MINHA VIDA É UM PALCO

MINHA VIDA É UM PALCO
Somos como atores neste palco que é o mundo, as cenas são os dias e noites, e o roteiro quem escreve é a VIDA!A vida depois dos 60. É começar novo, novos horizontes, um mundo diferente e muito mais LEVE! A gente está sempre começando, sempre aprendendo...E aos 60 anos, a gente nasce de novo! A minha Infância da Maturidade! COMO SERÁ NOS 70?Na minha ADOLESCÊNCIA da Maturidade...CHEGUEI! Cheguei chegando imaginando a vida toda...70 ANOS! BÓRA LÁ QUE A VIDA TÁ PASSANDO!!!E até uma PANDEMIA!Nunca pensei ...De repente, ficar presa em casa, sozinha. Se sair, o CORONA VÍRUS pega. Horrível todo mundo sem se tocar.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

ADEUS, ANOS 60!


69. Um número cabalístico. Sexy. Tanto pode ser 69 como meia nove. Vira e revira, estou fazendo sessenta e nove desde 19 de fevereiro de 2018.
Agora é a despedida. 
Ao chegar aos 70, encerro uma década de Renascimento. 
Nos Anos Sessenta, nasci de novo. 
Já havia passado por todas as revoluções:  Criança Feliz, Anos Rebeldes, Revolução Profissional, Política,Existencial, Familiar, e por todas as fases da vida até chegar à Maturidade. 
O choque da Aposentadoria e enxergar a libertação das ordens e dos horários. Meus Anos 60. Família independente e eu para decidir a própria vida, aprender a caminhar sozinha para um futuro imediato e uma eternidade instantânea. Sexagenária. IDOSA.Um susto quando se lê.(Mas se for Sexygenária, que aprendi com a Mirinha, ficou mais leve). E já passou.
Com uma Surpresa Fantástica e Inesquecível,  me despeço dos meus anos 60.
Mais um capítulo com final feliz. 
  Adeus ANOS 60!




É pra frente que se anda; amanhã começo a minha década dos ANOS 70.
Mais ou menos 3.650 dias cheios de PESSOAS que fazem esta vida valer a pena!

Um sentimento enorme: 
      GRATIDÃO. 
Obrigada! Obrigada!Obrigada!





segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

COMO UMA ONDA, AÍ ESTÁ 2019


Fim de ano.
Já desejei um ano novo cheio de SURPRESAS BOAS, no outro, desejei ESPERANÇA, mais um e desejei uma FATIA DE TEMPO com surpresas boas e muita esperança, agora está na hora de mais um ano que vem por aí e já estou naquela de que tendo saúde, tudo bem.
Sabe quando nasce uma criança? A gente diz " O que importa, é que tenha saúde"...Mas não é só isso. Tem o Amor.
Não nos contentamos mais apenas com uma fatia desse tempo que está nos esperando, pois não é o tempo que passa; somos nós que passamos pelo tempo. 
Como a Vanessa me lembrou, a vida é um instante de eternidade, um presente que ganhamos, e como precisamos de que cada instante seja bem aproveitado. Ela me ensinou o que quer dizer isso. Curtir com as pessoas que amamos. Viver O instante. Abençoar cada farelinho desse bolo que se chama tempo. Com Amor.
Essa palavra, AMOR, nunca esteve tão ressignificada. Tem gente que apenas curte, mas não compartilha. Ou, quem sabe, curte sem saber a importância da mágica do instante.E compartilha sem saber o quê. AMOR tem que sentir, tem que dar. Fisicamente. Abraçar, beijar, tocar.
Por toda essa filosofia que não tem nada de vã, nesse ano que está nos esperando, vamos aprender com as ONDAS.
A onda vem e vai.
A vida é também COMO UMA ONDA,  às vezes vem ameaçadora, outras vezes vem tranquila. E quando vai, leva tudo. De bom e de ruim. É a Natureza que ensina.Recém estamos aprendendo.
Como uma onda...Tudo passa. O Amor fica.Sempre.
Vamos atravessar esse tempo que denominamos 2019.COMO UMA ONDA!
Nunca se afogar com A ONDA.Tem é que saber NAVEGAR NA ONDA.

             Um ano, um dia, um segundo,uma onda de eternidade.





"A Vida é uma fatia de tempo. 
A Vida é um privilégio que temos neste momento de eternidade. 
E para nós, humanos, a eternidade é finita."

