MINHA VIDA É UM PALCO

MINHA VIDA É UM PALCO
Somos como atores neste palco que é o mundo, as cenas são os dias e noites, e o roteiro quem escreve é a VIDA!A vida depois dos 60. É começar novo, novos horizontes, um mundo diferente e muito mais LEVE! A gente está sempre começando, sempre aprendendo...E aos 60 anos, a gente nasce de novo! A minha Infância da Maturidade! COMO SERÁ NOS 70?Na minha ADOLESCÊNCIA da Maturidade...CHEGUEI! Cheguei chegando imaginando a vida toda...70 ANOS! BÓRA LÁ QUE A VIDA TÁ PASSANDO!!!E até uma PANDEMIA!Nunca pensei ...De repente, ficar presa em casa, sozinha. Se sair, o CORONA VÍRUS pega. Horrível todo mundo sem se tocar.

quinta-feira, 23 de julho de 2020

VELHO DISCRIMINADO?IDOSO EMPODERADO!



EMPODERAR é o verbo da moda.

Empoderamento da mulher, empoderamento do gay, empoderamento do negro, empoderamento do artista, empoderamento da gorda (não sei por que não falam do gordo),  e por aí vai. 
Pois eu estou na batalha do EMPODERAMENTO DO IDOSO. 
Com o isolamento total do grupo de risco nesta pandemia, necessário frente a um vírus inexplicável e terrível, os primeiros a serem confinados fomos NÓS, OS IDOSOS! Não houve uma triagem para ver se o idoso tinha OUTRAS doenças a não ser a idade, bastava ter mais de 60, pronto! Tranca o velho! Tinha até velho importante na TV ameaçando os outros velhos sem cargo público: "FIQUEM EM CASA, PÔ! Se continuarem a sair, vocês vão ver o que é bom!"
Moral da história: Os idosos foram encarcerados! 
- Vó, é pra te proteger do vírus!
- Mãe, se fores contaminada, vais pro hospital e nunca mais vou te ver...
- Vô, deixa de ser teimoso, não adianta sair escondido, o covid está te esperando lá fora.
- É pro teu bem, nós te amamos! 
- Reclamando de quê? Tem casa, comida, sofá, TV, celular pra ver os netinhos, ganha tudo na mão...

... E o tempo passando e a gente se acostumando. Afinal,meu dever cívico com mais de 70 é esperar a vacina, não vou preocupar a família.  Meu vizinho nem saiu de casa, pegou o corona e morreu. Foi muito triste. Tinha 80 anos e era cardíaco. A sobrinha da amiga da minha amiga não tinha doença, pegou o covid 19 no trabalho e se foi, com 23 anos. Tragédias diárias da pandemia. O vírus não faz discriminação.
Todo cuidado é pouco. Mas... Depois de mais de 100 dias, a cidade num abre e fecha, os velhos continuam velhos mais velhos e discriminados. Ou será que já foram esquecidos?  
Álcool gel, máscara, falar atrás da janela, estou condenada a não participar mais da sociedade. 
Até agora não vi nenhuma pesquisa sobre quantos idosos morreram do abandono físico, afetivo, mental. 
Doenças à parte, o velho foi discriminado. Olhado como apenas velho na certidão de nascimento, nunca mais na história deste país,  o velho foi respeitado pela salvação da humanidade. Foi transformado num problema social. O responsável pela crise na previdência. Um pária. Um teimoso. Uma ameaça. 
 Agora, apenas é responsável por não ocupar um leito. Imagine, uma colega da minha idade diz que se estiver num leito de hospital e chegar alguém com menos de 60, ela levanta da cama e dá lugar pra aquele. Ou seja, se eu não presto mais pra nada, tanto faz.  Assim como no ônibus, mas invertido: os velhos dão seus lugares aos jovens. Mas não é esse mesmo jovem que pede ao vovô pra ficar em casa? Pois não quero que você morra, eu te amo! Pai, não entra em ônibus? Mas se o velho tem carro, sair ele pode. Ir ao mercado, ele pode, afinal, não vai ter contato nem com outro velho. Mas tem que ser das 7 às 9 da manhã. Com esse frio? Vou é pegar uma pneumonia. Às vezes, penso até que são os velhos que atrapalham o trânsito e as negociações do G5.
Então... Não me culpem se eu sair escondida, disfarçada de antes da melhor idade. Cabelo branco pra dentro do chapéu, óculos escuros e máscara 3D, roupa discreta e sacola retornável. Minha fantasia de quarentena. 
Repetindo: Não toque na máscara, álcool na mão, não fale com estranhos e em hipótese alguma fale com conhecidos. Procure um supermercado ventilado, onde seus filhos não vão!
LEMBRE-SE: Quando tudo abrir de novo, os últimos a serem liberados pra sair de casa serão os que primeiro foram presos: SERÃO OS VELHOS! Que estarão mais velhos...
Todas essas reflexões eu tenho porque tenho tempo, "mãe, agora que tens tempo, aproveita pra fazer yoga e meditação", por favor, filho, fechada em casa todo dia o que mais eu faço é meditação. 
Por que não aconselham a fazer LIVES? A escrever sobre meus problemas nesta fase de confinada?  
Só os políticos com mais de 60 podem ser políticos? Quantos presidentes têm menos de 60?Poucos. Os mais famosos já estão na faixa de idoso. Estão fechados em casa? NÃO, estão influenciando o mundo, transmitindo o que sabem, respeitados pela experiente sabedoria. (tudo bem, tem alguns que são totalmente teimosos e insanos...)
BY THE WAY
Esses argumentos estou registrando para minha campanha. Vou entrar no Insta, no Face, vou Tweetar, quem sabe me candidato a vereadora e apareço na TV. Influenciadora de idade do You Tube. Quero EMPODERAR OS IDOSOS! Principalmente AS IDOSAS!


