A vida começa aos 60 anos. ATUALIZANDO...a vida começa aos 74. Agora, já estou com 75. A pandemia do Corona Vírus passou. A COVID se transformou em doença, que precisamos tomar vacina todos os anos, o vírus se transformou em coisa igual sarampo. POR ENQUANTO, estou escrevendo, copiando crônicas que escrevi nesses tempos de estranheza numa realidade de idosa. QUANDO eu ficar velha, talvez não tenha vontade de escrever mais. Agora estou com 77 anos. Vou registrar alguma coisa do meu diário.
MINHA VIDA É UM PALCO
Somos como atores neste palco que é o mundo, as cenas são os dias e noites, e o roteiro quem escreve é a VIDA!A vida depois dos 60. É começar novo, novos horizontes, um mundo diferente e muito mais LEVE! A gente está sempre começando, sempre aprendendo...E aos 60 anos, a gente nasce de novo! A minha Infância da Maturidade! COMO SERÁ NOS 70?Na minha ADOLESCÊNCIA da Maturidade...CHEGUEI! Cheguei chegando imaginando a vida toda...70 ANOS! BÓRA LÁ QUE A VIDA TÁ PASSANDO!!!E até uma PANDEMIA!Nunca pensei ...De repente, ficar presa em casa, sozinha. Se sair, o CORONA VÍRUS pega. Horrível todo mundo sem se tocar.
terça-feira, 2 de abril de 2019
EU QUERO UMA EMPREGADA!
Hoje eu acordei com saudade de você, Cenira!!!
Cenira foi minha diarista no Cassino (Cassino é o nome de um balneário no RS, não é jogatina).
Como era bom ter a Cenira todos os dias, ela era autônoma, a gente dividia o INPS.
Levantar de manhã, tomar café e sair, a casa ficava pra Cenira. Meio dia voltava, engolia qualquer bife e saía. A cozinha ficava com a Cenira. À noite, eu chegava quase meia noite, a casa limpa, a mesa posta para minha janta, jogar no sofá e comer um bauru com uma cerveja gelada na frente da TV com as pernas pra cima, Viva o Gordo JÔ. O Barthy, a Bonnie e o Byron (dogs herança dos filhos que foram embora e deixaram os cachorros pra eu cuidar) deitados à porta, esperando as sobras do meu lanche.
Dormia até acordar e começar tudo de novo. Trabalhar 60 horas por semana é tudo de bom quando em casa tem uma Cenira.
Hoje acordei com saudade. Liguei para meus filhos - pelo whats, óbvio - e chorei: Estou morrendo de saudade da Cenira. Por favor, preciso de uma empregada! Resposta, querem saber?
- Mãe, tu não faz nada, pra que precisa de uma empregada?
Realmente, trabalhei dos 10 aos 60, agora faz 10 anos que faço nada. Acho que vou mudar o pedido:
-Preciso de um cuidador. Alto, moreno, bonito e sensual pra fazer fisioterapia, massagem, comida, e me levar pra rua.
Pronto.
Será que consigo?
segunda-feira, 1 de abril de 2019
segunda-feira, 4 de março de 2019
ANOS 70
Aqui estou. Entre trancos e barrancos, entre festas e doenças, entre gorduras e joelhos, entre bellas e feras, aqui estou.
Sobrevivente?Talvez. Continuo nadando, um dia de cada vez, uma vontade, uma obrigação, uma preguiça, pode ser depressão, pode ser bipolaridade, pode ser frescura da idade.
O importante é botar uma máscara bem queridinha, inventar um novo sorriso e sair por aí.
Mas tem que fazer uma maquiagem na alma. Ninar e fazer adormecer as ânsias e as obrigações de parecer feliz. É um desafio acordar e ter que levantar, comer e ter que se arrumar, sair e dizer pra todo mundo Bom Dia, Tudo Bem? O carnaval está aqui, vamos pular muito hoje. Ou Adoro ver pela TV o Carnaval do Rio, como a Viradouro foi um show de literatura e a Grande Rio veio com o mundo virtual. Pois eu estou sempre atualizada, sei falar sobre tudo e meu discurso tem a adequação a qualquer cultura e idade. Seria hipócrita se não fosse muito bem embasado.
Ainda tem a coisa de O que os outros vão pensar do que escrevo. Chega a censura familiar, política, social. Como pode uma mulher idosa - velha - fortinha - gorda - vó - mãe - amiga - parente dizer coisas dessas?Eu nunca me importei?!? mais essa, agora.
Esconder-se atrás da discriminação natural sem conseguir verbalizar seus pensamentos mais importantes porque o mundo poderá não entendê-los. Cavar um poço para suas verdades e explorar seus desejos escondida no planeta das ideias. A cada dia, com o tempo, vem o receio da incompreensão. CENSURA. Eu me censuro o tempo todo.
Acho que chega.
Chega de viver a vida dos outros. Eu quero a minha de volta. Ter o direito de dizer não, sim, talvez.
Viver meus anos 70.
O passado acabou, o futuro não existe, estou viva.
Mas
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| printerest |
Alimentar minha alma é um objetivo.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019
ADEUS, ANOS 60!
