir a rotina e declarou: "Eu sou gay. Cansei de procurar um homem de verdade, agora quero uma mulher que me complete". Mas ela não tinha noção de como essa simples confissão fosse provocar uma revolução. 
- Criei meus filhos sem discriminar ninguém, nossos amigos são pessoas, não importa se têm pele, religião, sexo, diferente, todos somos parte deste Planeta. Só não suportamos político ladrão do povo, esses que roubam da saúde, da educação.
- Isso eu já sei, Mirinha. Me conta a novidade - tive que interromper minha amiga, quando ela começa a discursar, ninguém aguenta.
- Só porque eu disse que agora sou gay, todo esse escândalo.
- Não tinhas me contado essa tua nova opção...
- Opção coisa nenhuma, é uma brincadeira, eu queria criar polêmica, queria que eles se preocupassem comigo, que vissem como estou carente - Mirinha falou como se fosse uma pobre velhinha abandonada...
- Amiga - falei devagar, para que ela caísse na real e assumisse que não é uma velhinha carente, mas uma maluca que atormenta todo mundo com seus delírios - isso não é preconceito nem discriminação, é que eles te amam...
- Então ouve: meu cunhado de Uruguaiana, sabe, o estancieiro das olivas, me ligou e me encheu a osso. Disse que não tenho vergonha, onde já se viu, expor assim a família, botou até meus filhos no meio, disse que eu deixei meu filho usar brinco, que ando em campos de nudismo, que preciso voltar imediatamente pro Rio Grande, conviver com macho pra me acalmar...E o outro, de Santa Maria, pensei que fosse uma pessoa aberta, me falou que desde que meu marido morreu eu fiquei desmiolada...onde se viu, um veterinário, ficar tão indignado...Até o marido da minha irmã mais velha, me ofereceu a casa dele e que consegue alguma coisa pra eu me acalmar...
- Ó Mirinha, não achas que está na hora de desdizer toda essa tua mais nova invenção? Se não é verdade ( neste momento, até eu estava meio preocupada, não pelo gay, mas pelo escândalo inesperado), esclarece de vez, para com essa bobagem de querer chamar a atenção, daqui a pouco te interditam.
- Sabe - Mirinha baixou a voz, como num segredo - estou a-do-ran-do essa função toda. Nunca recebi tantos telefonemas.
Essa é a Mirinha, minha amiga, louca amiga, estou até concordando com ela, meu pai dizia "FALEM MAL, FALEM BEM, MAS FALEM DE MIM". Contei isso pra Mirinha, até me arrependo, e ela me olhou bem na cara: "Teu pai era cheio de sabedoria".
Bueno, vamos ver até onde isso vai dar...(A filharada da Mirinha está sem se comunicar com ela desde domingo). 

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

SOU GAY

"Uma noite mal dormida, madrugadão na TV, quem sabe um Dramind resolve". Isso foi a Mirinha, que voltou da praia e sem nada pra fazer, fica ligando a qualquer hora para me contar suas loucuras. Desta vez, tive que tirar o chapéu: é muita criatividade. Lembram da Mirinha? Minha colega e amiga do Cassino? Ela mesma!
Naquela noite de insônia, bolou uma história "para sacudir a rotina dos mortais", me falou.
"Acordei - ou melhor - nem dormi. Chamei a família para um almoço de domingo.
- Tenho uma coisa pra contar pra vocês - assim, eles vêm, quem sabe estou doente terminal, andei fazendo exames com meu médico pediatra.
Uma da tarde, todo mundo comeu tudo, depois da sobremesa, as crianças ainda no sorvete e na TV, brigando pelo controle,  chegou a hora, pensei se usava o gerúndio, o particípio ou o continuous, vai de presente, que é mais cool! 
- Gente, SOU GAY.
Ficaram me olhando. Sabe, aqueles segundos de espanto ou susto ou susto espantado? Olhos arregalados de uns, quase fechando apertados de outros. E a explosão de todo mundo falando junto, as noras rindo, os filhos "que brincadeira é essa?", as crianças detonando minha TV...
- Então, é isso que preciso que me entendam. Cansei de procurar um homem alto, bonito e sensual, que seja meu parceiro em tudo, então, resolvi procurar uma mulher que me complete.
Sempre tive a certeza de que minha família era bem resolvida, sem preconceitos, foi assim que eduquei meus filhos. Doce ilusão! Amarga realidade. 
- Mãe, estás doente? Que tarja preta tá tomando? 
- Uma outra loucura da tua mãe - tinha que ser a nora, fulminando meu filho com um olhar diabólico.
A tia gaúcha, que estava de cruzada em Curitiba, estava no celular, espalhando a notícia em Uruguaiana, Rio Grande, Santa Maria, Porto Alegre, até na Austrália: "Mirinha arranjou uma namorada".
- Eu disse que tinha uma coisa pra contar, pois bem: contei. Quem quer café?"
Mirinha me contou que foi um estouro da boiada. Noras arrastando crianças porta a fora, filhos sacudindo a cabeça, mas seguindo as mulheres como bons carneirinhos, a Mirinha com a tia gaúcha, a única que ficou para "aconselhar" a perdida.
Isso que dá, insônia tomar Dramind. Se tivesse um Durmonid ou Valium ou Advil, ou uma boa dose,  talvez arranjado um baseado, o domingo seria diferente. Essa Mirinha... Mas a história continuou...E eu servindo de telefonista...Querem saber quem é a namorada... E o pior: Foi parar no Facebook.  