                    CHEGA DE DISCRIMINAÇÃO!
          
                       IDOSA EMPODERADA 
                              NÃO É 
                 VELHA DISCRIMINADA! 

COMPARTILHE SE QUER SER EMPODERADA(OU EMPODERADO, SEM DISCRIMINAÇÃO)

  

quarta-feira, 22 de julho de 2020

"O HOMEM, ESSE ETERNO MASCARADO"

Awebic autossabotagem


Mario Quintana. Sempre atual. O homem, esse eterno mascarado.


Ele dizia que quando o homem descobriu a própria nudez, inventou a máscara. Para esconder-se da vergonha de ser. Amarrou um pedaço de couro para cobrir suas vergonhas, aqueles primatas. 
Depositphotos
Até hoje, com botas, casacos, bolsas, um minúsculo biquini ou um traje chiquérrimo de rainha, roupas, acessórios, até desenhos,  cobrem a pele humana. Por fora. Indicam  nacionalidade, crença, desejos, mostram poder ou miséria. 
O homem, esse ser fantasiado. 
Como se não bastasse a aparência externa de um visual para externar as diferenças, o homem quis descobrir o outro pela comunicação. Sinal de fumaça, impulsos elétricos, ondas sonoras, sons e imagens.  
Surgiu o telefone, o homem ficou deslumbrado ao falar sem ter que se mostrar ao interlocutor.
O imenso mundo se transformou numa aldeia global. A lua dos namorados pisoteada pelo homem virou uma bola azul. Veio o computador, e com o Skype e o Orkut, os amigos foram chegando pela tela instantânea de qualquer lugar do Planeta Terra. A carta contando novidades de longe, a foto da família, essa carta tão individual, com essa foto tão íntima,  deixaram a distância do tempo para o quase agora: O Face revelou não apenas a imagem, mas a imagem que é preciso pra se definir na rede social, verdade e mentira, realidade e ilusão, o computador entrou no celular e aqui estamos na mão e no olhar, revelando até as intimidades que poderão se tornar públicas num simples click. Paisagens, festas, viagens, a necessidade de postar, postar, postar. E as máscaras cada vez mais apelativas na incrível necessidade de se mostrar, não basta ser, tem que parecer. 
Foi aí... Deu um blecaute. 
mascarada Pinterest timbublr

Apocalipse, peste, praga, guerra, solidão. É esta pandemia, um vírus que os homens carregam e disseminam, viaja pelo Planeta e entra sem avisar nos corpos pelo contato carnal, pelo beijo e pelo afago. Como viver sem? 

