MINHA VIDA É UM PALCO

MINHA VIDA É UM PALCO
Somos como atores neste palco que é o mundo, as cenas são os dias e noites, e o roteiro quem escreve é a VIDA!A vida depois dos 60. É começar novo, novos horizontes, um mundo diferente e muito mais LEVE! A gente está sempre começando, sempre aprendendo...E aos 60 anos, a gente nasce de novo! A minha Infância da Maturidade! COMO SERÁ NOS 70?Na minha ADOLESCÊNCIA da Maturidade...CHEGUEI! Cheguei chegando imaginando a vida toda...70 ANOS! BÓRA LÁ QUE A VIDA TÁ PASSANDO!!!E até uma PANDEMIA!Nunca pensei ...De repente, ficar presa em casa, sozinha. Se sair, o CORONA VÍRUS pega. Horrível todo mundo sem se tocar.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

UMA SESSÃO DE CINEMA


( Para Casa: A professora mandou escrever sobre "Uma sessão de Cinema"da gente...Bella escreveu.)

             Um filme em cartaz no Cinema Corbacho. Daqueles que tinha fila pra comprar ingresso, fila para entrar, fila para comprar balas ( naquele tempo não vendiam pipoca nem refri ). 
             Sessão das 20 horas era a coisa mais chic da cidade, os homens de terno e sapato engraxado, mulheres de salto agulha 15 e bolsa combinando, tailleur, jóias, perfumes. Era superprodução dentro e fora da telona. Só entrava maior de 18. E eu tinha 15. Minha mãe deixou eu ir pois de coque, salto e boca pintada, parecia maior, e ainda tinha o namorado, lindo de morrer, 22 anos, 2 metros de altura...um partidaço. Só podíamos sair se acompanhados da irmã mais velha e das quatro amigas dela, ordens do meu pai, "todo cuidado é pouco", ele dizia. 
Todos entramos no cinema, gente linda, aquele frescor de juventude, libido em alta, hormônios brilhando...
- Maninha - falei pra minha irmã - vocês vão ficar aqui? Eu e meu namorado vamos sentar mais ali atrás, aproveitar o escurinho, quem sabe um beijinho?
- Tudo bem, mas se comportem...O lanterninha retira do recinto quem fica se agarrando, é muito feio - minha irmã recomendou, cheia de sabedoria.
Apagaram-se as luzes. A mulher com a tocha da Colúmbia apareceu na tela, eu e meu namorado saímos de fininho, psiu, silêncio...
Avisamos ao porteiro que eu precisava ir em casa,já voltava,  que tinha esquecido o remédio e era epilética.
Voltamos 15 minutos antes de terminar o filme. O porteiro me olhou com pena, coitada, tão bonitinha e epilética...
Quando deu THE END e as luzes se acenderam, estávamos na última fila, na saída, os namorados bem comportados. 
 - Gostaram? - perguntaram mana e amigas.
 - Que filme! - respondemos - Emocionante!
Meu namorado abriu um saco de bombons: 
- Querem?
Foi uma festa. Encerrada com sabor de chocolate, "Uma Sessão de Cinema".

                                                (Qual é a nota, professora?)




           

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

LUA DE MEL DA MIMI


Quem imagina uma Lua de Mel há alguns - muitos - anos? Com toda a expectativa dos noivos para a primeira noite?
 A história é verídica, a Mimi me contou em detalhes, preciso deixar registrada, pois é muito interessante. Para chorar e para rir. 
Década de 50. O noivo era dono de hotel e restaurante, propriedade de família, todo mundo era dono e todo mundo trabalhava lá. 
Mimi muito faceira, uma noiva lindíssima, flores de laranjeira, tias, sobrinhos,famílias correndo, comendo bebendo, festa de interior era uma fartura e uma alegria só. 
Depois da festa, os noivos fugiram para o quarto de núpcias especialmente preparado nos fundos do hotel.Primeira noite... Lua de Mel...Muito mel...
No outro dia, foram acordados muito, mas muito cedo. Era domingo, dia de maior movimento no restaurante, embaixo do hotel. Mimi não esperava. 
Os homens matando boi, as mulheres arrumando a cozinha e o salão. 
O restaurante era famoso pela BUCHADA COM PÃO E VINHO  no almoço de domingo. A italianada saía da missa e ia tudo se embuchar na buchada dos bellos, e Mimi agora era a bella sposa.A esposa, bela e jovem. Por essa, ela nunca esperara...as imensas panelas com água quente e ela limpando bucho...arrancando as peles esverdeadas dos buchos dos ruminantes...depois, cortar tudo em fatiazinhas, bem fininhas...
Eu fiquei imaginando a cena, uma jovem muito cheirosa, criada com toda formosura, limpando bucho...O que faz o amor...
Foi a Lua de Mel da Mimi.
E a lembrança mais feliz da Lua de Mel da Mimi é a de  quando viu aquele monte de gente comendo  buchada com pão e vinho, falando alto, cantando O Sole Mio...Que recompensa...Bem vinda à família, Mimi.  