  

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

QUANTO VALE?

Meu grupo de reflexão tem me despido das verdades que eu acreditava serem eternas. Fico ouvindo, mais do que falando. Só essa experiência me transforma, eu que sempre gostei tanto de falar. 
Nem me reconheço. Aprendendo a ouvir. 
O tema era "O que tem valor na minha vida". E tinha que falar de si mesmo, não valia falar de teorias ou de outras pessoas - é tão mais fácil falar dos outros! "A fulana fez isso, estava errado ou certo"...Pensei muito, um filme passou em minha cabeça, família, amigos, conhecimento, casa, carro - adoro carro, preciso trocar o meu por um zero - tenho que fazer a sobrancelha definitiva, aquela que deixa a cara de palhaço, roupas novas para frequentar as festas com as amigas, quero viajar mais, muito mais...agora tenho tempo, estou aposentada...curtir a vida! 
Nesse momento, entra uma senhora bem idosa, roupas, sapatos e até cabelos brancos, toda de branco, com casacos e sacolas, estava frio naquele dia.
- Desculpem o atraso, nem tive tempo de me trocar. 
O coordenador fez uma pausa nos nossos pensamentos já interrompidos pela inusitada figura. 
- Você vem do hospital?
- Sim, é longe, me atrasei.
Fiquei curiosa, queria saber se era médica, enfermeira.
- Continua de voluntária? - uma pessoa do grupo perguntou.
- Sim.
Fiquei sabendo que ela, a branca total, era voluntária no Hospital do Câncer, na ala dos idosos, não era enfermeira, apenas conversava com os velhos doentes, muitos já em estado terminal, quem sabe, o último bate papo. Lembrei de minha querida que disse: "Acabou o assunto", e fechou a boca e os olhos para sempre. Quanto vale um momento?
Minha cabeça esvaziou. Fiquei envergonhada. Curtir a vida. Conversando com doentes terminais, de ônibus, quase uma hora de viagem...uma velhinha...
Ficou nos ouvindo, observando, depois de muitos depoimentos, já estávamos por ir embora, quando a branquinha falou de si:
- Minha filha acha que eu sou uma palhaça, já não sou criança, para andar por aí, sem ganhar nada e gastando, para falar com pessoas que talvez amanhã não verei mais. Faz 21 anos que trabalho com pessoas com câncer. Quando volto ao hospital, as camas e a doença são as mesmas, mas as pessoas são outras. Partiram. Então: O que tem valor em minha vida? - continuou a velhinha branca - vou dizer pra vocês, com uma pequena história. Tinha na ala particular uma senhora muito bonita, já a visitara 3 vezes. Sempre sozinha, ou melhor, com uma enfermeira só pra ela. Flores caras, um apartamento que daria pra uns 10 doentes. Podia pagar. Os filhos, grandes empresários, família cheia de compromissos, não tinham tempo de ficar com ela. Nesse dia, eu sabia que a doença estava muito adiantada, antes de ir embora perguntei se podia dar um abraço nela, que "amanhã não sei se poderei vir, tenho que fazer uns exames de coluna", e era verdade. "Quanto é sua hora?'Ela me perguntou. 
- Nada, não, eu sou voluntária.
Ela me olhou desconfiada.
Fiquei meio sem jeito, mas aconteceu algo, a senhora abriu os braços e me apertou com força. Seus olhos brilhavam com lágrimas:  "Nunca ganhei um abraço assim, sem qualquer intenção.  Hoje fiquei feliz de verdade."
 Então, vou dizer a vocês - disse a velhinha branca apontando o dedo para todos nós: O que vale, mesmo, é um abraço de amor.
A vida nos reserva grandes surpresas. Eu até agora penso que foi um ANJO.