Condenado ao isolamento físico, o homem sozinho  não precisa de máscaras. Postar o quê? Melhor uma live, chamar pessoas também  confinadas para o quadradinho da tela e clicar. 
A emoção do postar, postar, postar foi substituída pelo vídeo imediato.  Sua casa, seu quarto, sua mesa com comida, suas roupas da cintura pra cima, às vezes pego em flagrante íntimo consigo mesmo escabelado,com a cara natural num momento em que não queria aparecer. Sem máscara. Sem obrigação de aparentar para a sociedade. 
 Afinal, tem uma pandemia. Não tem reunião com amigos. Saco cheio. Mente vazia. Vontade zero. Não pode fugir pra casa da mamãe. Mamãe também está isolada. 
                             .    .   .
Sorte do homem que tem comunicação virtual,ele sempre quis descobrir como se comunicar  de longe. Conseguiu. Agora pode. Máscaras caem a todo momento.Pra que comprar roupas? Por que ostentar as jóias?E a bolsa de 5 mil, qual a necessidade?
  Sem abraço, sem beijo, sem aperto de mão. 
Basta  Google Meet, Zoom, Messenger, Skype, Whatts - whatts, o supremo companheiro, o maior acompanhante neste verdadeiro vazio existencial. 

POIS  o homem de agora não quer mais isolamento. Não quer mais ficar na frente do computador. E dizer que só fazia isso...
Agora quer gente tocável, palpável, agarrável.

E para ir pra vida lá fora, vai usar máscara pra se defender da morte.  De novo. 

O homem, esse eterno mascarado. 

sexta-feira, 17 de julho de 2020

SAINDO DA NOVENTENA




Chega!
 Hoje completo 4 meses, 3 dias, 7 horas, 56 minutos, 27 segundos fechada no meu apê. Morrendo de medo do corona me pegar e eu ir pra um hospital que não tem leito pra velha doente com covid ou sem covid, vai ser tudo a mesma coisa, e se eu morrer nunca mais vou ver meus entes queridos, minhas amigas, minhas colegas, o cara da entrega, e o que é um terror: meu celular, nunca mais! Vão me fechar num caixão, vou ser cremada - como eu queria - mas  será que vão me queimar direitinho? Não vai ninguém me acompanhar, e as minhas cinzas também serão incineradas como material radioativo? Eu queria minhas cinzas jogadas nos oceanos...Será que vão misturar com cinzas de gremista? 
Por tudo isso, fiquei todo esse tempo olhando o mundo pela minha janela. 4 meses, etc.etc.etc.O Inter 2 - aquele ônibus de fole, comprido, já passou lotado, já passou vazio, não passou, agora está mais ou menos cheio, a igreja da frente já fechou, já abriu um pouco sem música, fechou de novo e as poucas pessoas entravam pela garagem, furtivas...Diz-que agora vão entrar com metro e meio de distância umas das outras...Até os velhos e as velhas apareceram caminhando, devagar, abafados pelas máscaras, afastando todas as pessoas que não são velhas. Os cachorros continuam levando as pessoas a passear, fazem xixi e cocô em toda árvore e portão, fazem cocô e os donos com as sacolas plásticas juntando e deixando nos lixos dos outros, ninguém para reclamar.
Gente bem educada, os passantes da minha janela.

Pois HOJE é o dia da minha libertação. 

Vou vestir as roupas e sapato novos, que estão guardados para momentos especiais, fiz máscara vermelha com viés branco, meu cabelo que cresceu e está com raízes brancas, me disseram que é moda; "não passar batom", me disse uma amiga que tem prática em sair pra rua, pois mancha a máscara. Dá para pôr brinco, de preferência de brilhante. A bolsa grande não dá pra levar pois atrai o vírus, que estará me esperando lá fora. 
Nem vi o noticiário das estatísticas de hoje,quantos pegaram o vírus,  essa minha saída deve ser uma decisão minha respeitando o coletivo. Enfim, livre. 
Vector.me
Na rua, com o sol na cara, caminho contra o vento, com máscara e documento! 
Faço toda a volta na quadra, aceno para os carros, dou bom dia pra senhorinha sentada atrás das grades, afinal, consegui ! 
Bora lá, MUNDO!!!
A volta pra casa, ofegante, satisfeita, emocionada! 

