MINHA VIDA É UM PALCO

MINHA VIDA É UM PALCO
Somos como atores neste palco que é o mundo, as cenas são os dias e noites, e o roteiro quem escreve é a VIDA!A vida depois dos 60. É começar novo, novos horizontes, um mundo diferente e muito mais LEVE! A gente está sempre começando, sempre aprendendo...E aos 60 anos, a gente nasce de novo! A minha Infância da Maturidade! COMO SERÁ NOS 70?Na minha ADOLESCÊNCIA da Maturidade...CHEGUEI! Cheguei chegando imaginando a vida toda...70 ANOS! BÓRA LÁ QUE A VIDA TÁ PASSANDO!!!E até uma PANDEMIA!Nunca pensei ...De repente, ficar presa em casa, sozinha. Se sair, o CORONA VÍRUS pega. Horrível todo mundo sem se tocar.

sábado, 4 de outubro de 2014

NUNCA ANTES NA HISTÓRIA DESTE PAÍS


Eleições da zoeira: Veja os memes mais engraçados do debate da Globo!


Quinta-feira. Último debate na TV dos presidenciáveis. Na tela da Globo, os brasileiros que ainda estavam com paciência, puderam acompanhar um programa interessante. Pra chorar, se não fosse cômico. 
Eu tinha chegado de merecido descanso de aposentada no Costão do Santinho, um resort em Floripa pra ninguém botar defeito. Mirinha também foi (sem comentários!).Ficou na minha casa, esperando até sexta pra encarar o bar do Tatu, frio demais em outubro, chuva. Precisei obrigar minha amiga a ver o programa:
- Mirinha, olha bem, vê se te decide. É o destino do nosso país.
- Bella, já te falei, vou anular meu voto, não acredito em mais ninguém, Luís Inácio me traiu.
Resolvi não argumentar, isso deve ser letra de alguma música do Renato Russo...
Abri um pacote de cheeps e uma ceva, brinquedinho pra guria, ela se aquietou. 
Começou a bagunça na TV, o William Bonner quase teve um troço, os candidatos carregavam milhões de folhas com cola, bem ali, na frente de todo mundo, "retirem as crianças da sala", pediu, que mau exemplo. Todos prometiam a mesma coisa. Todos queriam ferrar todos. E na platéia tinha também um monte de puxa-saco, esperando a vez pra dar um tchau pra mãe e um beijo pra Xuxa.
- Tá vendo, Bella? Nós aqui, perdendo tempo com essa farsa. Tudo combinado, no final, eles se abraçam e vão fazer festa juntos. E o povo que se lixe!
Mas quando o Aécio meteu o dedo na cara da Luciana, Mirinha se indignou:
- Que desaforo, fazer isso com a guriazinha. Por que não procura alguém do tamanho dele? 
- Mirinha, ela se defendeu, viste? Falou "não me aponte o dedo"!
- Obrigada, amiga, por me acalmar. Mas eu te agradeço. Estou vendo o maior espetáculo da Terra: TRÊS mulheres concorrendo à Presidência da Terra Amada Idolatrada Brasil. Nunca antes na História deste País...



 Eleições da zoeira: Veja os memes mais engraçados do debate da Globo!


sexta-feira, 26 de setembro de 2014

CURTIR COMENTAR COMPARTILHAR


Ainda mato a Mirinha! Ela, que odeia computador pois odeia ficar sentada pois odeia ficar em casa pois odeia internet pois passa o dia batendo pernas - se tem sol, vai pro parque; se tem chuva, vai pro shopping; se tem lua, vai pro bar e daí por diante -ela mesma, me fez uma...