69. Um número cabalístico. Sexy. Tanto pode ser 69 como meia nove. Vira e revira, estou fazendo sessenta e nove desde 19 de fevereiro de 2018.
Agora é a despedida.
Ao chegar aos 70, encerro uma década de Renascimento.
Nos Anos Sessenta, nasci de novo.
Já havia passado por todas as revoluções: Criança Feliz, Anos Rebeldes, Revolução Profissional, Política,Existencial, Familiar, e por todas as fases da vida até chegar à Maturidade.
O choque da Aposentadoria e enxergar a libertação das ordens e dos horários. Meus Anos 60. Família independente e eu para decidir a própria vida, aprender a caminhar sozinha para um futuro imediato e uma eternidade instantânea. Sexagenária. IDOSA.Um susto quando se lê.(Mas se for Sexygenária, que aprendi com a Mirinha, ficou mais leve). E já passou.
Com uma Surpresa Fantástica e Inesquecível, me despeço dos meus anos 60.
Mais um capítulo com final feliz.
Adeus ANOS 60!

É pra frente que se anda; amanhã começo a minha década dos ANOS 70.
Mais ou menos 3.650 dias cheios de PESSOAS que fazem esta vida valer a pena!
Um sentimento enorme:
GRATIDÃO.
Obrigada! Obrigada!Obrigada!
segunda-feira, 31 de dezembro de 2018
COMO UMA ONDA, AÍ ESTÁ 2019
Fim de ano.
Já desejei um ano novo cheio de SURPRESAS BOAS, no outro, desejei ESPERANÇA, mais um e desejei uma FATIA DE TEMPO com surpresas boas e muita esperança, agora está na hora de mais um ano que vem por aí e já estou naquela de que tendo saúde, tudo bem.
Sabe quando nasce uma criança? A gente diz " O que importa, é que tenha saúde"...Mas não é só isso. Tem o Amor.
Não nos contentamos mais apenas com uma fatia desse tempo que está nos esperando, pois não é o tempo que passa; somos nós que passamos pelo tempo.
Como a Vanessa me lembrou, a vida é um instante de eternidade, um presente que ganhamos, e como precisamos de que cada instante seja bem aproveitado. Ela me ensinou o que quer dizer isso. Curtir com as pessoas que amamos. Viver O instante. Abençoar cada farelinho desse bolo que se chama tempo. Com Amor.
Essa palavra, AMOR, nunca esteve tão ressignificada. Tem gente que apenas curte, mas não compartilha. Ou, quem sabe, curte sem saber a importância da mágica do instante.E compartilha sem saber o quê. AMOR tem que sentir, tem que dar. Fisicamente. Abraçar, beijar, tocar.
Por toda essa filosofia que não tem nada de vã, nesse ano que está nos esperando, vamos aprender com as ONDAS.
A onda vem e vai.
A vida é também COMO UMA ONDA, às vezes vem ameaçadora, outras vezes vem tranquila. E quando vai, leva tudo. De bom e de ruim. É a Natureza que ensina.Recém estamos aprendendo.
Como uma onda...Tudo passa. O Amor fica.Sempre.
Vamos atravessar esse tempo que denominamos 2019.COMO UMA ONDA!
Nunca se afogar com A ONDA.Tem é que saber NAVEGAR NA ONDA.
Um ano, um dia, um segundo,uma onda de eternidade.
"A
Vida é uma fatia de tempo.
A Vida é um privilégio que temos neste momento de
eternidade.
E para nós, humanos, a eternidade é finita."
(Bellabereg em FATIA DE TEMPO)
sábado, 8 de dezembro de 2018
LIVRO FECHADO
Como as crianças gostam de histórias! A cada dia, um mundo continua existindo fora da telinha. É só montar um espaço, pegar um livro e começar...A Shirley ficou surpresa: 3 netos brincavam, estavam na maior bagunça, não adiantava pedir para sossegarem, estavam incendiando o apê.No desespero, Shirley pegou um livro e iniciou a leitura para o mais próximo. Qual a surpresa quando todos pararam a folia e sentaram, caladinhos, ouvindo a história. Depois outra e mais outra...Uma hora de viagens e sonhos e SURPRESA para minha amiga,que nunca imaginou que esse seria um dos muitos momentos de "Vovó,lê uma história?"A própria Shirley achava que ler era perda de tempo, tanto a fazer e ela ali, estátua, lendo.E descobriu que os netos adoraram tanto aquela hora do conto que agora já tem dia marcado.E ela está lendo tudo, pra escolher as melhores histórias. A Shirley está lendo.Também pra ela.
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| pixabay notas |
Agora estamos bem no olho do furacão: o LIVRO está em estágio terminal. Praticamente na UTI.
Fui à livraria quarta-feira. Milhares de livros esperando, é caro, a gente sabe, mas custa menos que um creme de pele. 6 latas de cerveja. Um lanche no Mac.