( Em Uruguaiana, nós falamos MONDONGO ou mais moderno DOBRADINHA)

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

HAVERIA GUERRA SEM ARMAS?




Quem produz e vende a droga é o poderoso bandido, É QUEM "iNVENTA"O VENENO QUE PROMETE UM PRAZER DESTRUTIVO, ALTAMENTE LUCRATIVO AO PODEROSO BANDIDO. 
 é o responsável pela exploração e destruiçao do drogado, da família, da sociedade.


Nesse raciocínio, lógico e coerente, faço outro:


Quem fabrica e vende armas aos terroristas e afins é ou não é um poderoso bandido?

As maiores potências do mundo produzem as armas.Falam de paz, mas fazem a guerra.
Os responsáveis pelas guerras, por todo o terror que apavora o mundo. Com bilhões de dólares lançados diariamente e indiscriminadamente em crianças, hospitais, escolas, destruindo cidades, varrendo a história e provocando todo dia um novo êxodo. O povo expulso da própria terra, onde dormir? O que comer? O medo, pra onde ir? Sem amanhã. Onde ficou o ontem? A Pátria? Todo  o dia estamos vendo os fugitivos da própria terra à procura da terra não prometida. Seres humanos sem direção,milhares, sem norte, apenas esperança.Os animais sabem onde irão encontrar a comida, o lugar para acasalamento, onde morrer e nascer, mas eles vão e voltam. Os refugiados só têm esperança.
          
A mão que toca um violão, se for preciso faz a guerra.
Quem usa a caneta também.Por dinheiro. Quase sempre. 
Por poder.

As mãos que assinam tratados de paz são as mesmas que financiam as maiores indústrias bélicas do mundo. Quem vende as armas, os mísseis, os aviões que destroem os povos? Com certeza, não são países pobres...Quem coloca armas moderníssimas de alto poder de destruição nas mãos de jovens esfarrapados, de fanáticos iludidos?
Se não houvesse guerra, de que viveriam as grandes potências?Se não vendessem armamento, haveria guerra? 
Fico besta olhando Estados Unidos e Rússia assinando acordos de paz. Os maiores fabricantes de armamento do Planeta.Armas de destruição.  

 Em 16 de fevereiro de 2016. Bellabereg – indignada com a destruição das escolas e hospitais dos Médicos Sem Fronteiras, que morrem porque estão lá para salvar vidas, e dos povos que sofrem e também morrem dentro de suas próprias casas,ou que fogem para a Terra não prometida,  com guerras eternas que nem entendem.









quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

MEGAPRODUÇÃO: O OSCAR VAI PARA...





... O CARNAVAL DO BRASIL!
Isso mesmo! A maior festa popular DO MUNDO!O Carnaval do Brasil, se fosse um filme, teria um Oscar HORS CONCOURS. Organização, roteiro,atores, direção, produção,  participação, alegria.Seria assim:

BASEADO NA OBRA DE...

De um povo: O POVO BRASILEIRO.
A cada ano, a História está sendo escrita.Pelo POVO.  O povo que mais parece retalhos de uma imensa colcha coloca suas cores, sentimentos, hábitos e costumes nas celebrações que remetem às manifestações artísticas de desejos, delírios, ansiedades: a LIBERDADE de escolha.Vai quem quer.