                                  Tarde de sexta.
Estava eu triste, tristinha, num nevoento dia de primavera e garoa, ninguém curtiu meu face, Mirinha chegou agitando tudo:
- Bella, sai da frente desse diabo! (diabo é meu notebook). Que mania essa tua de ficar todo dia enterrada viva! Olha lá fora!
Olhei. Dia nublado. Frio. Ela nem aí:
- Vamos à Festa da Primavera no Água Verde, começa 18h, tem até concurso, vim te pedir a fantasia de Afrodite emprestada, ponho uma coroa de flores na cabeça! Sexta-feira, baby, depois vamos pro bar do Tatu, chorinhos e batucada, rola até uns espetinhos...
Nem respondi.Me cansa só de ouvir. 
- Mirinha, faz favor... Estou arrasada. Sabes, nem meus filhos compartilham o que escrevo... Tem algumas curtidas, mas é só pra eu saber que estão com os iPhones conectados, nem leem, tenho certeza.
Mirinha fechou meu note quase nos meus dedos:
- Amigaaa...Eu nem sei ligar essa m...mas sei mandar mensagem pelo celular, tá? PREPARA, que vou resolver tua doença...
Saiu como chegou: ventando, batendo porta.
...
Abri meu note, a tela me olhando,quem está de aniversário hoje? Preciso dar os parabéns. Irresistivelmente, fui conferir quem tinha curtido minha última postagem.
 Será que Mirinha tem razão? Este Face é um diabo? Tentaçãodemoníaca...Alguém comentou...Curtidas, milhões...
- O QUÊ?! Quantos compartilhamentos? - falei, pra mim mesma,surpresa...
- Quantos cliques? Estou ficando louca, falando sozinha. Será que o MUNDO resolveu ler meu blog? Estou como o Téo da novela, vivendo de cliques...Mas é bem bom!
...
Noite de sexta.
- Então, amigaaaaa! - era a Mirinha, de novo, chegou fantasiada de rainha com faixa e tudo - Olha, saí Rainha do Água Verde! Vamos pro Tatu...
Puxei a rainha pra frente da tela:
- Mirinha, estou em êxtase, olha quantos cliques!
Quando ela me olhou com aquela cara de "sei de tudo", imaginei a bomba:
- Eu sabia, Bella querida! Fui ao Café Lan House da filha da Lelê,escrevi uma mensagem e pedi pra ela mandar pra todos nossos amigos, a Lelê também tem isso de feicebuque, pedi pra te darem uma força, bem assim...Lembra dos dois filhos do Francisco?O pai  pedia aos amigos e os amigos pediam a música nas rádios, "tão aí" o Zezé di Camargo e Luciano, famosos. Fiz bem igual...Pedi pra todo mundo compartilhar, tá feliz agora?
A Mirinha me abraçou, feliz pela proeza, pelo presente para esta amiga que esperava tanto uns cliques...
Quando consegui sair da surpresa, da raiva e da vergonha, apenas consegui dizer, mais pra mim que pra Mirinha:
- Então...todas essas curtidas...tudo A PEDIDO? 
                                     Desta vez, EU MATO A MIRINHA!
 
 
                                                              
 

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

REFLEXÕES da MIRINHA nesta SEXTA-FEIRA

 


                                O Orgulho mata a convivência.
A Convivência provoca a humildade.
A Humildade abafa a criação.
A Criação promove a loucura.
A Loucura anestesia a consciência.
A Consciência sufoca a inspiração.
A Inspiração reflete o sentimento.
O Sentimento acaba em desespero.
O Desespero surge da solidão.
A Solidão confunde tudo.

Por isso, a gente escreve um monte de bobagem, e até fica refletindo...
Sexta-feira: a noite do impossível.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

INOCÊNCIA...


Banco de Imagem - close-up, de, duas meninas, giggling. Fotosearch - Busca de Imagens, Fotografias Mural, Fotos Clipart


Década de 50.Final. Em Uruguaiana, fronteira Brasil-Uruguai-Argentina. Fomos pra fora (tem uma expressão "não sou daqui, eu sou lá de fora", tem gente que não sabe, mas esse "lá de fora"quer dizer que sou da campanha, não sou da cidade, sou do campo, da estância).
 Nós só íamos pra fora fim de semana ou nas férias escolares. Se bem me lembro, era um feriado de Semana Santa.Fui com minha amiga Esther e irmãs e irmãos dela para a estância dos pais da Esther.Iam matar umas ovelhas e um novilho pra Páscoa, e a criançada se divertia nos açudes e com trepadas em árvores (trepadas são subir em árvores, cuidado com as mentes insanas!).
Laranjas e bergamotas não tinham amadurecido ainda, a bagunça era guerra de fruta verde. Éramos cinco meninas da cidade mais a Rosinha,filha do capataz, também criança,nossa média de 5 anos de idade.
 A Rosinha era muito esperta, a Esther também, as mais velhas, nós fazíamos tudo o que elas mandavam; pois elas inventaram que a pele da Rosinha era manchada, a Rosinha era bem pretinha, e nós, tudo branquelas. 
Então, resolveram fazer o que as mães faziam para branquear as roupas. Pegaram sabão em pedra, daqueles feito em casa com soda e graxa, tijolo de limpar ferro - que a gente chamava de ladrilho e que esfarelava batendo com pedras - não existia bombril lá - e fomos pro açude. A Esther esfregou tanto a Rosinha, mas esfregou braços, pernas, rosto, e o pretume não saiu. O que saiu foi muito sangue. A Rosinha chorava de dor, as crianças choravam por causa da dor da Rosinha e todas choramos muito quanto o pai da Esther nos colocou em fila e passou o relho em todas, uma relhada em cada uma, nas pernas, nem marcou, mas como doeu! Pra nunca mais a gente fazer "arte".
A Rosinha até hoje se lembra, dá risada quando conta aos nossos netos, aos dela e aos meus, adora contar histórias, é professora.  A Esther não conta. É artista de verdade, e aquela "arte" preferiu deixar "lá fora". 
                Não precisa ter vergonha, Esther. Tudo aquilo foi a inocência e as artes das crianças.A doçura do mundo.Que ficou "lá fora".