(Bellabereg em FATIA DE TEMPO)

sábado, 8 de dezembro de 2018

LIVRO FECHADO



Como as crianças gostam de histórias! A cada dia, um mundo continua existindo fora da telinha. É só montar um espaço, pegar um livro e começar...A Shirley ficou surpresa: 3 netos brincavam, estavam na maior bagunça, não adiantava pedir para sossegarem, estavam incendiando o apê.No desespero, Shirley pegou um livro e iniciou a leitura para o mais próximo. Qual a surpresa quando todos pararam a folia e sentaram, caladinhos, ouvindo a história. Depois outra e mais outra...Uma hora de viagens e sonhos e SURPRESA para minha amiga,que nunca imaginou que esse seria um dos muitos momentos de "Vovó,lê uma história?"A própria Shirley achava que ler era perda de tempo, tanto a fazer e ela ali, estátua, lendo.E descobriu que os netos adoraram tanto aquela hora do conto que agora já tem dia marcado.E ela está lendo tudo, pra escolher as melhores histórias. A Shirley está lendo.Também pra ela.

pixabay notas
Pois LER é uma atitude solitária, quando pego um livro me alieno do resto do mundo.O computador parece também solitário, mas só para escrever, ou para me alienar do concreto e fugir para o virtual.Daí, num pulo, o computador e o celular estão me afastando cada dia mais dos meus livros. Estão ali, me esperando, mas eu preciso olhar as mensagens do whats, agora tenho whats até no meu note. As mensagens que estão tirando o meu tempo de imersão na minha vida. Fico vivendo a vida dos outros, o link do STF, o novo ministro, a oferta do creme,a novena do santo, e descoberta de um chá, o dente do neto,a receita do bolo, o cabelo da irmã, o gato adoeceu, coração de Jesus,bom dia, oferta de sabão, boa noite, CÉUS,acabou o dia e tem gente mandando mensagem até de madrugada..e meu livro ali, fechado, parece que me chama, mas eu PRECISO saber o que tem no whats. Preciso? Blin blim, chegaram mais duas. E meu livro continua fechado...
  
Agora estamos bem no olho do furacão: o LIVRO está em estágio terminal. Praticamente na UTI. 
Fui à livraria quarta-feira. Milhares de livros esperando, é caro, a gente sabe, mas custa menos que um creme de pele. 6 latas de cerveja. Um lanche no Mac. 
Gráficas, livrarias, editoras fechando. Será o fim do livro? Nunca acreditei que o jornal acabaria - aquele de papel que a gente levava embaixo do braço e lia em qualquer lugar - pois está agonizante. Nem pra embrulhar copos na mudança tem. Jornal passou a ser raridade. Coisa exótica. Passado.O jornal se foi.Terá o livro o mesmo fim?

Entrei na campanha do DÊ UM LIVRO DE PRESENTE.  Vá a uma livraria.Antes que se transforme em bazar.Ainda tem muita coisa boa. Escolha bem! Cada pessoa tem um gosto, descubra quem gosta de quê, que tem sempre um livro pra cada assunto. Livros pra todas as idades.Tem livro de receita de tudo. Livro de amor. De fossa. De história, todas as histórias.  Faça como a Shirley, leia para seus netos.Ou dê pra você aquele livro que ouviu falar...
O livro é concreto. Não precisa de carregador. Nunca termina a bateria. É um companheiro de vida.No momento único da solidão do meu eu.No meu arquivo pessoal.Salvo.







segunda-feira, 26 de novembro de 2018

CUECAS E ESCOVA DE DENTES



CUECAS E ESCOVAS DE DENTES 
(Editado - Do Diário da Mirinha)