ROTEIRO
A Saga de uma população de cultura miscigenada, que recebe todos os povos do mundo.Raça, religião, gênero, posses, tudo se funde numa direção: FOLIA. Folia: uma palavra que só no Brasil é o nome de um sentimento: dança, brincadeira, diversão.Só.
Um país de dimensões gigantescas e diferenças regionais marcantes, tem um fio que liga todas as pessoas: a espontaneidade de um povo ansioso por felicidade. Das senzalas às ruas e salões, o roteiro é o mesmo. Todos foliões, naquele instante único.  A cada momento, a tecnologia se expande e faz as pessoas se reconhecerem e se aproximarem, rádio, internet e, sem contestação, a televisão insere a marca da rua. Dos blocos de vila às escolas de samba, a ideia de festa chama para a praça, e a praça é do povo.

PRODUÇÃO
O produtor tem que se virar com o que tem. Do lixo ao luxo, a fantasia está na Fantasia, concretizada em flores de plástico ou cetins e pedrarias. Da lata à cuíca, os instrumentos precisam virar samba, batuque, forró, frevo...A criatividade manda - e a grana também. O desfile das escolas de samba no Rio de Janeiro deste ano - 2016 - são a prova dessa MEGAPRODUÇÃO. Até hoje, nunca tinham atingido esses efeitos especiais. A tecnologia ajuda muito.

ATORES
Protagonistas, todos se sentem.É só botar o pé no bloco, no salão, na rua, na avenida, que a pessoa tem um único objetivo: diversão.Cantar, dançar, cantar e dançar, e pular, e qualquer coisa.E aquele momento é só seu. Quem se importa com roupa, lamento. Carnaval não tem classe, não tem casta, não tem graduação. A roupa é um adereço. Por dentro, é um sentimento brasileiro, que não tem definição. Carnaval só existe com gente.

FIGURINO
As Escolas de Samba têm uma história a contar. Das roupas mais luxuosas ao abadá mais barato, quem tem dinheiro gasta mais, é um concurso de imagem e som. Quem não tem dinheiro, inventa. Ou sai de cara lavada nos blocos da rua. A roupa é parte da Fantasia.

MÚSICA
Nesta hora, ninguém faz som como o brasileiro. NINGUÉM em todo o mundo consegue batucar um samba como nós. Sacudir-se até com uma caixa de fósforo. Gostamos de música. Nossa música é alegria, tristeza, elogio, ofensa, amor, traição porque vem sempre da alma. Nossa música é universal.Qualquer coisa vira música. Música não tem gênero, nem cidade, nem estado, nam país.Surge assim, do morro, do pampa, do litoral, do sertão, do centro.  Música do BRASIL.

MERECEMOS O OSCAR, com certeza!

Alguém comentou que a gente se preocupa com futilidades quando há tanta coisa séria para se resolver neste país. É uma opinião. Respeito, mas não concordo. Futilidade é algo que não é necessário. O CARNAVAL é necessário ao povo brasileiro.
Aprendi que rezar juntos na igreja ou em qualquer outro lugar fas um clamor se propagar no Universo e uma energia positiva se forma, quem sabe um deus ou Deus ouve.
Imagino esse Universo recebendo a energia de um Brasil que grita junto,imagino  essa ovação em todo cantinho deste gigante fazendo algum ruído, com certeza, vamos ser ouvidos.O importante é JUNTOS. Não é futilidade: O CARNAVAL é identidade.
Neste ano, 2016, um ano marcado pela desilusão com nossos políticos, pela decadência de um sistema do qual nos orgulhávamos, pela volta do monstro da inflação e do desemprego, com a saúde adoentada e a sociedade corrompida pela desonestidade de quem nos parecia gente de bem, saímos às ruas para gritar que estamos vivos, que precisamos ser felizes.Acreditamos neste Brasil. Festejamos NOSSO Brasil.
Agora é voltar ao Trabalho. Pois tem mais gente que trabalha do que gente que critica, tem mais honesto que ladrão, tem mais Esperança que desespero.Pobres dos que ficam assim, só vendo defeito.Nós somos ricos. A hora foi de se divertir. Aproveitamos bastante. Recebemos até um OSCAR.
 Nosso País é uma Epopeia.  



sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

PENSAMENTO CHICLETE


Sabe aquela música que cola, passamos dia todo cantando de qualquer jeito, nem queremos mais, mas não adianta, fica aqui,piscando como néon? Só com uma lobotomia para deletar do cérebro. 
Pois acontece também com alguns atos e fatos e frases e insinuações e críticas e comentários que ouvimos de parentes, amigos, filhos...até em rádio e TV...E quanto mais próximo da gente é o próximo que falou, mais chiclete se tornam as palavras, os gestos, os olhares...
Com certeza, nesta fase da vida que chamamos de terceira idade, ficamos mais sensíveis, temos muitos momento de reflexão e acabamos criando um monstro onde havia apenas um sapo.Ou uma perereca. Vemos e ouvimos. 
Ao invés de falar, argumentar, defender nosso ponto de vista,como faríamos nos nossos vinte e poucos anos, preferimos calar para evitar as discussões que podem se transformar em ofensas e talvez em brigas, com palavras duras que serão mais complicadas de esquecer. 
A palavra nem sempre diz o que se quer dizer,palavras são externas,concretas;criam vida própria e nunca mais voltam,  às vezes, a palavra magoa e separa - mais do que as reticências...
Então, engolimos o sapo e o monstro surge, dias e noites aquilo martelando, imaginamos tudo que podíamos ter dito e feito, criamos verdadeiros tratados filosóficos, "eu deveria ter dito ou feito assim...""não podiam ter me machucado daquele jeito", "a gente não merece tudo isso", e daí vai...
Até o dia em que OU matamos o monstro chiclete, OU o monstro se larga e aí a coisa pega mais...OU esclarecemos as coisas. OU ninguém se lembra mais de nada disso, foi um monstro que passou em minha vida...e só eu fiquei todo esse tempo sofrendo, OU rola o maior barraco e o grupo todo se revolta,diz o que quer e ouve o que não quer  e eu sou a megera da vez, "foi ela que começou".
E o que é pior: neste exato momento, estou com mais dois chicletes, nem dormi pensando, acho que vou engolir o sapo e matar o monstro...ou será melhor já matar o sapo?Uma lobotomia, por favor!

                                                  ( imagens pt.dreamstime. com e br.deposiphotos.com)

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

PESSOAS DESAPARECEM



                                                                                                             

Nunca prestei atenção.Hoje me deu um clic.
Como as pessoas desaparecem de nossas vistas. E de nossas vidas!
Professora por muitos anos, em escolas tão diferentes, nem tenho ideia de quanta gente passou por minhas salas de aula. Pessoas alunos que me marcaram ou não, alguns tenho de novo no meu Facebook, a cada postagem volta a lembrança...e como é bom lembrar a energia da juventude que sacudia todo meu dia e me desafiava a cada hora. Eu me obrigava a me reciclar a cada aula. Mesmo conteúdo, 30, 40 alunos me olhando, e eu precisava que entendessem meu recado. Alunos são pessoas que passam muito rapidamente, mas foram anjos de luz... 
Pessoas colegas que nunca mais vi, nem no Face, outros que encontro hoje e me surpreendo, continuam os mesmos. Muda a carcaça, o invólucro, mas a essência continua a mesma, as brincadeiras, as frases feitas, e as novidades, a família, o que aconteceu...
Pessoas artistas, cantores, atores, pintores, escritores, participam da vida na hora da emoção, alguns entram e ficam latentes, cada um numa dimensão especial.Muitos apenas passam.Desaparecem.
Pessoas parentes, algumas continuamos no Face, algumas nos abraçamos, algumas sumiram. 
Pessoas desaparecem do Planeta Terra, morrem. Somem, até do coração. 
E tem as pessoas conhecidas. Conhecidas, sim, pois as desconhecidas eu não conheço.Não aparecem, por isso, não desaparecem. Mas as conhecidas, eu conheço mais ou menos, converso, comemos, bebemos, rimos, até trocamos confidências...Algumas passam e nunca mais. Outras, vemos ocasionalmente.Muitas se vão... 
Pessoas me deslumbram. Adoro observar. E quantas desaparecem!
Pessoas são abstratas.  

                                                                                       
                                                                                                                 imagens pt.clicpart.me

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

CAFEZINHO para encerrar o ano...