(Nem deu trabalho tirar tudo para lavar, um banho relaxante, estou doida pra postar essa minha aventura. Agora tenho novidades...)

sábado, 13 de junho de 2020

SANTO ANTÔNIO, ME DÁ UM MARIDO!!!


Plaquinha Casa Festa


Véspera de Santo Antonio. Já faz anos que não fazemos mais as provas. A gente chamava de PROVA, era um preparo da casa, com a melhor sala com tudo que fosse preciso para realizarmos AS provas: uma bacia grande, copo, água, papel...
Lá fora, um quintal grande ou pátio aberto, ou campo, a fogueira preparada, tinha fogueira todo mês de junho, Santo Antônio, São João dia 24, São Pedro, dia 29, Padroeiro do Rio Grande do Sul, mas no 12 de junho (década de 50), não era dia dos namorados, era o dia de PEDIR MARIDO pro Santo.
Moças, meninas moças, solteironas, todas se reuniam na casa da mãe mais dedicada a desencalhar as gurias. Avós, mães, madrinhas, tias, todas ajudavam a montar a cerimônia. Os pais ficavam na torcida, se a filha fosse uma desfrutável ou muito feia iriam ter problemas.
Quem se lembrar, me ajude, vou falar só das provas mais decisivas e impactantes. E tudo DE VERDADE, a coisa era séria. Quem não se casasse, teria que cuidar dos irmãos, dos sobrinhos, dos velhos da família, e ainda fazer os trabalhos de casa. Casar era ter a própria casa, mandar na vida, fazer sexo. Era uma festa! Muito riso, muita animação, segredos revelados, quem já beijou, tudo esquentando...
Então, as prometidas sentadas ao redor da mesa, as famílias preparando a festa, crianças enxotadas pra fora da casa,Santo Antônio, coitado, com toda a responsabilidade.
Mais ou menos assim:
- copo com metade de água, uma aliança de qualquer pessoa pendurada por um fio do próprio cabelo, pendurava dentro do copo, quase tocando na água; não podia mexer a mão, a coisa era meio sobrenatural, a aliança começava a balançar sozinha, e... quantas vezes a aliança batia no copo, eram os anos que faltavam para o casamento. Algumas devotas do Santo queriam morrer quando a aliança batia sem parar; mas como a moça ficava feliz quando davam duas ou três badaladas...O pior: quando a aliança ficava pendurada, sem se mexer...a criatura ficaria encalhada pro resto da vida!!!E ninguém roubava no jogo. Mas muito engraçado. 
- uma bacia grande com água, um barquinho de papel pronto para navegar na bacia, e ao redor,  por dentro, colados, papéis com o nome das casadoiras. Fazia um redemoinho na água, e, dentro do barquinho de papel o nome de um dos grandes partidos da cidade, conhecido pelo grupo, desde um garanhão lindão até o mais transparentes ou infeliz dos mortais. O barquinho iria parar num dos nomes. O pior ou melhor é que acontecia o casamento...
- num pedacinho de papel, escrevia o nome do desejado marido, enrolava bem e enfiava dentro de uma laranja:essa laranja ia pra cima da casa. Ficava toda noite lá. Na manhã de Santo Antônio, ia pegar a laranja, devidamente molhada pelo sereno ou geada da noite: se estivesse intacta, nada feito; se amanhecesse aberta, casamento na certa.
- copo com o dedo de todas, nomes dos rapazes colocados ao redor da mesa, alguns pontos de interrogação, falava-se o nome da moça casadoira, o copo escolhia.Interrogação era quando o pretendente ainda não tinha aparecido...Parecia o jogo do copo de hoje, quem sabe, esse jogo surgiu por causa desse desafio junino. 
- Segurar a vela pingando na água da bacia: formava uma letra, a letra DO AMADO! E aparecia! Não tinha como roubar...

E lá fora ficavam os guris,os moços, pretendentes e candidatos,nervosos, fumando e bebendo, esquentando a fogueira, esperando que o Santo resolvesse a vida deles...

E o Santo, coitado, todas as mães colocavam Santo Antônio em lugares estranhos, e enquanto a filha não casasse, o Santo ficaria preso, sem vela e sem oração.