                   Zuleica não aguentava mais. Toda vez que tocava o celular,João Henrique se escondia para atender. Disfarçava, falava "mais um engano,número errado, toda hora é essa chateação, qualquer dia jogo fora esta bosta".Zuleica se remoía de desconfiança. Devia ser alguma sirigaita atrás do marido. João Henrique era tudo de bom: forte,trabalhador,dedicado à famíla. Mas ultimamente andava nervoso, sempre com um compromisso na rua,parecia que estava com o bicho carpinteiro. Olhava o relógio toda hora, e ainda o perfume...Nunca deu bola pra perfume, agora anda comprando uns importados falsificados, será que virou gay? E na hora de dormir,inventa qualquer coisa, um filme, um jogo na TV,Zuleica com camisola de seda e tudo e ele nada.  Mais o chiclete. De menta. Mascando aquela coisa gosmenta, nem bebia mais, se bebesse não podia sair.
      Zuleica comentou tudo isso com a Mirinha, "estou achando que João Henrique está me traindo". Mirinha não é especialista em traição, mas já viu tanta novela que sabe tudo de safadeza.
      - Olha aqui, Zuleica: Tem um esquema infalível. Pega o celular, anota os números repetidos e liga, mas tem que ter um ship novo pra não descobrirem que és tu chamando...Se uma mulher atender, inventa uma desculpa, diz que é da Renner e quer mandar um presente. Pega o endereço.
      Foi fácil demais. Nem precisou do presente da Renner.A voz inconfundível da Izabelita disse alô. Zuleica quase morreu. Izabelita. 
      - Mirinha, a sirigaita é a Izabelita, mulher do Adroaldo da padaria. Com três filhos. Safada. O marido amassando pão e ela sovada pelo MEU marido. É hoje que boto aquele cachorro pra fora de casa! Atiro as roupas pela janela. E chamo o Adroaldo. Eu quero sangue!
      - Calma, Zuleica.Tem uma vingança maior.Pega as cuecas e a escova de dentes do João Henrique e leva pra Izabelita.Ela que usa o caralho, ela que lave as cuecas do garanhão.E diz que depois vais mandar as malas. E os filhos do Pedro Henrique pra morar com ela.Me conta, depois da visita.Sempre funciona.
      Zuleica fez bem assim.
      - Mirinha, ela abriu a porta e ficou disfarçando, grande amiga, ela. Eu não dei nem tempo de ela abrir a boca - a Zuleica contou tudo, telefonema demorado, esse - fui logo atirando as cuecas e a escova de dentes na cara dela, ela que lavasse as cuecas do sem-vergonha - a vagabunda chorou, pediu perdão, jurou nunca mais ver o Pedro Henrique, tinha sido uma vez só, ela e o padeiro Adroaldo viviam bem, tinham filhos, não podia estragar a vida.
     - Zuleica, tu perdoaste? Agora és uma chifruda e santa?- Mirinha sabia o fim da história. Foi assim com a Paula Maria.Com a Nereida Marta.  E com a Eva Cristina. Elas, as cornas, sempre perdoavam. 
     - Deixa eu te contar o resto, Mirinha.-Zuleica estava cheia de razão- Cheguei em casa, disposta a jogar as malas do safado do Pedro Henrique pela janela,ele entrou como um furacão, olhar de assassino, de certo tinha falado com a vagabunda, quis ganhar no grito, que eu estava louca. Mandei "cala a boca que o padeiro vai saber agora mesmo". Pedro Henrique murchou, Adroaldo era grandão, o rei do pão,ia fazer farinha do Pedro Henrique.
Pedro Henrique chorou, que me amava, que estava na crise dos cinquenta, e a família, tudo que tinha,perdão, pediu, se ajoelhou, que foi a Izabelita que se atirou pra cima dele...Virou um traste, anda que nem zumbi pela casa, jogou o celular no lixo ( que eu guardei). Fiquei com pena dele. Traste. Desgraçado.Culpa daquela Izabelita, aquela correntina. Gorda.
      Mirinha já sabia que seria assim. Quem tem pena é galinha, Zuleica. E chifre só dói quando nasce.
      Zuleica,a corna, perdoaria Pedro Henrique. Adroaldo, o padeiro corno, nunca saberia. A sagrada família estava salva.
      Pois a receita da Mirinha é infalível. Nenhum caso de traição resiste a juntar escovas e lavar cuecas.


- Organizando o Diário da Mirinha, tem cada coisa...

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

VOTO: RAIVA,DECEPÇÃO OU ESPERANÇA?