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

ACADEMIA?


Segunda-feira, academia ao ar livre pela manhã. Baita sol em Curitiba, um dia com céu de brigadeiro, sem nuvens,  o Parque Barigui - mais citado na Literatura como a "Praia dos Curitibanos", pois o mar fica atrás da Serra do Mar - isso é o que a Mirinha sempre diz. 
Depois de duas voltas no parque, nós - eu e Mirinha - nos jogamos no campinho ao lado do açude (tradução: nos jogamos na grama ao lado do lago) como no filme "A Culpa é das Estrelas", só que não vimos estrelas, mas um azul lindo de morrer. O sol queimava,a Mirinha começou a se pelar, tirou a camisa, tirou a leg, surgiu um shortinho e uma blusinha bem pequeninha. 
      - Por favor, Mirinha, não estás no Cassino, isto não é praia, é um parque urbano, de uma capital cheia de gente muito certinha.
       - Bella, até em New York eu tomei banho de sol e de lua só de biquíni,em pleno Central Park,  por que não aqui? Deixa de ser puritana, estás um saco, cada vez mais chata. Vai pegar um picolé de uva pra mim, vai...
       Pensei em ir e sumir, todo mundo fazendo que não via, passando, passando,caminhando, como caminha essa gente! Em plena segunda, será que ninguém trabalha? Ou tudo aposentado, como nós. Quase meio-dia e cada vez mais gente  a  Mirinha espichada, lagarteando, quase nua e eu morta de vergonha.
       - Mirinha, e se for atentado ao pudor? Vais presa, guria...Por favor, põe a camisa! 
        Nada. Resolvi me sentar de costas, fingindo que nem conhecia aquela pessoa.
        E ela toda "se achando", desde que leu os tons de cinza ficou assim.
         - Tô nem aí, tô nem aí, ninguém me conhece aqui... - Mirinha levantou, falando alto -  cambada de vagabundos, arrodiando sem parar, essa gente não trabalha? Hoje é segunda...Onde está meu picolé de uva?         - Deu, Mirinha. Vou'mimbora - a gente andava no meu carro - E tu, amiga, vai de táxi! Tem gente filmando, vão fazer um vídeo e tu vais parar no You Tube. Que chato, teus filhos vão te esganar. "A Tarada do Barigui", tô até vendo...
         - Gente idosa não fica nessa hora no sol - falei. 
         - Idosa? Velha, antiga, imprestável, desusada, antiga, é isso que pensas de mim?
          - Credo, Mirinha! Isso é horrível!Nem tanto...
          A Mirinha pegou o picolé, fiquei arrependida, acabei com a alegria da amiga.
           Ela em silêncio, aí vem bomba, pensei.
                   - Relíquia - ela falou, separando as sílabas.
           - Quê? 
           - Eu não sou idosa - gritou Mirinha, fazendo pose de top model, todo mundo parou pra olhar, a doida dançando quase pelada. Eu sou uma relíquia. Sou uma relíquia: antiga e valiosa! Relíquia. Relíquia. Relíquia. VALIOSA!

                 Mais uma para o dicionário das SEXAS: RELÍQUIA!
                               Sabe tudo essa guria!
                                      Ganhei o dia!