Compras de fim de ano. Roupas brancas.Quem sabe, uma tiara com flores. Eu e Mirinha no shopping. Coisas que A-DO-RA-MOS fazer, nós, que vivemos sessenta anos em cidades do interior da fronteira, agora na capital dos shoppings, sempre deslumbramos com cores, luzes, gentes, vitrines que mostram paraísos. E a decoração de Natal, cada ano com invenções para as fotos dos papais babões com os filhos fazendo pose.Tudo muito certinho.Previsível.
Os pés doendo, vamos um pouco na praça de alimentação. Quero comer porcaria, como Mirinha chama minhas frituras, mandioca com bacon e tiras de frango frito. Mirinha come sushi e sashimi.Light.
Cada uma com uma senha, não tem mesa vaga, vamos ter que comer em pé? Vou buscar meu pedido, bem a tempo de ver um homem convidando Mirinha para sua mesa. Quando volto, eles estão no maior papo, já velhos conhecidos, preciso tirar a bandeja para conseguir acomodar meu prato na mesa.
- Bella, este é o Chiquinho...Chiquinho, esta é Bella...
Aperto a mão do Chiquinho. Muito prazer, eu sou amiga da Mirinha, de onde vocês se conhecem?
- Daqui, ora - diz Mirinha - Chiquinho me convidou para a mesa dele.Também gosta de comida japonesa.Temos tudo em comum. 
Em segundos, eles já tinham tudo em comum. Será que eu estava sobrando?
Ofereci mandioca frita com bacon e frango frito só. Eles comeram quase tudo. 
- Vocês moram sozinhas?
Pronto. Minhas antenas cresceram.Será um assassino de senhoras gostosas? Analisei a figura: um homem médio, cara média, linguagem média, falava esses e erres, jeito médio, parecia um cara normal. 
Mirinha fez aããã, com a boca cheia -com MINHAS mandiocas, o sashimi desmaiado, desprezado, jogado.
- Moramos cada uma em uma casa - falei, observando a reação do agora íntimo Chiquinho.E o senhor?
Que ridícula essa mania de uruguaianense tratar todo mundo de senhor e senhora.Mas o Chiquinho tinha cabelos brancos... Que culpa eu tenho da boa educação que papai me deu...
- O senhor está no céu- falou o coroa. Trabalho aqui perto. Venho almoçar no shopping, é uma terapia, desestressa.
Me deu uma vontade de perguntar de que família tu és...o que tu fazes...aquelas perguntas típicas que mamãe e vovó faziam...agora a gente não pode nem perguntar se é casado, pega mal...é antigo.
- Querem tomar um cafezinho no meu consultório? É pertinho daqui.Ou vamos pra casa de vocês - o Chiquinho virou Chicão.
Fiquei olhando para Mirinha. Ela continuava comendo meu frango frito, o sashimi abandonado,a Mirinha achando tudo normal. Limpou os dedos, bebeu o suco todo,olhou bem na cara do Chiquinho:
- Cafezinho? Quem quer cafezinho?

- Cafezinho, sabe como é - explicou Chiquinho,assumindo seus cabelos brancos e a camisa polo com o jacaré verde - cafezinho é desculpa, a gente pode fazer muitas coisas, tá entendendo?Você mora sozinha, tudo bem?Vamos os três.
 Tudo que é safadeza me passou pela cabeça. Que vai acontecer? Estava eu dentro de uma história. Nem sei quantos tons. E a Mirinha nem me olhou. Saiu assim:
- Meu novo amiguinho, seguinte: terça e quinta é dia do Jorjão. Segunda, quarta e sexta, é o Jorginho. Sábado e domingo é dos netos et family. Já está lotado. Não tem mais vaga.
- Jorjão e Jorginho? É uma dupla sertaneja?- Chiquinho riu.
- Não, querido. São meus cuidadores. Como eu moro sozinha, eles FICAM comigo nesses dias. Sabes, cuidador de idoso? Contratados. Carteira assinada.Jorjão tem 23 anos e Jorginho, 19. Um é saltador de parapente e o outro faz judô e jazz.Meus cuidadores. Cama, mesa e banho. CAPICE?
Precisava humilhar, Mirinha? O Chiquinho murchou que nem o peixe cru. Peguei o sashimi, ressuscitei no shoyo e engoli-o,o,o. A cara do Chiquinho... 
Boa história pra contar de despedida de ano. 
Cafezinho...

Adeus, 2015. Mais um ano, menos um ano. Graças pelo que se foi. O que virá, será surpresa.