Nunca antes na história deste país a eleição foi tão morna. Ou tão organizada.Ou tão vigiada.
A sociedade de agora tem muito mais recursos de registrar tudo que acontece, os registros no celular são instantâneos,imagens correm o mundo num segundo.  Todo cidadão é agente da inteligência, ou da maldade, ou da burrice.
Um fato é indiscutível: o resultado das urnas está aí, e como sempre, quem perde coloca em dúvida todo o processo democrático, isso é histórico no mundo, veja a eleição dos americanos, quem perdeu culpa os russos...
Fui votar como sempre, muito consciente mas pela primeira vez na minha vida de quase 70 anos fiquei sacudida. Procuro ser sensata nas minhas escolhas, porém no meu universo enfrento uma guerra entre dois polos, um maniqueísmo capaz de separar amigos e famílias. Cada um preocupado com o próprio umbigo, se achando o maior sábio do mundo, defendendo as diferenças e não aceitando que o outro pense diferente.
Por isso, o voto da RAIVA. Votar contra o outro.Eu vi, ninguém me contou.E isso vai para o segundo turno, no caso de quem vai representar o Brasil. Pois presidente depende dos outros poderes da União.Ninguém é tão poderoso. Achei isso bom, dá um fôlego para repensar, analisar, quem sabe as máscaras caem. 
Por isso, o voto da DECEPÇÃO. Também vi. Votar porque não acredita mais em ninguém.Votar em branco. Votar nulo. Dez milhões de brasileiros que não acreditam mais em ninguém. Nem sei quantos que nem votaram.Gente que está cansada.
Eu fico com a ESPERANÇA. Votei consciente. Não sou alienada, como muita gente pensa sobre aposentados; acham que a gente fica velha e burra.Continuamos eleitores e fazemos a diferença. E somos votados. A gente já viu coisa pior. E estamos aqui.Vivendo,com tristezas, com alegrias, isso é a vida.
Quem fala que o Brasil está falido, não acredita nas gerações que estamos tentando orientar dentro de nossas casas, escolas, igrejas, estádios, e principalmente nas redes sociais, que são o maior instrumento de informação e formação de opinião.
 Tem uma palavra que resume a nova democracia, este regime que está evoluindo com todas as novidades deste admirável mundo novo: RESPEITO. E que está faltando.Onde não há respeito, a violência abre caminho.
printerest followthecolors

Quando eu era pequena, diziam que o mundo ia acabar no ano 2.000, que os americanos iam comprar o Brasil, que os comunistas iam dividir minha casa com os pobres,que o Lobo Mau ia comer a vovozinha...Quando eu cresci, nem podia falar, era proibido.Agora, pode falar, mas não se ouve o outro.Diz o que quer e ouve o que não quer.Cada um é dono de uma verdade.Chegou a Intolerância.
No entanto,a gente sempre dá um jeito de escapar. A vovozinha não abre a porta para o Lobo Mau. 
E o brasileiro é teimoso, valente, trabalhador, raivoso, decepcionado, esperançoso, e o Brasil é um país cheio de vida, de contrastes, de natureza, de água, de desejos, de gente. Viver é não ter a vergonha de ser feliz. 
E viver é lutar. 

Cada época tem seus fetiches e seus candidatos.Vamos votar de novo, com RAIVA, com DECEPÇÃO ou com ESPERANÇA. Esse é um direito que nós temos. 

.


quarta-feira, 19 de setembro de 2018

A CASA DA VÓ


Quem não lembra da casa da vó? 
Não precisava avisar, a gente chegava e pronto, toda a família entrava e saía qualquer hora e a vó sempre lá. 
Tinha a cadeira de balanço disputada pelos netos e por muitos  pais e mães dos netos, pra lá e pra cá, um balanço sem igual no mundo. O bom era quando a vó pilotava a cadeira e a gente sentava naquele colo gostoso, enterrava a cara nas tetas grande e fofas, inclusive para chorar, ganhava beijinhos e os tentáculos de aconchego e proteção embalaram muitos soninhos. Muito cuidado para não apertar os pés na na voltinha do vai e vem. Acho que nunca ninguém apertou o pé. Vó é vó. Tinha novecentos olhos.

O cheiro da casa da vó, a árvore da casa da vó, o ovo frito e o bife e o bolinho e o doce, se fechar os olhos dá pra sentir o gosto. 

A vó ralhava com a mãe ou o pai para defender os netos. E todos se respeitavam. Na casa da vó não tinha discussão. Ela era a autoridade que organizava a bagunça. 
- Está servido.
E todos à mesa, esperando a hora de atacar. 

A vó centralizava nosso universo, o mundo todo cabia na casa da vó.

Hoje, a avó tem apartamento. Espaço reduzido. A cadeira de balanço sumiu dentro da TV.  
Tem que avisar a hora que vai chegar na casa da vó. Ela pode estar na academia, ou no salão, se enfeitando. Vai levar a neta no shopping, vai buscar o neto no colégio, vai ao cinema com as amigas.
A casa da vó não tem mais cheiro de bolo, de ovo frito. Tudo engorda.
A avó deixou de ser o centro do universo; ela também circula ao redor de um Senhor Rotina, o Lobo Mau que comeu as vovozinhas da cadeira de balanço.