Gráficas, livrarias, editoras fechando. Será o fim do livro? Nunca acreditei que o jornal acabaria - aquele de papel que a gente levava embaixo do braço e lia em qualquer lugar - pois está agonizante. Nem pra embrulhar copos na mudança tem. Jornal passou a ser raridade. Coisa exótica. Passado.O jornal se foi.Terá o livro o mesmo fim?
Entrei na campanha do DÊ UM LIVRO DE PRESENTE. Vá a uma livraria.Antes que se transforme em bazar.Ainda tem muita coisa boa. Escolha bem! Cada pessoa tem um gosto, descubra quem gosta de quê, que tem sempre um livro pra cada assunto. Livros pra todas as idades.Tem livro de receita de tudo. Livro de amor. De fossa. De história, todas as histórias. Faça como a Shirley, leia para seus netos.Ou dê pra você aquele livro que ouviu falar...
O livro é concreto. Não precisa de carregador. Nunca termina a bateria. É um companheiro de vida.No momento único da solidão do meu eu.No meu arquivo pessoal.Salvo.
segunda-feira, 26 de novembro de 2018
CUECAS E ESCOVA DE DENTES
CUECAS E ESCOVAS DE DENTES
(Editado - Do Diário da Mirinha)
Zuleica não aguentava mais.
Toda vez que tocava o celular,João Henrique se escondia para atender.
Disfarçava, falava "mais um engano,número errado, toda hora é essa
chateação, qualquer dia jogo fora esta bosta".Zuleica se remoía de
desconfiança. Devia ser alguma sirigaita atrás do marido. João Henrique era
tudo de bom: forte,trabalhador,dedicado à famíla. Mas ultimamente andava
nervoso, sempre com um compromisso na rua,parecia que estava com o bicho
carpinteiro. Olhava o relógio toda hora, e ainda o perfume...Nunca deu bola pra
perfume, agora anda comprando uns importados falsificados, será que virou gay?
E na hora de dormir,inventa qualquer coisa, um filme, um jogo na TV,Zuleica com
camisola de seda e tudo e ele nada. Mais o chiclete. De menta. Mascando
aquela coisa gosmenta, nem bebia mais, se bebesse não podia sair.
Zuleica comentou tudo isso com a Mirinha, "estou achando que João Henrique
está me traindo". Mirinha não é especialista em traição, mas já viu tanta
novela que sabe tudo de safadeza.
- Olha aqui, Zuleica: Tem um esquema infalível. Pega o celular, anota os
números repetidos e liga, mas tem que ter um ship novo pra não descobrirem que
és tu chamando...Se uma mulher atender, inventa uma desculpa, diz que é da
Renner e quer mandar um presente. Pega o endereço.
Foi fácil demais. Nem precisou do presente da Renner.A voz inconfundível da
Izabelita disse alô. Zuleica quase morreu. Izabelita.
- Mirinha, a sirigaita é a Izabelita, mulher do Adroaldo da padaria. Com três
filhos. Safada. O marido amassando pão e ela sovada pelo MEU marido. É hoje que
boto aquele cachorro pra fora de casa! Atiro as roupas pela janela. E chamo o
Adroaldo. Eu quero sangue!
- Calma, Zuleica.Tem uma vingança maior.Pega as cuecas e a escova de dentes do
João Henrique e leva pra Izabelita.Ela que usa o caralho, ela que lave as
cuecas do garanhão.E diz que depois vais mandar as malas. E os filhos do Pedro
Henrique pra morar com ela.Me conta, depois da visita.Sempre funciona.
Zuleica fez bem assim.
- Mirinha, ela abriu a porta e ficou disfarçando, grande amiga, ela. Eu não dei
nem tempo de ela abrir a boca - a Zuleica contou tudo, telefonema demorado,
esse - fui logo atirando as cuecas e a escova de dentes na cara dela, ela que
lavasse as cuecas do sem-vergonha - a vagabunda chorou, pediu perdão, jurou
nunca mais ver o Pedro Henrique, tinha sido uma vez só, ela e o padeiro
Adroaldo viviam bem, tinham filhos, não podia estragar a vida.
- Zuleica, tu perdoaste? Agora és uma chifruda e santa?- Mirinha sabia o fim da
história. Foi assim com a Paula Maria.Com a Nereida Marta. E com a Eva
Cristina. Elas, as cornas, sempre perdoavam.
- Deixa eu te contar o resto, Mirinha.-Zuleica estava cheia de razão- Cheguei
em casa, disposta a jogar as malas do safado do Pedro Henrique pela janela,ele
entrou como um furacão, olhar de assassino, de certo tinha falado com a
vagabunda, quis ganhar no grito, que eu estava louca. Mandei "cala a boca
que o padeiro vai saber agora mesmo". Pedro Henrique murchou, Adroaldo era
grandão, o rei do pão,ia fazer farinha do Pedro Henrique.
Mirinha já sabia que seria assim. Quem tem pena é galinha, Zuleica. E chifre só
dói quando nasce.
Zuleica,a corna, perdoaria Pedro Henrique. Adroaldo, o padeiro corno, nunca
saberia. A sagrada família estava salva.
Pois a receita da Mirinha é infalível. Nenhum caso de traição resiste a juntar
escovas e lavar cuecas.
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