 

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

MIRINHA NA UNIVERSIDADE



Depois de muito me encher a paciência, concordei com a Mirinha em me matricular com ela na Universidade da Maturidade. 
Primeira aula, e eu louca de medo de participar dessa aventura, voltar a estudar. Na minha idade, eu quero é ficar lendo, tudo que posso e que não tinha tempo antes.
 Depois que me aposentei, fiquei aposentada (de verdade, da cintura pra baixo). Só que a Mirinha não.
 Enquanto eu tenho labirintite,  a  Mirinha diz que está de "afliceta", nem preciso explicar o que é isso, a palavra é explícita... 
E a Mirinha acha que pode encontrar um gato na Universidade.
 Expliquei: 
- Mirinha, nessa faculdade vais achar gente da nossa idade, se queres um moreno alto+bonito+sensual+garotão tens que ir aos barzinhos, tá entendendo? E pagar por isso, imagina como está a concorrência, as gurias de hoje são tudo redesenhadas...
- Bella - ela me respondeu - eu tenho charme, sex-appeal, e sei coisas que elas não sabem...
Meu desconfiômetro ligou total, vou desistir dessa universidade.
Saí da sala antes que o professor iniciasse os trabalhos, decidida a fugir dali, bem na hora que a maluca ia se apresentar pra turma. Estava naquela hora em que cada um diz o nome e a que  veio, ou foi, estão contando a vida, todo mundo parece que combinou dizer a mesma coisa, tipo "Estou aqui pois fiquei sozinha e preciso encontrar pessoas".
 Eu já estava na porta, quando ouvi a Mirinha: "Estou aqui por causa da minha amiga Bella, que está um saco e eu queria tirá-la da frente do computador, imaginem, depois dos sessenta, a Bella acha que a vida acabou. Atenção, pessoal, ela, a Bella, está fugindo, segurem minha amiguinha, está lá na porta!"
Quem imagina o que é vergonha? Pois multipliquem por mil, todo mundo se virando e me olhando, as mãos se estendendo, "coitada", deviam estar pensando...

Eu estava vermelha, paralisada, a Mirinha correndo e me puxando, "Volta, Bella, nós vamos te ajudar".A Mirinha já estava de dona da turma.
 Sentei na primeira cadeira vaga, eu parecia uma débil mental, a voz saiu baixinho, "Tudo bem, eu fico", falei, bem como o D.Pedro I no Dia do Fico.
 A Mirinha gritava"Palmas para ela, pessoal, ela fica!"
Era um sonho dantesco tudo aquilo. Sabe aquela coisa de que "Quanto mais mexe mais fede"? Por isso, fiquei imóvel, bem quietinha.
Então tá. Remediado, remediado está.
E até estou gostando de ser aluna de novo, pois não é  que a Mirinha me fez um bem?
Por sorte fiquei na turma B. 
A Mirinha ficou na A. 
Acalmou-se até da "afliceta".
A turma foi definida por sorteio. Sorteio, que vem de sorte. Pela primeira vez na vida ganhei algo no sorteio. Sorte é ficar longe da Mirinha. Até a hora da saída. Ela enche o carro com  colegas e sai por aí, borboleteando. Universitárias. 
Bixos. 
Vamos ter muitas histórias nessa nova fase de estudantes...


segunda-feira, 18 de agosto de 2014

DESENCHIMENTO


Tem uma hora que é preciso esvaziar. Desencher. 
Parece estranho, mas é desencher, mesmo. Sabe quando está cheio, mas muito cheio? Tão a ponto de não aguentar mais? É assim com o coração. Ninguém dá bola, tem gente que morre quando explode. O coração. 
Quando a gente nasce,começa o enchimento. Pessoas vão se amontoando, algumas mais espaçosas, pegam os melhores lugares. No coração. As queridas. São as que se dizem proprietárias. Tipo mãe.Primeira dona. Ninguém escolhe, é ela e pronto. Tem também o pai. E aquele montão que vai aparecendo, como epidemia. E vão entrando, sem pedir licença.
E o coração fica assim, batendo, batendo, sua função é bater. Enquanto bate, vai enchendo. 
Tem até as não queridas, que ficam nos lugares de não-queridas. E tem as pessoas que ficam brigando pra ocupar os melhores lugares.
 As pessoas estranhas não têm vez, nem são conhecidas.
 O pior é quando chega um ladrão que rouba o coração. Na verdade, se espalha ali dentro e parece que não tem mais lugar pra ninguém. É o ser amado. Mas não adianta proibir a entrada. Entra de qualquer jeito e se espalha. Se adona.
Continua a invasão: criança, velho, sentimento, amigo, até cachorro. Até mortinho fica ocupando lugar.  
Quanto mais o tempo passa, mais vai enchendo.
Estou pensando como parar de encher este meu coração. Não consigo, cada dia surgem mais habitantes. Tem uns que entram sem esperar.
 E tem uns ainda muito pequeninos, entrando devagarinho... 
Pensei em fazer uma cirurgia, mas o médico disse que não tem como evitar que entrem. Só se parasse de bater.
Então, quem sabe eu posso desencher. Colocar aonde? Não vai ter lugar...
Talvez um transplante. 
Será?