Só tem uma coisa que aumentou: a paixão pelos netos. A compensação pela falta daquela casa do juntamento é um vídeo no whats com " um beijo, vovó" , "te amo, vovó",  que dá uma emoção tão grande e uma preocupação maior se não tem nada de mensagem, hoje. O que será que aconteceu?Já foi a pergunta. 



Agora, a telinha do celular parece a casa da vovó, que bom, todos entram a hora que querem. Tlintlin.Tlintlin.Tlintlin.


Pensando bem, a casa da vó está aberta sempre, mesmo que seja no celular,ou no MSN,  saber tudo que acontece na família em tempo real não tem preço.
Pois esse amor incondicional de vó só aumenta com o tempo. 






segunda-feira, 17 de setembro de 2018

VOCÊ É ÁGUIA OU GALINHA?


(Este não é meu, a Yeda levou no grupo e eu amei!Preciso guardar neste meu álbum de vida.Nada contra as galinhas...)

A Águia e a Galinha, a parábola de Leonardo Boff:

" Era uma vez um camponês que foi à floresta apanhar um pássaro para manter cativo em sua casa. Conseguiu pegar um filhote de águia. Colocou-o  no galinheiro junto com as galinhas.Comia milho e ração própria para galinhas. 
Depois de cinco anos esse homem recebeu a visita de um naturalista.Enquanto passeavam pelo jardim, disse o naturalista:
- Esse pássaro aí não é galinha, é uma águia.
- De fato - disse o camponês. É águia. Mas eu a criei como galinha. Ela não é mais uma águia. Transformou-se em galinha, como as outras, apesar de asas de quase três metros de extensão.
- Não - retrucou o naturalista - ela é e será sempre uma águia.Pois tem um coração de águia. Este coração a fará um dia voar às alturas. 
- Não, não - insistiu o camponês - ela virou galinha e jamais voará como águia.
Então, decidiram fazer uma prova. O naturalista tomou a águia, ergueu-a bem alto e desafiando-a, disse:
- Já que você de fato é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, então, abra suas asas e voe!
A águia pousou sobre o braço estendido do naturalista. Olhava distraída ao redor, viu as galinhas lá embaixo, ciscando grãos. E pulou pra junto delas.
O camponês comentou:
- Eu lhe disse, ela virou uma simples galinha.
- Não, tornou a insistir o naturalista - ela é uma águia. E uma águia será sempre uma águia. Vamos experimentar de novo amanhã. 
No dia seguinte, o naturalista subiu com a águia no teto da casa. Sussurrou-lhe:
- Águia, já que você é uma águia, abra suas asas e voe!
Mas quando a águia viu as galinhas lá embaixo ciscando, pulou e foi pra junto delas.
O camponês riu e voltou à graça:
Eu lhe disse, ela virou galinha!
- Não - respondeu firmemente o naturalista - ela é águia, possuirá sempre um coração de águia. Vamos experimentar ainda uma última vez. Amanhã a farei voar.
No dia seguinte, o naturalista e o camponês levantaram bem cedo. Pegaram a águia e a levaram pra fora da cidade, longe das casas dos homens, no alto de uma montanha. 
O sol nascente dourava os picos das montanhas.
O naturalista ergueu a águia para o alto e ordenou-lhe:
- Águia, já que você é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, abra suas asas e voe. 
A águia olhou ao redor. Tremia como se experimentasse nova vida. Mas não voou.
Então o naturalista segurou-a firmemente, bem na direção do sol, para que seus olhos pudessem se encher da claridade solar e da vastidão do horizonte. 
Nesse momento, ela abriu suas potentes asas, grasnou com o típico kau-kau das águias e ergueu-se soberana sobre si mesma.E começou a voar, a voar para o alto, a voar cada vez mais para o alto. E voou... voou...até confundir-se com o azul do firmamento..."


bald-eagle - pixabay

Nós fomos criados à imagem e semelhança de Deus!
Mas há pessoas que nos fazem pensar como galinhas.Querem que a gente fique ciscando.Nas migalhas.Na zona de conforto. 
Porém nós somos águias. Por isso, abramos as asas e voemos!Voemos como águias.
Cada pessoa tem dentro de si uma águia.Ela quer nascer. Sente o chamado das alturas. Busca o sol. Por isso, somos constantemente desafiados a libertar a águia que nos habita. Sejamos águias em nossas vidas, e não se contentar em ficar ciscando como galinhas.
E você, já se preparou para alçar voo?

                                                                     Do livro de Leonardo Boff