Hoje é um dia especial.
Acordei com a visão de um lugar muito diferente do que normalmente vejo.
As árvores fazem uma moldura para o mar, esse ser imenso que rege minha vida.
Pássaros gritam para me cumprimentar, eles falam uma língua nova para mim. Todos estão ao meu redor.
Ao longe, tem um pássaro desesperado, que me chama como se tivesse uma necessidade de conversar. Eu não falo a língua dele, ouço e tento decifrar. Assisto tudo no pedaço de mato que rasga o céu, os eucaliptos são majestosos, diferentes daqueles que nasci olhando, e o pássaro continua me chamando. Guaaaá, gueeeeé, guaaá, gueeeé.
Parece que a vida parou. O tempo parou.
Não há carros, nenhum carro, não há pessoas, nenhuma gente.
O silêncio do momento me dá um susto. É um silêncio pesado. Todo o peso do mundo.Estou em outra dimensão, sou uma estranha nesta paisagem de cartão postal.
Mas eu sou a dona desses momentos. Ouço minha tosse. Tosse. Tosse.
O mundo está completamente parado.
Morros, mar, pedras, verde, amarelo, nem o ar se mexe. Recém acordei? Será um sonho? Estou perdida num mundo que não é o meu? Mas é da minha família da Austrália. Num cenário de filme, numa casa de revista, um lugar transformado pelo ser humano. Um pedaço de lugar. Um pedaço de natureza pura. Um recorte com colagens, são pedaços da natureza num quebra cabeça gigante, tudo junto é Second Valley. Tudo isso vai comigo dentro da minha memória. Vou levar para o Brasil, vou fazer um contrabando. Roubar esse mundo, esse pedaço do tempo, esse momento de eternidade, que agora é meu.
Na Casa dos Lus. Second Valley. South Austrália.
20 de fevereiro de 2026.

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