Hoje fui pra feira comprar legumes e salame.Saí abraçando todo mundo, pensei que iam me chamar de louca. Mas não. Retribuição instantânea. Todo mundo se abraçou. Era eu que precisava de abraço. Tudo por causa do ANJO BRANCO. Obrigada, ANJO!!!

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

QUANDO EU ESTOU AQUI...ou A FORMATURA DO "PÉS NO CHÃO"


Muito difícil voltar a escrever. Parece que não sei mais como contar o real ou o ficcional. Leio tanto sobre tudo, minhas ideias estão embaralhadas. Então, vou contar a Formatura de Pré Escola  da Escolinha Pés no Chão, o Vinicius, com quase 6 anos, numa formatura que parecia de Universidade. Devo registrar, quem sabe depois que eu morrer, isso vira um livro, um diário, memórias, e meus herdeiros ganham uma grana...embora a maior herança seja o conhecimento, aquele que vai além dos bancos escolares, mas o conhecimento de si mesmo como sujeito de sua própria história. Bonito , isso, ouço desde que era normalista. ( Normalista  era a pessoa que fazia Magistério, que queria ser professora, acho que está extinta...).Então:



No Auditório do Santa Maria, escola Marista de Curitiba, no Bom Retiro, tudo muito chic, a minha pequena amada família presente, menos os Aussies que estiveram aqui em julho, mas acompanham toda a bagunça.


Formatura de verdade...   Curitiba, 24 de novembro de 2012.   

A Mãe foi chamada para receber o livro que os alunos escreveram...
Quem sabe, um de muitos, quem pode dizer o que será dessa história?




Depois da primeira parte, a Formatura do Pré 4, o guri recebendo o canudo com direito a UUUU e tudo, veio um balé das menininhas com os pais; um show, as pequeninas dançando, chamaram os pais, uns marmanjões tudo encabulados, mas que se desmancharam no palco: uma emoção, se uma foto diz mais que mil palavras, aí vai:

E foi também o encerramento do ano da escola. Sem exagero, uma Broadway em miniatura. Entrou uma boneca de pano, que ficou jogada atrás de uns livros quando sua dona cresceu e  esqueceu dos livros...e da boneca...e essa Boneca de Pano falou da importância de os pais contarem histórias e lerem livros para os filhos e netos desde bebês, o que eu concordo plenamente, meus filhos fazem isso com meus netos. Criança que convive com livros e histórias consegue alimentar os  sonhos e buscar finais felizes. E cada turminha de os Pés no Chão representaram um dos Contos de Fadas, coisa de chorar e rir e aplaudir.


A Primeira história representada, O Rei Leão, inacreditável!
Os bebês, recém aprendendo a caminhar, eram lindos leõezinhos,  pularam, representaram, arrancaram lágrimas e risos e aplausos.




Depois, as Brancas de Neve e os muitos anões receberam muitos AHs da platéia...Alice no País das Maravilhas e os Coelhos ...
Simbás e as Dançarinas Do Ventre!!!

Peters Pans e Sininhos...





                                                                    Pinóquios...


                                                                 Cinderelas e Príncipes...



As Belas e as Feras...o Vinicius era uma das Feras...
... o final, com direito a todos os artistas se despedindo...



Uma FESTA!!!!Palmas às professoras...um trabalho  para a responsável de ARTE, que chorou quase todo tempo, é um retorno que não tem preço...





 Temos que tirar o chapéu para a Escola Pés no Chão e para os pais que acreditaram...que não apenas pagaram, pois estavam lá!!! Tenho certeza que o Vinicius levará em toda a vida essa experiência...
E a Dinda, o Dindo, a Vovó, todo mundo se emocionando...uma fase da vida que passa...Ano que vem, a coisa muda, responsabilidades, cobranças...esperanças...