Mas como era bom quando dentro da casa a função terminava,era uma gritaria, mocinhas enlouquecidas e alvoroçadas, moços ansiosos já aquecidos,  todo mundo ao redor da fogueira,  tinha música, dança, muito amendoim e quentão com e sem álcool, muito chimarrão passando de mão em mão, e as mãos passando.
...Pois o namoro vai ser sempre uma conquista e uma surpresa. 

Por mais que mudem as atitudes, continuam as escolhas.
 Ontem vi a live do Fabio Junior, hoje tenho a live do Luã Santana. Puro amor.  Pois namorar é bom.E não adianta querer só virtual.  Vou parar por aqui... Santo Antônio é terrível!

segunda-feira, 1 de junho de 2020

O COV ME PEGOU!


Foi uma noite de terror.
Eu não consegui engolir. Uma vez. Duas vezes. Tentei de novo. Nada. Não consigo engolir.Foi bem assim.
 Parei pra pensar. 
O que está havendo? Minha garganta fechou? Tentei de novo. Nada. Pequei a garrafinha de água, sentei na cama, enchi a boca de água. De novo. Nada. Eu não conseguia engolir.
 Pensei, vou levantar. Mas se eu cair no chão do meu quarto? Eu, sozinha. Não adianta chamar, não adianta gritar, o celular ficou carregando na sala. E já é tarde, nem vizinho vai me atender. As pessoas podem achar que eu estava louca. 
Mas...
Experimente ficar sozinho, de madrugada, sem conseguir engolir. Um dos sintomas da pandemia. Garganta que fecha.Até minhas pernas estavam frouxas.  
E se eu ligar do fixo que tem ao lado da cama? Chamar um filho? Um amigo? O que vai acontecer comigo? Vão me levar para o hospital, vou ter que deixar este meu isolamento com TV, celular, caminha bem quentinha,cozinha cheia de louça do domingo,foi um domingo tranquilo com sol e bergamota e muitas conversas pelo whats, pela janela, pela área aberta do prédio, comida, bebida, lives, muito whats até em grupo. 
Consegui engolir um pouco da água. Ainda consigo respirar. Mas não consigo engolir. E as dores já estão no pescoço. Nunca mais vou ver as pessoas que amo. 
É o ar. A falta de ar. 
O ar que a gente tem de graça, isso não vou ter mais. 
Acho que peguei o cov. Ou o cov me pegou. 
Acho que quando fui ao mercado comprar ovos.E resolvi comprar bergamota, também. Falei com uma pessoa que estava sem máscara, acho que foi aí, ela estava de longe, mas nunca se sabe. 
Ah, já sei! Foi quando peguei o celular da vizinha para olhar a foto do neto, mas ela também passou álcool gel.
Também esqueci de tirar o tênis ao entrar em casa. Devia estar cheio de cov.  Mas eu estava de máscara, passei álcool gel em tudo. 
Tudo passa como num documentário na minha cabeça, muitos flashes.
 E não consigo engolir direito. 
 Ainda bem que não tomei o zolpiden pra dormir, como vou dormir sem respirar? Dormir mesmo com zumbido dá certo, então! se esse remédio é para eu dormir mesmo com o zumbido gritando na minha cabeça, talvez seja a solução.  E se estiver dormindo, não vou me dar conta que não respiro. Tá.
Tomei o  remédio. Com água. Consegui engolir um pouquinho mais de água. O ar entrava e saía lentamente.Não lembro de mais nada.  
Abri os olhos. A TV continuava ligada, não foi pesadelo!  Devo ter apagado. Sempre fico apagada por 5 horas. Mexi pernas, braços, espiei aclaridade, quer dizer que eu estava vica e consciente. Senti o cheiro do frio. Engoli eu mesma. Eu continuava sem engolir direito. Levantei, fui ao espelho, não consegui ver minha garganta.  Sem dor no pescoço e nas pernas,passei e cheirei o café, estou com gosto e olfato. O café desceu devagar esquentando tudo,  e foi o melhor gole cheio que tomei na minha vida! Eu estava viva e, ao que parece, estou com laringite ou faringite ou qualquer outra ite. Vou esperar. Já estou acordada, escrevendo, rotina da manhã, já engolindo não muito bem, mas funcionando. 
Vou continuar observando. Ontem no mercado toquei em muitas bergamotas.E comi algumas. Não passei álcool gel nas bergamotas. Pois é.


GauchaZH