Me deu uma saudadezinha do Instituto União de Uruguaiana da Igreja Metodista...

A Fera...e aí estou eu, de Bela.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

MEDO DA INCLUSÃO

Sempre me preocupei com a sensação de desconforto cada vez que estou frente a alguém especial. Antes, lá pelos anos 50, falávamos deficientes - sem contar que, ainda crianças, não tínhamos a cultura do respeito às diferenças. Era um assunto proibido, os pais escondiam os filhos "doentinhos", os "retardados",  cegos e surdos ficavam confinados em casa, cadeira de roda era também uma raridade nas ruas, homossexual era doença que se curava com surras, problemas mentais com choque elétrico, a medicina não tinha ou buscava tratamento específico para cada caso. 
Hoje, felizmente, o assunto deixou de ser tabu e a maioria das pessoas convivem com as diferenças, muita influência dos meios de comunicação que expõe casos e causos. Ainda mês passado li uma reportagem de pessoas que adotam crianças especiais por opção, e as cuidam e as amam. E eu era diretora de uma escola com Classe Especial com 8 crianças especiais, e não conseguia ficar muito tempo lá, sentia uma angústia, algo inexplicável, fazia meu trabalho e admirava a professora com habilitação para trabalhar com essas crianças, os coleguinhas do ensino regular convivendo numa boa no refeitório, no recreio, auxiliavam com cadeirantes, maior carinho com downs, com jovens de 13 anos com idade mental de 3 ou 4 anos.  Depois, cada grupo para a respectiva sala de aula. 
Então,a palavra INCLUSÃO surgiu no sistema escolar.Acabar com a Classe Especial.As 8 crianças teriam que ser INCLUÍDAS nas salas regulares,  ser colega de 30 ou mais alunos e com professor que nunca tinha trabalhado com crianças especiais. Meus colegas entraram em parafuso. Apenas uma professora conseguiu se ajustar ao novo contexto, em que a "incluída" pouco se manifestava. Uma das melhores alfabetizadoras não conseguiu enfrentar a nova situação: a criança "incluída" batia nos colegas, rasgava cadernos, fugia da sala. A professora entrou aos prantos na minha sala e ali ficou, queria ir embora, sumir, nunca mais voltar à sala de aula. Excelente professora. Eu me desesperei, pois eu me coloquei no lugar da professora, literalmente, fui pra sala de aula,também imaginei como a nova situação mexeu com todos da aula, vendo a "incluída" perdidinha sem o atendimento especializado, foram  os piores momentos da minha função. ( como dói falar das crianças entre aspas "incluída". Não posso dar nomes...)
Muita coisa aconteceu depois,  tivemos que reativar a Classe Especial. Voltar à convivência cheia de carinho, a separação por salas era tão normal como por séries, não daria certo incluir uma criança da 1ª na 3ª, situações diferentes...Classe Especial era, apenas, uma outra série na ideia dos nossos alunos...
A escola voltou à tranquilidade. O retorno da professora especializada fez a diferença. As crianças especiais tinham sofrido demais, regrediram,  a ideia de inclusão fez a  exclusão.








N.B. Lembrei-me dessa história ao falar sobre meus problemas com uma amiga, psicóloga, que atende professores estressados, deprimidos, doentes. Professores excluídos do sistema. Professores que não têm habilitação para trabalhar com especiais. Sorte minha que me aposentei. Ou estaria num consultório, com uma licença de saúde. Trauma. Os professores que atendem classes com inclusão devem ter condições, conhecimento, recursos,  coisas que o sistema não proporciona. 


( Na auto-análise, descobri que na minha infância eu tinha um amiguinho/parente, o Bididi, com síndrome de down, dois anos mais que eu, e ele dizia sempre que ia se casar comigo...Eu queria um Príncipe igual ao da Cinderela, morria de medo de ter que casar com o Bididi. Talvez venha daí o desconforto...Desconforto, na verdade é um eufemismo. Ter coragem de assumir que não sabe conviver com especiais, não é fácil, é ser autêntico.É a maneira de vencer a rejeição.  Aceitar, conviver, compreender. E, principalmente, sermos compreendidos e respeitados por essa atitude.  Somos todos diferentes. )